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Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)

sábado, 31 de julho de 2010

A Natureza das Coisas




Se avexe não
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa
Se avexe não
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá
Se avexe não
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavandeira
Pra ir mais alto vai ter que suar

Composição: Acioli Neto


 

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Enxergando o invisível


Aquele velho ditado que ouvimos tantas vezes “as aparências enganam” tem uma abrangência que nem sempre observamos. Falo de atitudes, comportamentos e falas que explicitamente se mostram ser o que no fundo não são. Aparência essa que muitas vezes engana o próprio dono, além dos vários desatentos, que julgam muito do pouco que sabem. 

Com certeza você conhece alguém que “se acha” ou, como ele mesmo diria, “não se acha, tem certeza!”. Esse é um tipo de atitude que desperta repulsa em muitas pessoas, por estas acharem que o indivíduo em questão se acha superior aos outros. Mas não se enganem, quando alguém demonstra se valorizar tanto assim, geralmente (e não certamente – porque eu acho, não tenho certeza) é exatamente o oposto: sente-se inferior. O excesso de auto-estima é expresso na tentativa de compensar o que sente, inconsciente ou conscientemente, e não deixar ninguém descobrir. 

Outro exemplo é a agressividade. Seja momentânea, reativa ou característica constante de uma personalidade, ela pode ser o esforço para lidar com uma fragilidade. Seja uma carência de afeto, um medo ou uma dor grande que se quer parar de sentir... As pessoas reagem diferente aos mesmos estímulos, e a forma que muitas encontram para lidar com algumas de suas fragilidades é a agressão. 

Nos tempos das cavernas o ser humano aprendeu duas formas de se defender: lutar ou correr. Se você se encontra numa situação em que alguém luta com você, mesmo que você não saiba que está atacando (porque talvez não esteja), experimente olhar diferente este lutador. Veja um provável sofre-dor. E quem sofre precisa do que? Carinho, compreensão, não concorda?! Se você não reage igual, você torna impossível a situação permanecer igual. Não reagir é uma forma de agir. Calar é uma forma de compreender. Não fazer nada é também fazer algo por alguém.
Quando você atenta para o fato de que aqueles que menos parecem merecer o seu amor talvez sejam os que mais precisam, você está enxergando o essencial, o invisível aos olhos...  
Camila Sousa de Almeida

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Experimentando a chuva


Antes de começar a ler, você pode entrar neste site e desfrutar do som da chuva durante a leitura: http://www.rainymood.com/
Foto: Camila Sousa

Quando chove lá fora, pode prestar atenção, talvez seja um convite para chover aí dentro também... Pois se não é a chuva um transbordar, consequência da transformação e causa de fecundidade por aí... A água limpa o ar, acalma o fogo e fortalece a terra. Enche e solta para equilibrar.
Fenômeno-convite ao deleite dos sentidos, você pode desfrutá-la com o tato, com o olfato, com a audição, com a visão, ou simplesmente percebendo que a chuva, independente do tempo, está aí dentro. Você pode perceber suas próprias gotas a cair...
Não dá para cheirar só a chuva, mas dá para sentir o cheiro de outras coisas que, somado à chuva, cheira de um modo especial. Ela é aquela que intensifica nossa percepção do que a seco não percebíamos tanto. E observe bem que o que ouvimos são os sons do contato, e não das gotas em si. É da gota quando encontra algo... Os diferentes tipos de sons, mais fortes ou mais fracos, dependem do caminho por onde a gota passa... Até chegar ao seu (temporariamente) último destino, para novamente se reunir e tornar-se mais do que si.
Chover é um ato de renovar-se. 


Camila Sousa de Almeida

Começa com você


http://www.youtube.com/watch?v=Na58ssHw6jA

sábado, 10 de julho de 2010

Cinco razões para você entrar em contato com a natureza


Quem ainda precisava de argumentos para adotar um estilo de vida mais natural acaba de ganhar uma lista deles. São cinco tópicos listados pela Universidade de Harvard para convencer as pessoas que passar mais tempo em contato com a natureza faz bem para o corpo e para a mente.

As informações foram publicadas na Harvard Health Letter do mês de julho e mostram que, mesmo com tantas vantagens em conviver com a natureza, os americanos passam 90% de suas vidas em ambientes fechados.

A revista lembra que diversos estudos já comprovaram os benefícios para a saúde física e mental que o contato com o meio ambiente pode proporcionar e listou alguns deles. Confira:

1 – Elevação dos níveis de vitamina D

Chamada de “vitamina do sol”, essa substância é produzida a partir do contato dos raios solares com a pele e promove a absorção de cálcio pelo organismo. Além da importância na manutenção dos níveis do cálcio no sangue e na saúde dos ossos, a vitamina D tem um papel muito importante na maioria das funções metabólicas e também nas funções musculares, cardíacas e neurológicas.

Estudos epidemiológicos sugerem que a vitamina D pode ter efeitos protetores contra diversas doenças, desde a osteoporose ao câncer, passando pela depressão, ataques cardíacos e derrames. Já a deficiência da vitamina pode precipitar e aumentar a osteoporose em adultos e causar raquitismo, uma avitaminose, em crianças.

A boa notícia é que para produzir a vitamina D no seu organismo, você só precisa ficar ao ar livre algumas vezes por semana, de preferência nos horários em que sol está mais fraco, e expor seus braços e pernas por 10 a 15 minutos.

2 – Mais exercício

É verdade que muita gente consegue se exercitar sem sair de casa, ou ainda em academias e clubes de ginástica totalmente cobertos. Também tem muita gente que consegue passar horas em contato com a natureza sem mexer um músculo – basta ir a uma praia para perceber. Ainda assim, os ambientes fechados costumam ser um convite ao sedentarismo, enquanto um parque repleto de árvores costuma dar um novo ânimo a uma caminhada.

Um estudo feito por pesquisadores britânicos com crianças que passavam cerca de seis horas por dia utilizando equipamentos eletrônicos (como TV´s e videogames) mostrou que elas eram duplamente ativas quando estavam ao ar livre. Portanto, se você quer se exercitar, um bom começo é sair de casa. Pode ser uma corrida na orla, um passeio de bicicleta no parque ou até uma limpeza no quintal, o que importa é colocar o corpo em movimento junto à natureza.

3 – Maior concentração

O escritor americano e autor do livro Last Child in the Woods, Richard Louv, utilizou o termo “transtorno de déficit de natureza” em seu último trabalho. E ele não é o único a acreditar que a falta de contato com o meio ambiente agrava problemas como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Pesquisadores tem relatado que crianças costumam se concentrar melhor após passarem um período ao ar livre.

Um estudo publicado em 2008 mostrou que crianças diagnosticadas com TDAH obtiveram melhor pontuação em testes de concentração após caminharem em um parque, em comparação com outras que caminharam em um bairro residencial e no centro da cidade.

Apesar de não serem conclusivas em relação aos adultos, as pesquisas sugerem que o contato com a natureza pode ser uma aliada aos homens e mulheres que querem uma melhor concentração. Não custa tentar.

4 – Menor tempo de cicatrização e cura

Uma pesquisa realizada na Universidade de Pittsburgh em 2005 mostra que pacientes expostos a luz natural sentiam menos dores e sofriam de menos estresse, além de precisarem de uma menor quantidade de medicamentos durante o período de recuperação.

Outro estudo aponta que até a vista das janelas dos quartos de hospitais que exibiam árvores, em vez de muros, faziam a diferença durante a recuperação dos doentes. Os dados científicos apenas reforçam o velho conselho que diz que “tomar um ar fresco” faz bem para a saúde.

5 – Mais felicidade

Estudos mostram que a luz do sol tende a elevar o humor das pessoas, enquanto a prática de exercícios físicos libera endorfina, despertando uma sensação de relaxamento, euforia e bem-estar. Combinar as duas práticas em um ambiente ao ar livre certamente fará bem a qualquer um.

Pesquisadores da Universidade de Essex, na Inglaterra, estão realizando um estudo que aponta que praticar exercício em meio à natureza traz vantagens significativas para a saúde mental. A pesquisa aponta que os “exercícios verdes”, como estão sendo chamados, mostram resultados benéficos na auto-estima e no humor com apenas cinco minutos de prática.

Cuidados

Apesar de todas essas vantagens, é sempre bom lembrar alguns cuidados básicos que devem ser tomados durante esses momentos de atividades ao ar livre. Uso de protetor solar e de repelentes contra insetos, além de atenção à qualidade do ar no local da diversão são alguns deles.

Depois de tomar esses cuidados, basta calçar um tênis e procurar uma área arborizada próxima a sua casa. Agora você já tem razões de sobra para entrar em contato com a natureza.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Transforma-dor. Esse é o verdadeiro artista.


"Pés, para que os quero se tenho asas para voar?"

Frida Kahlo

(Do diário de Frida, quando teve a perna direita amputada)

Descobrindo...


"Você tem poderes que você nunca sonhou. Você pode fazer coisas que você nunca pensou que poderia fazer. Não há limites no que você pode fazer, exceto as limitações de sua própria mente."

Darwin P. Kingsley

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Nossa artística mente


Diante de tantas definições de arte, podemos convergi-las no ponto comum da expressão humana – algo de dentro para fora. O ser humano se expressa constantemente, assim como respira, propositadamente ou mesmo sem querer. Algumas artes são denominadas oficialmente como tal e, através delas, o ser humano expressa-se sob conceitos estéticos e técnicas das mais diversas. Mas seria a arte algo tão restrito a alguns nomes, sendo o humano tão vasto? 

Intrinsecamente criativo, o ser humano é capaz de inovar e embelezar até simples atos do dia-a-dia, como um candidato do programa Ídolos, que mesmo não sendo aprovado por nenhum dos jurados, não diminuiu sua luz e simpatia. Não seria essa capacidade de mostrar-se e influenciar positivamente os outros uma arte?! Quão expressivo é iluminar, como o sol, revelando sua natureza em todo seu esplendor...
Podemos colocar a arte também como o ato de mostrar-se, simbolicamente ou indiretamente. Portanto, até mesmo mecanismos de defesa psicológicos podem ser assim considerados. E nisso, a sua mente inconsciente é genial! Hábil em alterar seus conteúdos internos para expô-los de outras formas, esteticamente mais apreciável, só para te proteger. Prova de que você já é, inconscientemente, um artista nato! Além de singular, como se propõe que seja uma obra-de-arte. Cada ator contaria uma mesma piada de um jeito, mesmo com a mesma intenção. É a arte de ser único, de ser humano, que permite chegar ao mesmo destino por diferentes caminhos.
É certo que sensibilidade é requisito para a arte, porque expressamos o que nos afeta. E quantos não são os afetos que temos na vida... Pessoalmente, considero arte tudo o que faço com paixão, com amor, me tornando amadora de diversas delas – nomeadas ou não. Talvez amar seja a maior arte de todas: aquela que lhe permite sensibilizar-se com o que está lá fora e querer agir sobre isso. 

Ser uma terapeuta ericksoniana significa aprender e exercitar a alegre arte de se deixar afetar pelo que é importante para o outro, e criativamente transformar isso em algo mais bonito, que faça sentido para ele e lhe desperte sensações, emoções e idéias renovadoras – tal como um desenho feito a partir de uma foto, que altera a imagem em alguns detalhes, sem deixar de representar a mesma pessoa. Artisticamente transformamos algo feio ou incômodo em algo belo e apreciável, como um poema de Augusto dos Anjos ou uma situação difícil que na terapia – ou sabiamente na vida – se transforma em aprendizado que ajudou a amadurecer.
Busco a arte como uma forma de viver: transformar as formas para formar algo melhor, dentro e fora de mim. E se amar é uma arte, ser amadora é uma profissão.
Camila Sousa de Almeida
 Obs: Foto tirada por mim, durante um workshop ericksoniano. :)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Musical mente


Encantos da música
Novas pesquisas explicam o poder dos sons sobre o que sentimos e os benefícios para o bem-estar físico e mental; entre seus efeitos estão o favorecimento da coesão social e de conexões empáticas entre os membros de um grupo
por KAREN SCHROCK

[...]
Cientistas já concluíram que a influência da música pode ser um evento casual, que surge de sua capacidade de mobilizar sistemas do cérebro que foram constituídos com outros objetivos – como dar conta da linguagem, da emoção e do movimento. Em seu livro Como a mente funciona (Companhia das Letras, 1998), o psicólogo Steven Pinker, da Universidade Harvard, compara a música a uma “guloseima auditiva”, feita para “pinicar” áreas cerebrais envolvidas em funções importantes. Mas, como resultado desse acaso, os sons harmoniosos oferecem um novo sistema de comunicação, com base mais em percepções sutis que em significados. Pesquisas recentes mostram, por exemplo, que a música conduz certas emoções de forma consistente: o que sentimos ao ouvir algumas canções e melodias é bastante similar ao que todas as outras pessoas na mesma sala sentem.
Evidências também indicam que a música faz aflorar respostas previsíveis em pessoas de culturas diversas, com capacidades intelectuais e sensoriais variadas. Até mesmo recém-nascidos e adultos com cognição prejudicada apreciam a musicalidade. “A música parece ser a forma mais direta de comunicação emocional, uma parte importante da vida humana, como a linguagem e os gestos”, afirma o neurologista Oliver Sacks, da Universidade Colúmbia, autor de Alucinações musicais – Relatos sobre a música e o cérebro (Companhia das Letras, 2007) e Musicofilia (Relógio D’água, 2008). Tais comunicações fornecem um meio para as pessoas se conectar emocionalmente e, assim, reforçar os vínculos que são a base da formação das sociedades humanas – o que certamente favorece a sobrevivência. Ritmos podem facilitar interações sociais, como marchar ou dançar juntos, solidificando relações. Além disso, os tons nos afetam individualmente manipulando nosso humor e, até mesmo, a psicologia humana de forma mais efetiva do que palavras – para excitar, energizar, acalmar ou promover a boa forma física.
[...] Recentemente, em um experimento bastante interessante, o pesquisador Roberto Bresin e seus colegas, do Instituto Real de Tecnologia, em Estocolmo, na Suécia, confirmaram a ideia de que a música é uma linguagem universal. Em vez de pedir aos voluntários para fazer julgamentos subjetivos sobre uma canção, solicitaram que manipulassem a música – em particular seu tempo, volume e frases – para enfatizar uma dada emoção. Para as peças alegres, por exemplo, o participante deveria ajustar a escala, de forma que soasse o mais feliz possível; depois, o mais triste, assustadora, tranquilizadora e por fim, neutra. Os cientistas descobriram que todos os voluntários – especialistas em música e, em outro estudo similar, crianças de 7 anos – alteravam da mesma forma o tempo, para arrancar de cada música a emoção pretendida. Essa descoberta, que Bresin apresentou em 2008 na III Conferência de Neuromúsica em Montreal, no Canadá, dá a ideia de que a música contém informações que deflagram resposta emocional específica no cérebro, independentemente da personalidade, gosto ou treinamento. Ou seja: a música pode de fato constituir uma forma única de comunicação.
A capacidade que a música tem de conduzir sentimentos pode ser a base de um dos seus maiores benefícios. Na maioria das culturas, cantar, tocar, dançar e acompanhar as apresentações é quase sempre um evento comunitário. Mesmo em sociedades ocidentais que, de maneira única, diferenciam os músicos dos ouvintes, as pessoas entoam hinos em rituais religiosos, dançam em festas e boates, embalam os filhos ao som de cantigas de ninar, participam de corais e desde cedo as crianças aprendem a cantarolar Parabéns a você nos aniversários. A popularidade de tais rituais sugere que a música confere coesão social, talvez por criar conexões empáticas entre os membros de um grupo.

Estudos mostram também que quando as pessoas ouvem música, as regiões motoras do cérebro se ativam – provavelmente com o propósito de processar o ritmo. Esse processo inclui regiões pré-motoras, que preparam uma pessoa para a ação, e o cerebelo, que coordena o movimento físico. Alguns pesquisadores acreditam que parte do poder musical é resultado de sua tendência a sincronizar e ecoar nossas ações. “Com os equipamentos disponíveis hoje já é possível enxergar como ritmo e ação ressoam no sistema nervoso; todo som é produzido por movimento, quando você ouve qualquer som algo está sendo movido”, diz o neuropsicólogo Robert Zatorre, da Universidade McGill. De fato, há um passo muito pequeno entre o andar, o respirar e as batidas do coração – sons ritmados naturais, não intrinsecamente musicais – e manter propositalmente um intervalo ou caminhar na mesma velocidade que outra pessoa. “Quando escutamos um padrão, inconscientemente organizamos os músculos para reproduzi-lo. Dessa maneira, o ritmo também pode funcionar como uma ‘cola social’ que favorece a ligação física”, afirma Zatorre.
[...] A base de nossas impressões conscientes a respeito de um tom são os efeitos fisiológicos. Estudos mostram que a música alegre, tensa ou empolgante pode excitar fisicamente o ouvinte, desencadeando resposta de luta e fuga: as taxas cardíacas e respiratórias aumentam, a pessoa pode suar e a adrenalina penetra na corrente sanguínea. Esse efeito explica por que tantas pessoas gostam de ouvir rock ou hip-hop enquanto fazem ginástica – a música instiga respostas do sistema fisiológico para a execução de movimentos de alta energia. O efeito psicológico também é importante: a distração torna o exercício mais divertido. De forma geral, melodias energizantes tendem a melhorar o humor, nos deixando mais despertos quando estamos cansados e criando sensação de empolgação.
Por outro lado, a música pode acalmar, reduzindo os níveis do hormônio do estresse, o cortisol, na corrente sanguínea, baixando as taxas cardíacas e respiratórias e aliviando a dor. Um exemplo clássico de redução de ansiedade: uma mãe acalentando seu bebê com uma canção. Estudos clínicos também revelam que a música é uma poderosa ferramenta para relaxar os pacientes que sofrerão uma cirurgia, ajuda a controlar a dores e a amenizar a agitação de crianças e pessoas com demência. Em 2000, a enfermeira Linda A. Gerdner, pesquisadora de temas ligados a gerontologia na Universidade do Arkansas para Ciências Médicas, apresentou a 39 pacientes severamente atingidos pelo Alzheimer a música de que gostavam, duas vezes por semana, durante um mês e meio. A canção favorita reduziu os níveis de agitação dos pacientes durante e após a sessão muito mais que as clássicas músicas de relaxamento. Neurocientistas também constataram que ouvir uma música muito apreciada pode reduzir a dor – e esse efeito analgésico persiste por algum tempo quando a música para. E, claro, intuitivamente, as pessoas se automedicam com música o tempo todo. É comum que as pessoas as usem com o propósito de melhorar ou alterar o estado emocional. [...]
Outros pesquisadores discutem que a música tem origens independentes porque a capacidade de apreciá-la parece já estar definida no nascimento. Vários estudos mostram que muitos bebês prestam rapidamente atenção a canções e parecem preferi-las à fala. Em trabalhos publicados em julho de 2008 na Nature Precedings, as neurocientistas Maria Cristina Saccuman e Daniela Perani, da Universidade Vita-Salute San Raffaele, na Itália, mostraram que a música ativa regiões no cérebro de recém-nascidos de forma semelhante ao que acontece com ouvintes de outras idades. Elas usaram ressonância magnética funcional (RMf) para ver como o cérebro de crianças com 3 dias de vida respondia a música clássica e encontraram um padrão que espelhava o processamento em adultos: o sistema auditivo do hemisfério direito dos pequenos respondia mais fortemente que o esquerdo. Os pesquisadores também alteraram a música, cortando uma parte da peça e pulando para outra nota ou tocando todo o segmento só com batidas. As passagens mais estridentes ativavam o córtex inferior frontal esquerdo dos recém-nascidos, uma área implicada no processamento da sintaxe musical em adultos, e o sistema límbico, responsável pelas respostas emocionais –assim como ocorre nas pessoas mais velhas, o que levou a uma conclusão: o cérebro parece nascer pronto para processar música.

Acredita-se que essa prontidão inata esteja ligada à forma melódica peculiar que adultos usam para falar com bebês. A adoção universal desse recurso levou alguns especialistas a especular que esse pode constituir um momento inicial original tanto para música quanto para linguagem. Especialistas como o arqueólogo cognitivo Steven Mithen, da Universidade de Reading, na Inglaterra, teorizam que a linguagem e a música evoluíram a partir de uma protolinguagem musical usada por nossos ancestrais. Estruturas de cordas vocais de neandertais e outros hominídeos extintos sugerem que eles poderiam cantar. E eles certamente tocavam instrumentos, pois pesquisadores recuperaram flautas pré-históricas feitas de ossos. Talvez nunca saibamos por que a música existe. Ainda assim podemos usá-la para nos animar ou acalmar, amenizar dores e ansiedade ou formar vínculos. Como escreveu Sacks, talvez a música seja o que temos mais próximo da telepatia.
Trechos de reportagem da Revista Mente e Cérebro
Edição 209 - Junho 2010
Na íntegra: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/encantos_da_musica.html

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Coisa de doido


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Ainda hoje é comum pensarem que psicólogo é “coisa de doido”, ainda mais psiquiatra. Muitas vezes também um é confundido com o outro ou até mesmo igualados em suas funções. Na verdade, são profissões que se complementam, mas bastante diferenciadas em suas formações: o psicólogo é graduado em Psicologia e quando se dedica à área Clínica chama-se psicoterapeuta; o psiquiatra estuda Medicina e se especializa no ramo da Psiquiatria, que trata de transtornos considerados mentais.

Na prática, ambos tratam os mesmos tipos de dificuldades – psicológicas, mentais, emocionais, comportamentais – só que, enquanto o tratamento psiquiátrico é feito basicamente através de medicação, o psicoterapêutico se dá através de técnicas expressivas (verbais e não-verbais). Apesar desta afirmação, é importante deixar claro que nem todas as dificuldades que o psicólogo trata, o psiquiatra pode ou precisa tratar também. Os remédios psiquiátricos, que agem nas funções cerebrais, são aliados em diversas situações, mas são dispensáveis em muitos casos. Um bom médico psiquiatra observa bem a necessidade de empregar ou não este tipo de terapia; aqueles que reconhecem um paciente que não precisa de remédios e diz isso a ele, considero um competente profissional. Assim como o psicólogo que sabe reconhecer a necessidade de encaminhar para acompanhamento psiquiátrico, o que feito adequadamente só contribuirá para que o indivíduo desenvolva maior qualidade de vida de uma forma mais ampla.

Muitos transtornos necessitam de uma associação de psicoterapia e remédios. E não, não só toma remédio psiquiátrico quem é “doido”. Aliás, o que é doido para você? Para mim é este mundo, ou quem quer que o considere normal. Nesse contexto, o desconforto muitas vezes é sinal de pura sanidade. E isso fica bastante claro em casos de crianças e adolescentes que chegam à terapia. Geralmente, estes pequenos que “causam” problemas são aqueles que demonstram escancaradamente que algo está acontecendo dentro de seu sistema familiar ou na escola, por exemplo. Não raro, os pais é que precisam trabalhar-se, mais do que estes filhos.

Não quero com isso dizer que é bom sofrer, mas que cumprida a missão do sintoma, ele não precisa mais existir. A dor ao caminhar pode acabar quando tiramos o sapato, descobrimos a pedra e a retiramos.

E você que não é doido de acostumar-se com o desconfortável, o psicólogo pode te ajudar, se você for capaz de cometer a loucura de assumir que não consegue fazer tudo sozinho. Muitas pessoas sofrem achando que são assim mesmo, que é o seu jeito de ser, ou o jeito de ser do seu filho, que sempre foi assim... Até que um dia você descobre que como você ou como seu filho existem outros, que superaram tudo isso e muito mais, simplesmente pedindo ajuda...

Camila Sousa de Almeida
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