Minha foto
Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)
Mostrando postagens com marcador Código de Ética. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Código de Ética. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Visão



Quando fazemos alguma coisa com freqüência deixamos de estar atentos a certos detalhes; acostumamo-nos a nos acostumar... Uma criança facilmente se encanta, se espanta e (se) questiona sobre um tanto de coisas que deixamos passar despercebido. Podemos muito bem aprender isso com elas.

Assistir televisão se tornou um hábito comum para muita gente ao longo das últimas décadas, desde a criação do aparelho no início do século passado; e a partir desse, muitos outros hábitos foram sendo inseridos e normalizados através do conteúdo de suas programações. 

Não é à toa que a palavra empregada é “programação”, já que a mesma pode ser considerada um meio capaz de programar as pessoas para o que quer que se deseje, ou seja, planejar o que elas vão querer; e o que vão fazer para conseguir isso. 

Se na televisão se vê predominantemente pessoas de boa aparência (porque usam maquiagem, compram roupas da moda, fazem cirurgias, mantêm o corpo à base de comprimidos, etc) as pessoas vão querer consumir todos os produtos e serviços que se mostram necessários para também serem consideradas aparentemente boas, afinal todo ser humano tem o desejo de ser apreciado. No fundo, todos precisam AMAR e SER amados, e não simplesmente SENTIR-SE assim. E conhecendo esse aspecto da natureza humana, aqueles que têm o domínio de tais meios o usam a favor da manutenção de seus interesses: poder e dinheiro. 

E para estimular a busca desse apreço, é preciso que as pessoas acreditem que só o terão se tiverem as coisas que passam na televisão... E que a vida está difícil; a competitividade é grande; não há suficiente para todos; os “noticiários” mostram isso todos os dias! Para que você se esforce para se destacar e “ser alguém na vida”, o que para eles significa ter dinheiro para poder comprar cada vez mais...  

Tudo que passa na televisão passa antes por uma peneira: vai ao ar aquilo que serve aos interesses daqueles que mandam. Por isso é imprescindível que VOCÊ filtre o que está vendo... 

Observe que os valores que alimentam o capitalismo são fomentados de todas as formas possíveis, afinal um sistema é um conjunto de partes dependentes umas das outras; portanto, a continuidade deste “sistema econômico” depende do incentivo do que ele precisa para sobreviver: que seus produtos e serviços continuem sendo consumidos. Quanto mais consumo, mais produção; quanto mais é produzido, mais será consumido. Um círculo, sem fim...

Tanto a produção quanto o consumo aumentam o poder e o dinheiro dos que já os têm; enquanto aqueles que produzem e consomem massivamente ficam prisioneiros desse círculo vicioso... Os elementos que dão base a essa manutenção são os valores transmitidos em todas as áreas, abrangendo muito além da economia: educação, saúde, trabalho, relacionamentos, religião, lazer, tudo!
 
Semana passada assisti um programa sobre pessoas que têm compulsão por compras. O repórter foi entrevistar uma vendedora de uma loja considerada chique e perguntou se ela tinha alguma cliente que demonstrasse ter este transtorno. A vendedora afirmou ter algumas, então foi questionada se, quando percebia tal fraqueza, não se aproveitava e incentivava que a cliente comprasse mais. Percebi a hesitação em afirmar que sim, mas, diante do comentário efusivo do entrevistador – “ah, se fosse eu me aproveitava!” – a mesma confirmou que fazia isso; afinal entendeu que tal admissão seria aceitável(????) diante dos telespectadores. 

Tirar vantagem da patologia ou fraqueza alheia, “ficar bem”, ou melhor, ganhar dinheiro prejudicando os outros, é apenas um exemplo dos valores que estão sendo normalizados para manter toda esta estrutura supracitada... Talvez, sem nem notar nada disso, você sorriria junto com o repórter dessa entrevista... Ou não?

Tudo isso é, de fato, um exemplo de hipnose para ser realmente temida. Já a hipnose terapêutica, leva você ao autoconhecimento que pode lhe libertar desses aprendizados que estão lhe prejudicando a qualidade de vida. Por isso é ainda mal interpretada, porque pode despertar sua mente para seu próprio potencial e poder, lhe descondicionando da submissão aos outros... 


P.S. 1: “Televisão” (do grego tele - distante e do latim visione – visão).
P.S. 2: Neste texto, por “televisão” entenda qualquer meio de comunicação de massa...

Camila Sousa de Almeida

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

PsicoLogo ou Ainda Não



Hoje no consultório um questionamento me divertiu muito: “vocês psicólogos conseguem praticar isso que dizem?”. É uma boa pergunta. E a resposta pode variar muito...

Não é difícil encontrar a contradição na sociedade: há médicos que se drogam; professores que desvalorizam a criatividade e o pensamento crítico nos alunos; profissionais do Direito que transgridem as leis; pais e mães que fazem o que não querem que seus filhos façam; entre outros exemplos. E por mais que pareça um paradoxo, os psicólogos também enfrentam os tipos de problemas que levam as pessoas até eles. 

Nenhum ser humano está isento das questões humanas; apenas podemos encontrar quem tenha mais ou menos condições de lidar com elas saudavelmente. Talvez uma diferença entre os psicólogos e os não-psicólogos seja a obrigação que nós temos de estar sempre buscando melhorar pessoalmente, devido à profissão. Claro, não somos os únicos a ter que fazer isso. E acredito que o dever (e o prazer) de buscar esse auto-aperfeiçoamento não deve se tornar uma cobrança de perfeição. Nem pelos outros, nem por nós mesmos.

As relações (terapêuticas, inclusive) funcionam melhor quando temos a consciência de que cada um de nós tem pontos mais fracos e pontos mais fortes, que podem tanto ser diferentes quanto “iguais” aos dos outros com quem estamos nos relacionando. Quando aprendemos a aprender com todos, reconhecemos que todo mundo tem algo a ensinar, apesar de ainda ter muito a aprender... 

Quem sabe se aquele que lhe ajuda, ao lhe ensinar, esteja justamente aprendendo com você! O que se trabalha do lado de fora, está sendo trabalhado dentro também. Os dois se tornam parceiros de dança...
Camila Sousa de Almeida

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Esperando tranquilamente


Nós costumamos ter medo do desconhecido e ficar nervosos quando fazemos algo pela primeira vez.  Mas quando nos informamos previamente a respeito do assunto e temos noção do que nos espera podemos ficar mais tranquilos. Alguns chegam ao meu consultório e, sem saber muito bem o que dizer, avisam que nunca fizeram terapia. Por isso resolvi escrever sobre “o que esperar” de uma consulta antes de você chegar lá. 

Acontece de muitas pessoas precisarem da ajuda de um(a) psicólogo(a) e demorarem a procurá-lo(a), seja por ignorância (de que este profissional pode ajudar no seu caso); por preconceito (de que ir ao psicólogo é “coisa de doido”); por dificuldades financeiras ou outro motivo qualquer. Portanto, quando chega ao consultório, a pessoa já sabe porque está lá; ou ao menos percebe que está precisando de ajuda profissional, mesmo que não entenda completamente o porquê. Sendo assim, o cliente sabe o que quer (mesmo que seu problema seja “não saber o que quer”), e esse será o ponto de partida da conversa no primeiro encontro. 

Pode acontecer de alguém iniciar o processo terapêutico pela vontade de terceiros, o que é comum no caso de adolescentes, mas a disposição da própria pessoa em colaborar é  o requisito indispensável para se manter uma psicoterapia. E cada um deve ter seu(s) objetivo(s) em mente – independente do que querem os outros. 

Nos primeiros momentos do processo ambas as partes estão se conhecendo; é comum a conversa passear por diversos assuntos e áreas, pois sabemos que somos seres bio-psico-sócio-espirituais, então tudo o que nos afeta é influenciado e influencia nossa vida como um todo. O meu trabalho é com psicoterapia breve, o que significa trabalhar com foco, mas isso não significa falar apenas no “assunto do problema”. 

Dentro da Psicologia existem várias linhas de trabalho, e aquele que estiver interessado pode buscar informações sobre as diversas opções disponíveis; pois cada pessoa, com suas particularidades, pode se agradar mais com umas do que com outras. Na primeira sessão explico aos meus clientes a forma de trabalho da minha abordagem – ericksoniana – e tiro as dúvidas que vão surgindo, inclusive sobre a nossa ferramenta mais fantástica (porém pouco e mal divulgada): a hipnose.

A pessoa tem o direito de não querer utilizar alguma técnica; tem o direito de falar ou calar sobre o que quiser; com a garantia do sigilo sobre o que é dito ali (inclusive os adolescentes levados pelos pais). 

O que norteará o bom funcionamento da psicoterapia é esclarecido na primeira sessão, firmando-se o “contrato terapêutico”. Portanto, como vocês podem facilmente perceber, não há bicho-de-sete-cabeças nenhum no consultório psicológico, mas sim duas cabeças que, juntas (uma com a outra e com todo o resto do que nós somos), funcionam melhor que uma só!

Camila Sousa de Almeida

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Kit argumentação


  Hoje em dia uma das frases que mais se ouve falar é “o mundo ta perdido”; e a gente pode escutar isso pelos mais diversos motivos. Alguns comemoram o fato de muitas coisas estarem diferentes; enquanto outros lamentam o que não é mais como antes, como “no seu tempo”. Claramente hoje temos mais liberdade, e isso nos faz ter que conviver com o que discordamos; mas poder falar que não concordamos e escutar que discordam da gente. 

 
  Sobre a atual polêmica do kit gay a ser distribuído nas escolas brasileiras, circula na internet um vídeo feito por um anônimo, dando a sua opinião sobre o assunto. Ouvi e também quis falar. No meu caso, escrevo, porque sei que muitas pessoas que não pensam sozinhas no assunto podem ouvir ou ler os argumentos e a partir disso criar suas próprias opiniões.

 O “mascarado polêmico” começa falando que “o Congresso Brasileiro está perdendo o senso de moralidade”. Penso eu que o Congresso deve servir ao povo e com a palavra povo quero dizer todo e qualquer cidadão. Se moral é um conjunto de normas de conduta consideradas mais ou menos absoluta e universalmente válidas, não depende da própria sociedade a que esta moral se refere, a validação de tais normas? Se existe um grupo em relevante quantidade, com argumentação embasada cientifica e politicamente, que apresenta soluções para um problema social que mantém a injusta desigualdade entre os cidadãos do país, o que teria de moral em ignorá-los?

  Segundo o mascarado, o kit está “pondo o que é absurdo como normal”. Poderia eu fazer o mesmo comentário a respeito das idéias que o vídeo expõe, pois fala como se as crianças pudessem ser educadas para ter alguma orientação sexual específica; como se “ser homem” fosse o contrário de “ser gay”; como se apenas a escola fosse responsável pelo que a criança aprende; como se a distribuição de camisinhas aliada à explicação sobre sexualidade na escola fosse a única variável causadora da iniciação sexual precoce e promiscuidade de meninos e meninas. Será mesmo que as coisas são tão simplistas assim? 

  Ele diz que “a criança que ta na idade escolar ainda não tem caráter pronto, não tem a consciência definida. Se você se utiliza de meios influenciativos na escola, é claro que a criança vai dar ouvido”. Só na escola? Será que a família, os amigos, a mídia não influencia?! Uma criança e principalmente um adolescente não vive só na escola, ela aprende onde ela estiver, e se a escola tem o papel formal de educar ela tem o dever de orientar para os desafios do mundo; e em todo lugar convivemos com pessoas diferentes de nós... Você acha que o “certo” seria a escola dizer que “ser gay” é errado? O que o aluno gay acharia? Ou melhor, como se sentiria? O que aprenderia? Se os Conselhos Federais de Medicina e Psicologia negam a idéia de que a homossexualidade é uma doença, por que a escola lidaria diferente com isso?

   Ele diz que “quem sempre sofreu bullying na escola foi o gordo, o baixinho. E quem na verdade sempre sofreu preconceito foi o preto. E eu não via absolutamente ninguém distribuir um folheto sequer sobre desigualdade racial nesse tempo”. Bem, pelo que sei, a luta contra o bullying e pela igualdade racial existe hoje de muitas formas, e se não existia na escola do mascarado, no tempo dele, eu não considero isso sequer um argumento plausível contra ações pela igualdade, do que quer que seja, atualmente. Se antes não se fazia nada para mudar algo e hoje se faz, que bom! Entro no grupo daqueles que acham bom então as coisas terem mudado...

  O mascarado diz que os políticos não estão interessados em realmente melhorar a educação, pois se estivessem realmente preocupados com isso não faltaria mais merenda nas escolas, entre outras coisas. De fato, é um absurdo este problema. Mas, a título de informação, O Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, conhecido como Merenda Escolar, consiste na transferência de recursos financeiros do Governo Federal, em caráter suplementar, aos estados, Distrito Federal e municípios, para a aquisição de gêneros alimentícios destinados à merenda escolar. Não cabe aos parlamentares a responsabilidade pela falha neste quesito. Além disso, será que não ter um problema resolvido é motivo para não se resolver outro?

  Ele reclama que se você não concorda com a “ideologia GLS” você já é tido como homofóbico. Nesse caso, gostaria de maiores explicações do mascarado, pois desconheço uma “ideologia GLS”... Conheço as orientações sexuais homoafetivas, conheço pessoas da mesma orientação sexual que possuem ideologias diferentes e conheço as reinvindicações do grupo LGBT – que luta pelo respeito aos direitos que todo cidadão tem (ou deve ter), inclusive o mascarado, provavelmente.

  “Eu tenho todo direito de gostar de futebol sem brincar de boneca” o mascarado diz. Com certeza, nada de errado com esta declaração. Mas quem disse que ensinar às crianças que não há nada de errado com o colega que gosta de coisas diferentes é dizer a elas que o que elas gostam ou fazem é errado?! Se a proposta é justamente respeitar as diferenças, porque se tentaria igualizar todos? “Não sou obrigado a por o gay acima de todos” é mais uma declaração inexplicável, pois a proposta é tirá-los de uma condição mais baixa em relação aos outros. O mascarado utiliza o direito constitucional de “igualdade” para dizer que “se vai ter cartilha gay, vai ter que ter cartilha hétero”, mas ele mesmo reclama no início do vídeo das orientações sobre sexualidade que tiveram na escola, na época dele. Aquela era a “cartilha hétero”!

  E para finalizar, e não continuar infinitamente contra-argumentando, gostaria de comentar a acusação de que o governo está “gastando dinheiro público para influenciar teu filho a virar pro outro lado”: quem disse que teu filho é desse lado? Os filhos podem estar de todos os lados... mas ninguém precisa ficar do lado de cima, nem de baixo...

Camila Sousa de Almeida

terça-feira, 28 de junho de 2011

Diversidades reconhecidas psicossocialmente


RESOLUÇÃO CFP Nº 014 /11

Dispõe sobre a inclusão do nome social no campo “observação” da Carteira de Identidade Profissional do Psicólogo e dá outras providências.

O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei n° 5.766, de 20/12/1971;

CONSIDERANDO o direito à cidadania e o princípio da dignidade da pessoa humana, previstos no artigo 1º, inc. I e III da Constituição Federal de 1988;

CONSIDERANDO o direito à igualdade de todos os cidadãos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, previsto no art. 5º da Constituição Federal de 1988;

CONSIDERANDO o disposto na Lei n.º 6.206/75, a qual dá valor de documento de identidade às carteiras expedidas pelos órgãos fiscalizadores de exercício profissional;

CONSIDERANDO que nos termos do artigo 14 da Lei n.º 5.766/71 e art.47 do Decreto n.º 79.822/77 e art. 47 da Resolução CFP n.º 003/2007, o documento de identificação do psicólogo é a carteira de identidade profissional;

CONSIDERANDO que o artigo 47 do Decreto n.º 79.822/77 estabelece que deferida a inscrição será fornecida ao Psicólogo Carteira de Identidade Profissional, em que serão feitas anotações relativas à atividade do portador, e

CONSIDERANDO decisão do Plenário do Conselho Federal de Psicologia do dia 17 de junho de 2011,

RESOLVE:

Art. 1º - Assegurar às pessoas transexuais e travestis o direito à escolha de tratamento nominal a ser inserido no campo “observação” da Carteira de Identidade Profissional do Psicólogo, por meio da indicação do nome social.

Art. 2º - A pessoa interessada solicitará, por escrito, ao Conselho Regional de Psicologia a inclusão do prenome que corresponda à forma pela qual se reconheça e é identificada, reconhecida e denominada por sua comunidade e em sua inserção social.

Art. 3º - Fica permitida a assinatura nos documentos resultantes do trabalho da(o) psicóloga(o) ou nos instrumentos de sua divulgação o uso do nome social, juntamente com o nome e o número de registro do profissional.

Art. 4º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
   
Brasília (DF), 20 de junho de 2011.
HUMBERTO COTA VERONA
Conselheiro - Presidente

segunda-feira, 21 de março de 2011

O uso da hipnose na Psicologia

RESOLUÇÃO CFP N.º 013/00 DE 20 DE DEZEMBRO DE 2000


Aprova e regulamenta o uso da
Hipnose como recurso auxiliar de
trabalho do Psicólogo.

 




O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971 e;
 
CONSIDERANDO o valor histórico da utilização da Hipnose como técnica de recurso auxiliar no trabalho do psicólogo e;

CONSIDERANDO as possibilidades técnicas do ponto de vista terapêutico como recurso coadjuvante e;

CONSIDERANDO o avanço da Hipnose, a exemplo da Escola Ericksoniana no campo psicológico, de aplicação prática e de valor científico e;

CONSIDERANDO que a Hipnose é reconhecida na área de saúde, como um recurso técnico capaz de contribuir nas resoluções de problemas físicos e psicológicos e;

CONSIDERANDO ser a Hipnose reconhecida pela Comunidade Científica Internacional e Nacional como campo de formação e prática de psicólogos,

RESOLVE:

Art. 1º – O uso da Hipnose inclui-se como recurso auxiliar de trabalho do psicólogo, quando se fizer necessário, dentro dos padrões éticos, garantidos a segurança e o bem estar da pessoa atendida;

Art. 2º - O psicólogo poderá recorrer a Hipnose, dentro do seu campo de atuação, desde que possa comprovar capacitação adequada, de acordo com o disposto na alínea “a” do artigo 1º do Código de Ética Profissional do Psicólogo.

Art. 3º - É vedado ao psicólogo a utilização da Hipnose como instrumento de mera demonstração fútil ou de caráter sensacionalista ou que crie situações constrangedoras às pessoas que estão se submetendo ao processo hipnótico.

Art. 4° - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5° - Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília (DF), 20 de dezembro de 2000.

ANA MERCÊS BAHIA BOCK
Conselheira-Presidente

sexta-feira, 4 de março de 2011

Eles são...

Crianças.

Pessoas.





Deixem que eles escolham suas próprias etiquetas.
Chega de rótulos psiquiátricos para crianças.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Reflexões sobre o sexismo na linguagem

O Conselho Regional de Psicologia da 3ª região (CRP03) iniciou uma discussão sobre a visibilidade do gênero gramatical feminino equilibrada com a visibilidade do gênero gramatical masculino na linguagem utilizada nos seus documentos. Considerando a importância da utilização de uma linguagem explicitamente inclusiva do feminino e do masculino, o CRP03 optou por uma forma que represente as mulheres e que enfrente o sexismo linguístico.

O sexismo na linguagem ainda hoje é muito utilizado, o que denota uma linguagem que discrimina as mulheres, ao adotar o gênero masculino como fórmula única para referir-se a homens e mulheres de forma genérica. Iáris Ramalho Cortês destaca: “Na ortografia, deixamos de ser, em todo o texto, uma ‘sombra’ do homem, ou seja, quando se falava a palavra ‘homem’, tínhamos que nos sentir incluídas na masculinidade que esta palavra encerra. O ‘homem’ estava colocado como o representante da humanidade brasileira e com isto a ‘mulher’ não necessitava ser citada diretamente de vez que possuía um representante legal, pré-estabelecido pela escrita.”

O patriarcalismo contribuiu muito para o ocultamente das mulheres, ao passo que colocou o homem como centro, como parâmetro. Nesse “modelo”, as mulheres foram colocadas à margem, e, no percurso, adotou-se uma linguagem sexista para inviabilizar as mulheres, tendo essas que se sentir incluídas no masculino. Para Isaura Isabel Conte, a linguagem masculinizada é colocada como neutra, cria uma estrutura que limita e condiciona o pensamento, e “acaba mutilando a humanidade já que uma parte substancial dela não é nomeada”. As palavras que parecem ser tão usuais no cotidiano das pessoas muitas vezes não são percebidas como carregadas de machismo e preconceito em relação às mulheres. Porém, como as relações sociais ainda são desiguais, cristalizaram-se algumas “normalidades”. Portanto, a linguagem sexista acaba externalizando comportamentos e práticas que reforçam a discriminação das mulheres.

A utilização equilibrada de formas de tratamento para as pessoas pode ser realizada de diversas formas. Como aponta Eulália Lledó, “esta questão não é um problema da língua e não é verdade que o masculino inclua o feminino: é uma convenção na qual somos treinados”. Para ela, trata-se de uma questão ideológica: “A língua não é sexista nem racista, mas uma radiografia do que se pensa”. Nessa linha, o Núcleo de Estudos da Mulher e das Relações Sociais de Gênero (NEMGE) produziu o Guia Prático sobre Ensino e Educação com Igualdade de Gênero, com o objetivo de colaborar para o desenvolvimento de um trabalho pedagógico crítico e sem preconceitos, evitando o sexismo na linguagem e visando garantir, para meninos e meninas, os mesmos direitos e acesso a oportunidades. Além disso, a UNESCO lançou, em 1996, a publicação: “Redação sem discriminação: linguagem não sexista da UNESCO com exemplos em Português, Inglês e Espanhol”. Assim, o CRP03 utiliza a terminologia “as/os” nos seus documentos na perspectiva da igualdade de gênero, questão fundamental inserida na temática dos Direitos Humanos, com o objetivo de dar visibilidade ao papel do gênero feminino como sujeito político, salientando que tal prática constitui uma das formas contemporâneas de enfrentar a discriminação contra as mulheres.

Ludmila Cerqueira Correia

Advogada, Mestra em Direitos Humanos pela UFPB

Professora da Faculdade de Direito da UEFS

Ex-Assessora Jurídica do CRP03

Fonte: Jornal CRP03 BA/SE Ano 2. Edição 002. Ago-Dez 10
Related Posts with Thumbnails