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Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)
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sexta-feira, 26 de abril de 2013

sábado, 19 de janeiro de 2013

O que dá pra prever pelas prévias


Esses dias está acontecendo uma prévia carnavalesca na cidade onde moro atualmente; é um evento comum no Brasil aqui pelas bandas do Nordeste, onde tocam cantores(as) e bandas em trios elétricos. O povo participa acompanhando pela avenida dentro dos blocos, ou do lado de fora (a “pipoca”), ou assistindo dos camarotes.

E nisso, uma amiga está recebendo um estrangeiro que pouco sabe do nosso país/estado nessas poucas semanas em que está morando aqui. Assistindo o tal evento acima citado, o homem ficou espantado com as “danças típicas”, que não são normais no lugar de onde ele veio, nem mesmo nas outras partes do mundo por onde já passou. Ficou meio confuso diante da sensualidade explícita e questionou o que ele pode ou não fazer, e a partir de que idade certas coisas são permitidas por aqui. Eu fico imaginando o que ele viu... E quão jovens eram as meninas que ele viu se comportando do jeito que ele viu...

Bem, a palavra cultura vem do latim colere, que significa cultivar, portanto esta varia dependendo do que é cultivado em cada época e lugar. Essa variedade cultural ao redor do mundo e através do tempo nos traz a idéia de que somos livres, já que, comprovadamente, há muitas possibilidades. Mas há que se reconhecer também que a liberdade não existe para a colheita: o que se planta, é o que se colhe.

Podemos perceber que nas últimas décadas o sexo foi sendo banalizado e supervalorizado nas músicas mais populares, principalmente de uma forma depreciativa em relação às mulheres. E tudo isso de um jeito tão sutil, em paradoxo às letras e danças explícitas, que as próprias mulheres depreciadas não se sentem ofendidas, aplaudindo e participando ativamente da disseminação de tais “valores”.

E isso não se restringe à classes sociais nem estilos musicais específicos; nem mesmo à temática sexual, mas em tantas outras que vão criando, nas mentes dos ouvidos que ouvem, colheitas venenosas que provocam um adoecimento social. Sem analisar o significado do que ouvem, cantam e dançam, as pessoas estão cultivando, muitas vezes sem consciência: preconceito, discriminação, competitividade, baixa auto estima, possessividade, dependência emocional, egoísmo, e por aí vai...

Dia desses ouvi na rádio uma música de um cantor, nacionalmente conhecido e valorizado, com letra absurda:

Mulher preguiçosa, mulher tão dengosa, mulher

Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Mulher tão bacana e cheia de grana, mulher
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Você não passa de uma mulher
Olha que moça bonita,
Olhando pra moça mimosa e faceira,
Olhar dispersivo, anquinhas maneiras,
Um prato feitinho pra garfo e colher
Eu lhe entendo, menina,
Buscando o carinho de um modo qualquer
Porém lhe afirmo, que apesar de tudo,
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Você não passa de uma mulher
Olha a moça inteligente,
Que tem no batente o trabalho mental
QI elevado e pós-graduada
Psicanalizada, intelectual
Vive à procura de um mito,
Pois não se adapta a um tipo qualquer
Já fiz seu retrato, apesar do estudo,
Você não passa de uma mulher (viu, mulher?)
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Menina-moça também é mulher (ah, mulher)
Pra ficar comigo tem que ser mulher (tem, mulher)
Fazer meu almoço e também meu café (só mulher)
Não há nada melhor do que uma mulher (tem, mulher?)
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)


Martinho da Vila

E o que é mais interessante: no backing vocal, mulheres estavam cantando isso junto com ele! E outro dia, mais uma vez na rádio, escutei o trecho de uma “música” que dizia mais ou menos assim: “no peito, no peito, no peito, no peito... e quem não tem peito, não se desiluda, vai na bunda, na bunda, na bunda, na bunda...”. Mas, acreditem, o pior ainda estava por vir: ao acabar de tocar a “música”, o radialista comenta “e quem não tem nem peito nem bunda? Melhor nem sair, fica em casa mesmo!”, e caiu na gargalhada. Eu fiquei um tempo pensando se realmente tinha escutado tudo aquilo... Mais triste é pensar nas mentes, principalmente aquelas na fase mais intensa de corpo em formação, ouvindo isso...

Todo mundo sabe, pela prática, que a repetição fortalece. Mas nem todo mundo sabe (ou percebe que sabe) que ouvir algo repetidamente, mesmo que seja por puro entretenimento ou até contra a sua vontade, fortalece aquele conteúdo dentro de você. E o que está dentro, pode ficar inconsciente; mas o inconsciente influencia você diariamente, mesmo que você não perceba.   

Se é melhor prevenir do que remediar, penso que nós, profissionais de Psicologia, temos que trabalhar muito mais pela conscientização social, pois não somos suficientes para recuperar tamanho estrago desse cultivo atual. E paralelamente, cultivemos outras sementes!

Camila Sousa de Almeida


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Medo



65.700.000 de resultados no Google.

"Um resultado emocional resultante da consciência do perigo ou de ameaça, reais, hipotéticos ou imaginário" segundo o dicionário.

"A vida é maravilhosa se não se tem medo dela" 
Charles Chaplin.


Hoje eu estava assistindo ao Jornal do SBT, na programação noturna do canal. Apesar de ser o meu jornal favorito, por causa de umas grandes sacadas da Rachel Sheherazade, eu senti uma grande aflição depois do anúncio das manchetes principais. "TRAGÉDIA Nº 01" vírgula "TRAGÉDIA Nº 02" vírgula "TRAGÉDIA Nº 03" vírgula "TRAGÉDIA Nº 04".

Cara! O quê que é isso? Quando foi que a desgraça virou o foco? Agora, dentro de tanta coisa boa que acontece por todo este pequeno planeta, os jornalistas acham mais informativo transmitir um assalto surpreendente que uma câmera de segurança gravou por acaso?

Foi assistindo a esse jornal que eu entendi porquê o mundo nunca foi tão perigoso - ele nunca teve tantas televisões. Elas não transmitem somente novelas e desenhos animados, elas transmitem o MEDO. O medo de andar nas ruas cheias de bandidos, o medo de pegar doenças de pandemias inventadas, o medo ser você mesmo.

Charles Chaplin não poderia estar mais certo. E eu mais certo de que ele está certo. Há pouco, minha vida era baseada no "E se...?" Ah, como eu adorava um "se...", ao contrário do Djavan. Diziam ser por causa do meu signo, alegando que librianos são muito ponderados. Mas acho que eu era mesmo um otário. Por uma sequência de fatos que não cabem ser publicados aqui, tudo mudou neste ano.

O começo da mudança foi um promessa linda: não recusar nenhum convite (dependendo da origem, é claro). Alguns amigos se aproveitam dessa promessa e eu não deveria estar anunciando publicamente a existência dela, mas, desde junho/2012, ela vem me trazendo ótimas experiências. Elas expurgaram meus medos de uma forma incrível.

Assaltos agora encaro como uma renovação de pertences. Estar solteiro me garante conhecer pessoas incríveis. Estar sem dinheiro, uma ótima oportunidade de aprender modos alternativos de me divertir e uma forma de conter gastos impulsivos. Não consigo mais ver como essas coisas podem me incomodar novamente. Hoje a consciência do perigo soa muito mais imaginária do que real ou hipotética.

Num clássico filme de terror dos anos 90, A Hora do Pesadelo, quanto mais os mocinhos falavam do vilão Freddy Krueger, mais ele tinha força para aterrorizar os sonhos dos adolescentes. O medo funciona bem assim.






"O perigo existe, faz parte do jogo
Mas não fique triste, que viver é fogo
Veja se resiste, comece de novo
Comece de novo, comece de novo
Ao cruzar a rua você está arriscando
Pode estar na lua, pode estar amando
Passa um caminhão, cruza uma perua
O cara tá na dele, você tá na sua
Você tá na sua, você tá na sua
Mas atravesse a rua sem medo"
(Vinícius de Moraes / Toquinho) 

Iury Vincenzo

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Consumismo Infantil: Na Contramão da Sustentabilidade


Um evento em Brasília marcou o lançamento do caderno “Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade”, uma parceria do Instituto Alana com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). O objetivo da publicação é ajudar os pais e educadores a trabalharem com as crianças a diferença entre o “querer” e o “precisar”, além de abordar temas como sustentabilidade, descarte e consumo.
Medidas como o consumo de lanches feitos em casa, mais saudáveis e que geram menos lixo e descarte de embalagens, são incentivadas. O material também traz alguns dados preocupantes sobre a influência da publicidade no consumismo infantil. Dados do Ibope mostram que, hoje, as crianças passam mais de cinco horas por dia na frente da televisão. E que 64% de todos os anúncios veiculados nas emissoras de TV, monitoradas às vésperas do Dia das Crianças de 2011, foram direcionados ao público infantil (Alana/UFES).
O livreto é o terceiro volume da série Cadernos de Consumo Sustentável, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente. Durante 2013, o Ministério da Educação deverá distribuir 70 mil exemplares da obra; o Ministério do Meio Ambiente, 10 mil e a Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP), mais 15 mil em todo o território brasileiro.
Que tal aproveitar as dicas da cartilha e começar a ensinar a seus filhos alternativas ao consumo sem reflexão? O documento está disponível para download na Biblioteca.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

E nova ação


Ser normal é enquadrar-se no grupo da maioria, é estar contido nas estatísticas mais abrangentes, é compartilhar dos costumes e aparências mais comumente observáveis. Em se tratando de saúde mental percebo que hoje em dia cada vez mais se usa o termo ‘típico’ e ‘atípico’ em substituição a ‘normal’ e ‘anormal’, mas não é só esse campo que opera mudanças, muitos outros também se valem de novas denominações para provocar a REleitura de velhos conceitos.

À primeira vista pode parecer que nada mudou, porém a análise dos termos permite notarmos que o caráter das colocações muda completamente na medida em que abandonam o teor qualitativo pelo quantitativo. Assim, ser normal ou anormal implica necessariamente num julgamento, estes nomes classificam implicitamente o indivíduo em bom ou ruim. Já o típico e atípico se referem à frequência em que são vistos, sem trazerem arraigados a si qualquer tipo de hierarquia ou valor.


A todo instante as nomenclaturas utilizadas pela sociedade mudam e não é por acaso, poucos se dão o trabalho de interpretar o que falam, apenas perpetuam a mudança sem observar a inovação semântica. Alguns, inclusive, nem se dão ao trabalho de mudar, permanecem engessados nos termos antiquados e carregados de valores inadequados.


Fico feliz, muito feliz, a cada leitura que faço e leio sobre o desenvolvimento atípico na infância, sobre o comportamento atípico nos portadores de determinado transtorno. Em seguimento a esses textos quase sempre se discute as formas de tratamento com relação a essas pessoas, as maneiras de tratá-las e garantir-lhes qualidade de vida. E isso não se fazia no tempo em que eram classificados em normais e anormais, a discussão se encerrava nesse ponto como se por acaso os anormais não tivessem chance de progredir. A anormalidade era um decreto, o desenvolvimento atípico é um novo caminho, diferente.


Então por meio dessa análise eu tento abrir os olhos de quem ainda pensa que a mudança de uma palavra por outra não carrega profundas transformações no entendimento do comportamento humano. Pra você que acha que deficiente e aleijado são a mesma coisa, que caduco e idoso são sinônimos, diria que precisa prestar atenção ao sentido implícito em cada palavra que diz. Atente para o que fala, pois as mudanças não ocorrem em vão e quem não as compreende é porque não lê a respeito nem participa das mudanças ideológicas por trás de uma ‘simples’ mudança de termo. 

Ricardo Senna

Fonte: http://mente-hiperativa2.blogspot.com.br/2012/10/novos-termos-que-carregam-novas-ideias.html

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pescadores de ilusões


Mentiram. E continuam mentindo. Mulher não nasceu pra ser mãe; homem não é aquele que não chora; e ninguém precisa lutar pra ser alguém na vida naturalmente se é o que já se é de nascença.

Nos países emancipados não existe independência; homens livres são escravos; a notícia que não é noticiada não é a violência que provoca medo, mas que ela é por ele provocada.

Seres pensantes que não pensam preenchem os espaços que continuam vazios das cidades abarrotadas. A civilização hoje é um processo especializado de impedir a evolução. 

Os animais que ainda sobrevivem estão mortos, vivendo sob maltratos de exemplares – que não dão exemplo – de sua própria espécie. São eles: patrões, empregados, desempregados e outras variações de terráqueos.

Sinto não acabar com essa amarga ilusão. Não vivemos em um grande mundo redondo, mas apenas num grão de areia minúsculo do universo. Se giramos em torno de nós mesmos, estamos repetindo um disco arranhado. Não amamos: choramos e lamentamos, achando que somos injustiçados! Como se justiça fosse só uma palavra que guardaram no dicionário...

Camila Sousa de Almeida

domingo, 15 de julho de 2012

Soluçando



Nenhum peixe morde a isca se não estiver com fome; é preciso haver alguma necessidade para poder oferecer uma armadilha com aparência de solução para ela. Assim é na sociedade capitalista; criam em nós pseudo-necessidades para iludir-nos com uma suposta “satisfação” por meio de soluções consumistas. E como se criam pseudo-necessidades? 

Impedindo as pessoas de terem suas reais necessidades satisfeitas, aquelas que naturalmente produzem bem-estar e equilíbrio; fazendo-as acreditar que não têm dentro de si aqueles aspectos subjetivos que as fazem se sentir dignas, capazes e completas, portanto terão que procurar tudo do lado de fora; direta e indiretamente, convencendo-as de que a vida é uma guerra pela sobrevivência e um teatro de aparências, separando-as assim de seus semelhantes, acusando-os de serem diferentes... Diante de tudo isso, elas se sentirão sozinhas, em meio a pessimistas previsões e visões de vida... 

Um sistema como esse vai tirando da gente a espontaneidade da fome, do sono, da sexualidade, dos afetos, dos sonhos... Limitando, quando determina o que você deve querer e fazer para estar nos padrões e ser considerado bom, certo, bonito, bem-sucedido e apreciável. 

Todas essas idéias foram construídas, assim como nossos hábitos diários; criados e facilitados pela repetição. Mas antes da construção do que estamos habituados e da criação dos desejos padronizados, a hora de comer qualquer ser humano já sabe: quando sente fome; a hora de dormir e acordar o próprio corpo, em harmonia com a natureza, sinaliza; a sexualidade se manifesta espontaneamente e o sexo é naturalmente prazeroso; as pessoas amam-se umas às outras, apreciam as coisas e os lugares de um jeito que nem precisa de explicação... 

Às vezes o problema é a solução.

Camila Sousa de Almeida  
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