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Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Dai-me o teu amor, que já é meu



Era um encontro transcendental entres as partes que os levavam a eles mesmos. Haviam se fundido e se cindido logo que se deu a invenção de seus corpos, por isso os desencontros passaram a acontecer frequentemente, apesar de tão próximos.

Nada mais seria da mesma forma, intacto apenas o conteúdo. Riam juntos, choravam juntos, iam embora supostamente se separando mas, fatalmente unidos, sempre voltavam de onde tinham parado como se o tempo não tivesse existido. Explicação nenhuma isso requer. O fato é que era consenso o com-sentimento entre as partes. Mas era difícil porque juntava o não saber como fazer com o sem conseguir provar...

Nasceram, cresceram, encontraram outros, trocaram o carinho pelo carinho dos outros e depois trocaram e foram trocados por outros. Entre eles mesmos não trocaram beijos, não tocaram os corpos, mas o coração batia mais forte do que o mais forte que já havia batido... Um bater sem dor, mas que doía... Ardia, mesmo sem arder...

Ele até chegou a correr atrás, sem correr... Ela, sem saber, sabia... Tão estranho era aquela intimidade toda, que não se encontrava em nome algum. Só no dicionário celestial dos que verdadeiramente amam. Porque pra amar não precisa de contrato nem de falta de medo. Sendo assim, estavam livres. Para amarem-se e aceitarem-se na saúde e na doença; na riqueza e na pobreza; até que a morte os una completamente... Ou a vida não espere pela morte.


Camila Sousa de Almeida

domingo, 27 de outubro de 2013

Reflexões de um botão

Era um peixe. Era, de fato, uma vontade de nadar. Mas ele voava no ar, sobre as coisas da terra. Não havia espaço onde ele não pudesse ir, afinal era livre da necessidade de líquidos para fluir. Tudo isso fazia um grande sentido, apesar de esdrúxulo e inigualável no mundo das espécies aquáticas, que era o mundo dos terráqueos. Todo mundo no mundo sabe nadar, e quando não sabe, nada. Nada mesmo. Nenhuma invenção humana superaria tamanha patacoada que a de um peixe que não nadava na água.

Camila Sousa de Almeida

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O princípio do segundo que foi o primeiro

Mal tinha começado a escrever e já começou a crescer: fazia do papel a própria poesia. Mas escrevia gaguejando; soltava versos sozinhos e, com medo da solidão, não ia adiante com nenhum deles. Foi quando num dia, noturnamente, abriu uma página debaixo do telhado de brilhantes e enxergou lá dentro uma palavra única e cintilante: "universo", dizia em letras pequenas, mas gigantes. Soou como um gritante cochicho em seus ouvidos infantes. Uma palavra só trazendo sentido para muitas e, não-verbalmente, uniu os versos que tinha soltos e com eles formou algo muito mais crescido do que o que tinha acrescido. Foi assim que, num primeiro segundo incontável pelo tempo, descobriu o poder dos so(l)zinhos...


Camila Sousa de Almeida


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Umas coisas


A natureza de dentro é que nem a natureza de fora.

Tem coisa que pinga em gotas mas que, quando se junta, nos banha por inteiro.

Tem coisa que vem e vai todo dia, na mesma hora, parecendo do mesmo jeito.

Tem coisa que desaparece mas continua existindo, sem a gente ver...

Tem coisa que cresce escondido e depois se amostra, pra continuar a crescer.

Tem coisa que é a mesma coisa, mas muda de estado, de estação, de fase... Ou deixa de ser muda, simplesmente.

Tem coisa que se abre e que se fecha, fazendo cada coisa dessa na hora certa.

Tem coisa que é vermelha e coisa que é amarela; coisa que se diz sem cor e coisa com muitas delas!

Tem coisa invisível que é bem forte, coisa pequena que é grande, e coisa bonita que não se enxerga por ser teimosa.

Tem coisa que parece igual, mas é diferente; é única, verdadeiramente.

É, as coisas são assim mesmo... Não são nada disso. As coisas se transformam, pra continuar sendo o que não deixam de ser, e serem o que é pra ser...

Camila Sousa de Almeida


domingo, 5 de maio de 2013

É


Fica claro que, tudo que está impreciso, precisa ser esclarecido à luz de um farto respaldo ancorado no fundo de um oceano de verdades. Embora a verdade precisa ser precisa no que toca a realidade observada subjetivamente por uma ótica isenta de travas e entraves que obscurecem o alvo a ser atingido e por uma visão clara a cerca de um manancial de inesgotáveis argumentos congruentes e realistas, respeitando a hierarquia dos anjos da cadeia hieráldica celestial, onde tudo é azul da cor dos verdes mares...  

Antônio Custódio de Souza Prado

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Basta amar











- Você é mãe? Pergunta a menina de 4 anos de idade.
- Não. Responde ela.
- O que foi que fez você achar que ela era mãe? Questiona Ângela.
- Porque eu gosto dela... Responde a menina que a tinha conhecido naquela tarde.


Crianças sabem de coisas que os adultos não sabem que sabem... Como não ser o que já é? Respostas sem palavras...


Camila Sousa de Almeida






sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sem Meias


Ando de sapatos porque o chão pode machucar minha sola dos pés. No início era isso, depois virou outra coisa. Algo pra deixar a imagem deles supostamente mais bonita. Onde começa a desculpa e termina a realidade não sei, mas está claro que sapatos são mecanismos de defesa conscientes da inconsciência social. Será que Freud explica o mal estar na civilização causado para evitar o mal estar? Talvez sim, completamente vestido de meias verdades... Sempre divididas em diferentes lados, mas formando pares que combinam...

Camila Sousa de Almeida

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Pra quê?












Pra quê tomar banho se vou me sujar de novo?


 Pra quê?


Eis a questão.


Camila Sousa de Almeida

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Quando pensa que está aprendendo... ensina!


- Mãe, você disse que eu era única, mas na escola descobri que existem muitas outras Marianas!

- Sim, filha. Tudo que alguém pode lhe dar, ou que se compra, ou que se perde, se repete. O seu nome fui eu quem dei, mas você não é o seu nome.

- E o que eu sou, mãe?

- O que você é não tem nome, filha. Tem um montão, mas você não é o que você tem.

- E eu sou o quê?

- Você é única no mundo: você é você!

- Mas como eu sei disso?

- Tem coisas que a gente sabe, mesmo sem saber.

- E como eu vou saber que sei, sem saber?

- Quando você não precisar pensar, mesmo pensando.

- Sei como é...

- Sabe?

- Sim, mãe, eu sei. É que nem quando eu abraço sem abraçar. Não é?!

- E como você abraça sem abraçar?

- Não sei dizer, só sei fazer, mãe. É como eu me sinto... eu amo você!

E o abraço sem braços desatou os laços da compreensão... :)

Camila Sousa de Almeida

sábado, 29 de setembro de 2012

Uma viagem



Impedidos de entrar em bando, escaparam pra dentro feito um assalto. Não falaram nada que não fosse por gestos: “você ali, ele lá, aquele acolá”. Parecia uma banda de música nova dando suas coordenadas. 

Criaram o ambiente propício, sem cotoveladas, e foram pra ponta da varanda, onde se via a lua... dentro, mas fora. 

Aplaudiram a si mesmos com entusiasmo e fizeram festa em dia de semana. Não eram mais do que eles mesmos. Estavam sós, naquilo que alguns chamavam de inteiro, mas por serem pacíficos, trocavam brigas por beijos. 

Quem eram eles? Os elementos de um cesta sem feira; partes de sua mente. Consciente e inconsciente: uma mente perfeita. 

Camila Sousa de Almeida

sábado, 30 de junho de 2012

A inconsciência da consciência

 
A consciência da inconsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência. Há inteligências inconscientes — brilhos do espírito, correntes do entendimento, mistérios e filosofias — que têm o mesmo automatismo que os reflexos corpóreos, que a gestão que o fígado e os rins fazem de suas secreções.

Fernando Pessoa



domingo, 3 de junho de 2012


Tô bem de baixo prá poder subir
Tô bem de cima prá poder cair
Tô dividindo prá poder sobrar
Desperdiçando prá poder faltar
Devagarinho prá poder caber
Bem de leve prá não perdoar
Tô estudando prá saber ignorar
Eu tô aqui comendo para vomitar

Eu tô te explicando
Prá te confundir
Eu tô te confundindo
Prá te esclarecer
Tô iluminado
Prá poder cegar
Tô ficando cego
Prá poder guiar

Suavemente prá poder rasgar
Olho fechado prá te ver melhor
Com alegria prá poder chorar
Desesperado prá ter paciência
Carinhoso prá poder ferir
Lentamente prá não atrasar
Atrás da vida prá poder morrer
Eu tô me despedindo prá poder voltar

Tom Zé

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A chegada da Paz

Hoje eu vou contar uma história bonita. E de todas as histórias bonitas essa é a mais! Foi a que eu escolhi contar pra você.

Um dia, que não era dia, era noite, uma gata escolheu ser livre e sair pelas ruas a miar. Miou tanto que sua voz rouca foi ouvida, e uma mulher livre, subindo em sua escada, a acolheu. 

Só os livres podem ajudar alguém sem perder a liberdade. Por isso, isso aconteceu. A gata não procurava por ninguém, na verdade. Os seres humanos que buscam gatos e gatas para cuidar. Mas os encontros acontecem por um encaixe perfeito se encaixando numa cabeça quebrada; no quebra-cabeças, as diferentes peças formam uma única imagem. 


Assim, mulher, gata, liberdades, passaram a sair na foto. A grafia ficou pra ser minha parte. 

Estranhamente bom de se ver era que a calma da gata não se esgotava. Parecendo mais receber do que dar, ela preenchia o que parecia estar em falta na casa. A mulher sarou o coração a partir dessa entrada. A paz chegou, e ela passou a viver melhor. Esse era o nome da gata.

Camila Sousa de Almeida

terça-feira, 1 de maio de 2012

Os nós que se ligam a nós


Malú sonhou comigo. Sonhou com ela mesma. Eu fazia algo que a surpreendia e ela se unia a mim para, juntas, colocarmos em prática algo inusitado. A gente sempre faz isso. Nós, humanos. Usamos os outros como motivos, escudos, desculpas para fazer o que sozinhos não temos coragem. Em grupo, coletivizando-nos, somos outros porque, muitas vezes, assim é que conseguimos ser nós mesmos; usar outros lados de uma personalidade que não costuma se mostrar como é inteira. 
 
Frequentemente enxergamos no lado de fora características que temos e que incomodam, mas em vez de lidarmos com nossas próprias sombras, nos incomodamos explicitamente é com os outros! Às vezes sonhamos com pessoas que não estão representando elas mesmas, mas partes psíquicas nossas... Simbolicamente ou não, todos são parte de nós, enquanto justificamos que somos parte deles. Na verdade, uma coisa não exclui a outra. 

Muitos pais tentam realizar os próprios sonhos e ideais através dos filhos. Como é que funciona isso? Descobrimos que somos diferentes e iguais, à medida que olhamos pra fora. E pra dentro. E pra fora. E pra dentro. E pra fora. E pra dentro... Infinitamente descobrindo Quem Eu Sou, a partir de Quem Nós Somos ou não...

Camila Sousa de Almeida

sábado, 28 de janeiro de 2012

Indo Ou Vindo


 
Ao telefone, escutei alguém próximo também a falar: “tá me ouvindo?”. Segui-o, repetindo a frase que já tenho costume de pronunciar; identificando naquele instante o quanto somos parecidos com pessoas que nem sabemos que existem... 

A falha na comunicação é comum e está além dos problemas nos aparelhos eletrônicos; todos estamos precisando ser ouvidos e ouvir, além de escutar. Eu, alguém próximo, o(s) outro(s) do)s) outro(s) lado(s), o qual me certifico se está a me ouvir... 

“Estou te ouvindo” não precisa ser mais ouvido do que o silêncio de quem está realmente ouvindo... Fiquei a pensar...

Camila Sousa de Almeida


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A verdadeira verdade


No mundo muita coisa acontece por causa da "verdade". Ou da perseguição a ela. Ou da perseguição às pessoas, por causa dela. Muitos têm a pretensão de possuí-la ou conhecê-la; enquanto outros não acreditam nem em si mesmos, buscando apenas fazer-se acreditar. Porque qualquer coisa se torna “verdade” se alguém acredita. 

Guerras se travam entre possuidores de “verdades” que tornam o outro lado errado... “A sua verdade não é verdade; a verdadeira verdade é a minha”. Relacionamentos se complicam e até se arruinam pela disputa de quem está ou ficará com ela; aquela que às vezes é mais cobiçada do que os filhos numa eventual separação...

Na verdade, ninguém conhece a verdade. Nem mesmo sobre si mesmo – “verdade” provada pela existência da sua mente inconsciente. Se for verdadeiro consigo mesmo, você poderá notar que a “verdade” que você pode verdadeiramente descobrir é que a verdade é dividida. Em partes, como um elefante... Tromba, barriga, patas... E todo o restante. 

Camila Sousa de Almeida


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