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Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Entend eu?




Quando pequenos aprendemos a usar lápis para desenhar, rabiscar, antes de aprender a escrever. E o que é escrever senão desenhar formas que formam letras? E seguindo os riscos de linhas no papel se formam palavras inteiras... frases, textos, histórias e vidas. 

Com vários pontos finais que não as terminam, vamos continuando com inícios de letras grandes, enquanto as pausas explicam o que certas formas não poderiam ditar. É preciso respirar para continuar. 

E o que continua pede espaço, pede buracos e vazios para ter conteúdo. É você que torna uma palavra, que é um simples desenho quase igual a outros iguais, uma forma única, porque só você a coloca onde só você a consegue colocar: no meio de outras, criadas por tua mente e tuas mãos que escrevem e desenham sons no ar quando escritos com a língua de falar. 

As mãos que escrevem também esculpem formas sem fôrmas, preenchendo com seu próprio pensamento o interior de um vaso, que é algo em que outras coisas se pode colocar. 

Palavras são vasos. Você preenche. Você esvazia. Você carrega, ou entrega, e dá. A utilidade que cabe nela cabe a ti colocar. 

“Mundo” se faz com apenas 5 elementos, cinco que cabem exatamente na sua mão, onde se põe lápis e objetos de criação. Crie então, desenhando e inventando todas as formas de mundos que podem nascer da imaginação. Alterne retas e curvas, não fique parado nos acentos, porque o tom da sua vida pode ter, nos desenhos que formam você, o som da batida feliz de um coração.

Camila Sousa de Almeida

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A história do pato


Dois irmãos visitavam seus avós no sítio, nas férias. Felipe, o menino, ganhou um estilingue para brincar no mato. Praticava sempre, mas nunca conseguia acertar o alvo.

Certa tarde viu o pato de estimação da vovó. Em um impulso atirou e acabou acertando o pato na cabeça e o matou. Ele ficou chocado e triste.

Entrou em pânico e escondeu o pato morto no meio da madeira! Beatriz, a sua irmã, viu tudo mas não disse nada aos avós.

Após o almoço do dia seguinte, a avó disse: "Beatriz, vamos lavar a louça". Mas ela disse: "Vovó, o Filipe me disse que queria ajudar na cozinha". E olhando para ele sussurrou: "Lembra do pato?" Então o Felipe lavou os pratos.

Mais tarde o vovô perguntou se as crianças queriam pescar e a vovó disse: "Desculpe, mas eu preciso que a Beatriz me ajude a fazer o jantar." Beatriz apenas sorriu e disse, "Está bem, mas o Filipe me disse que queria ajudar hoje", e sussurrou novamente para ele, "Lembra do pato?". Então a Beatriz foi pescar e Filipe ficou para ajudar.

Após vários dias o Filipe sempre ficava fazendo o trabalho da Beatriz até que ele, finalmente não agüentando mais, confessou para a avó que tinha matado o pato.

A vovó o abraçou e disse: "Querido, eu sei... eu estava na janela e vi tudo, mas porque eu te amo, eu te perdoei. Eu só estava me perguntando quanto tempo você iria deixar a Beatriz fazer você de escravo!".

Autor desconhecido

domingo, 8 de maio de 2011

Dê a luz!


De vez em quando é bom cobrar-se arrumar o quarto.  Cozinhar para si mesm@, negociar o que vai comer de saudável antes da sobremesa. Estar atent@ às pessoas com quem se faz amizade ou se fala na rua, ao mesmo tempo em que se incentiva a socializar. 

É bom saber a hora de brincar e de ser séri@, saber dar e reconhecer limites. Equilibrar o tempo de trabalho, com um tempo para os próprios cuidados, para o lazer, regando a auto-estima com atenção e carinho. 

É preciso priorizar as urgências sem deixar de manter os compromissos. Buscar as melhores respostas para as constantes perguntas. Revisitar a infância, aprendendo de novo seu dinamismo e sabedoria.

É muito bom dar-se um banho bem dado, tomar um chazinho quente, e saber passar a noite em claro fazendo algo importante, mesmo que o corpo queira estar dormindo. 

É necessário disciplinar-se e ter dentro da rotina flexível um tempo para exercícios físicos. Ensinando o corpo, a mente também aprende; pois a vida é lúdica. 

Por esses e tantos outros motivos, eu recomendo: seja mãe de si mesm@.
Camila Sousa de Almeida


A prende





A criança tem o dom de saber ser feliz. Nasce com a pureza de quem não sabe o significado de nada, mas a maturidade de quem sabe sentir a alegria e o prazer de corpo e alma

Por agir inocentemente, expressando seu carinho da forma como pedem seus sentimentos e instintos, ela é capaz de dar um beijo na boca do(a) coleguinha e aquilo ser a forma de amar mais pura do mundo! Mas aí vêm os adultos e condenam sua liberdade

Para um adulto, aquilo é uma coisa; para a criança, é outra. E como ela vai entender por que uma coisa tão, mas tão maravilhosa, recebe um grande e incompreensível NÃO?! Ela fica confusa... Não se deve sentir prazer? Não se deve expressar carinho? Não se deve amar? O que é bom é ruim? Nossa... Como entender esse mundo tão complexo?!

Várias investidas condenadas de compartilhar sua alegria de viver vão podando o seu modo de vida; a criança passa a reprimir-se fortemente (agora já por si mesma) em busca da aceitação alheia. Esconde o que realmente quer, acumula dentro de si o que só pode ser seu (isso foi o que lhe ensinaram); e como é grande a sua capacidade de aprender, ela passa a contentar-se com migalhas. 

A criança vai se tornando adulto... E quando o adulto aprende a ser criança, ele reaprende a ser feliz! Felizmente, isso acontece. 

Camila Sousa de Almeida

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Maternidade provoca mudanças estruturais no cérebro

Com o nascimento do bebê ocorre expansão de áreas relacionadas ao aprendizado e ao planejamento

Fêmeas de várias espécies passam por mudanças estruturais no cérebro quando seus filhotes nascem. Cientistas sabem que as alterações estão relacionadas à criação de vínculos com os recém-nascidos – um recurso da natureza para garantir mães protetoras que cuidam dos filhotes.

Esse processo vem sendo estudado também em humanos. A neurocientista Pilyoung Kim, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, junto com pesquisadores da Universidade Yale e da Universidade de Michigan produziram mapas detalhados do cérebro de 19 mulheres poucas semanas depois de elas terem dado à luz. Em paralelo, os pesquisadores pediram às mães que escolhessem palavras de uma lista de reforços positivos como “lindo”, “perfeito” e “especial” para descrever como se sentiam em relação aos seus filhos e à experiência de cuidar deles.

O mapeamento cerebral foi repetido três meses depois. Como previsto, algumas áreas, incluindo hipotálamo, amígdala e substância negra (regiões que, segundo alguns estudos, estão associadas à preocupação, ao aprendizado e à formação de sentimentos positivos relacionados aos recém-nascidos) haviam se expandido. Também foi verificado um aumento do córtex pré-frontal, ligado ao planejamento e à capacidade de tomar decisões. Além disso, observou-se uma maior expansão cerebral em mães que tinham escolhido mais palavras positivas para descrever suas impressões sobre a maternidade.

Os pesquisadores ainda não sabem se é o crescimento do cérebro que provoca mudanças de sentimentos ou o contrário. Os resultados, porém, indicam que pela primeira vez foi detectada uma relação entre sensações subjetivas das mães e alterações físicas cerebrais. Cientistas planejam realizar novos estudos para investigar o fenômeno, analisando se há alterações cerebrais também nos homens que se tornam pais.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/maternidade_provoca_mudancas_estruturais_no_cerebro.html


E eu me pergunto: se uma experiência extraordinária pode mudar até a sua estrutura física, o que, no seu mundo subjetivo, você não poderia mudar?!
Camila Sousa de Almeida

terça-feira, 3 de maio de 2011

De repente(?)

A morte é um fato que chega às vezes de repente, como um tapa na cara em quem vive correndo para um lado e para o outro sem tempo de enxergar a vida desesperada por atenção. Ela pode lhe aparecer repentinamente, mas não ter acontecido de repente para aquele que se foi, até porque foi com intenção. Quem se mata, faz isso aos poucos... 

E de muitas formas: afastando-se dos outros; comendo muito, precariamente ou pouco; dormindo demais... Absurdamente estando sempre sorridente, dizendo “bem, e você?!”; bebendo “só nos”, mas em TODOS os finais de semana; fumando pra relaxar; sempre obedecendo ou nunca questionando; querendo ser sempre o primeiro a chegar (mesmo que não seja corrida)... Nunca tendo namorado(a) ou “conhecendo” um(a) pretendente em todo lugar... Não praticando nenhuma atividade física; guardando raiva e dizendo, pelo corpo doente, o que a boca não diz... Vivendo na frente da TV ou do computador, dependente da internet ou de sensações quimicamente provocadas; trabalhando trabalhando trabalhando sem descansar... 

São tantas as nossas ações cotidianas sutilmente destrutivas, que parece que todos nós estamos constantemente nos matando. Mas quem pensa seriamente nisso, sempre dá sinais. Você presta atenção de verdade nos seus amigos? Na sua família? Nos seus colegas, naqueles com quem costumar conviver, conversar? Você só fala ou também ouve? Quer realmente saber, ou só deixar a pessoa (a vida) passar?

A morte é inevitável, mas muita coisa não é. 

Camila Sousa de Almeida


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Toc, toc, toc



Tem vezes que ficamos com uma idéia fixa na cabeça. E aquilo parece martelar como um aviso: “faça, faça, faça” porque enquanto não fizer, estaremos aqui com você (os pensamentos, e sua coleguinha, a ansiedade). 

Passei um tempo assim ano passado, com uma espécie de necessidade de escrever e postar algo no meu blog todos os dias. Produzi muito e tive bons resultados. Mas acontece que nem todo pensamento e ação que este incita são benéficos, ou para serem de fato executados. 

Você pode, como eu, ter uma idéia que, colocada em prática, produz algum bem e elimina a sua ansiedade; e pode, compulsivamente, realizar tarefas planejadas obsessivamente, que no final das contas a mantém (a ansiedade), perpetuando o(s) pensamento(s) e a sensação de necessidade daquela ação.

Este padrão parece um círculo fechado, em que não há fim nem começo...  Mas se traçarmos uma linha reta no meio desse círculo ele não continuará sendo um círculo. Torna-se o quê, então? Alguma coisa que não um círculo, simplesmente... E mesmo estando ainda fechado, não será mais o mesmo. 


Pois se tentarmos repetir o desenho com um lápis sobre ele, haverão mais possibilidades de sequências... agora eu vou por aqui ou por ali? Você terá mais opções para escolher... O padrão antigo estará quebrado, e você terá novamente o controle nas mãos.
 
Deu pra entender? Se não, não tem problema... Muita coisa não se entende, mas se faz, ou se resolve, mesmo sem saber como nem porquê... Terapia às vezes é assim. ;)

Camila Sousa de Almeida

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O que significa "no frigir dos ovos"?

Pergunta:

Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"?

Resposta:

Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.

Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo. Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco...

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.

Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda. Entendeu o que significa “no frigir dos ovos”?

Guaraci Neves

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Confesse


Todo ser humano possui um dom primordial: a capacidade de aprender. E sai aprendendo de tudo por aí, mantendo em seus hábitos diários aquilo que a vida lhe ensinou mais vezes, digamos assim...

Como parte do instinto de sobrevivência, aprendemos a engolir, mesmo antes de nascer. Por isso que, às vezes, num cúmulo de absorção daquilo que o ambiente oferece, o feto engole o líquido que envolve e protege seu ser.  

É, aprender o que se deixa entrar e o que deve permanecer do lado de fora é uma tarefa delicada. 

O mundo, do jeito que está hoje, nos incentiva a engolir frequentemente sapos, alimentos com agrotóxicos, choro e pílulas que se espera que façam milagres. Com tanto exercício de deglutição, acabamos por estender esse ato a sentimentos positivos que nos passam os outros, nos contextos que menos necessitam dessa nossa retenção. 

A dificuldade de se expressar livremente às vezes é tanta que não conseguimos (ou não nos permitimos) elogiar. Achamos um amigo bonito, nossa professora fantástica, o jeito que alguém ri ou dança uma graça, mas não falamos nada! Muitas dessas pessoas elogiáveis andam por aí de cabeça baixa, se achando feias, ou absolutamente sem graça; sem saber o quanto as acham divertidas, charmosas e os vários motivos para serem apreciadas. Custa lhes confessar?!

Quando alguém lhe provoca um sorriso, uma sensação boa, um brilho no olhar, é uma oportunidade perfeita para você a mesma coisa a ele/a proporcionar! Ah, confessa, vai...

Camila Sousa de Almeida

domingo, 24 de abril de 2011

Felicidade




Composição : Marcelo Jeneci/Chico César

Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.

Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
Dançar na chuva quando a chuva vem.

Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.

Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
/Dançar na chuva quando a chuva vem./

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Aprendendo “na-tora-mente”, como dizem...


Tragédias, massacres, catástrofes da natureza, a violenta (re)ação se tornando cada vez mais constante no nosso mundo. Seria mero acaso, culpa sempre do próximo ou conseqüências de nossos atos? 

A re-volta verdadeira é nossa ou desses fatos? Quem começou? Procurar culpas e encontrar “os culpados” parece uma tradição diante do inexplicável; um modo de tentar manter-se numa posição confortável: aquela de quem não tem “nada a ver” com o ocorrido e apenas viu pela TV, no noticiário. Mas na TV só passa aquilo que tenha quem assista. Uma pergunta: a violência está fora ou dentro de mim, quando me permito ser diariamente violado?

Assistir é uma forma passiva de participar ativamente. Sim, porque o observador também influi no desenrolar dos fatos observados, fenômeno comprovado por pesquisas científicas. É o subjetivo influenciando o objetivo, não só sendo influenciado. 

Ontem assisti uma reportagem interessante, sobre o que aconteceu depois do assassinato de crianças e adolescentes numa escola, por um homem que, em poucos instantes, interferiu para sempre na vida de muitas famílias. Em retaliação, picharam o muro da casa de seus familiares. Mas voluntários, desconhecidos de tais alvos, pintavam o referido muro de branco, estancando assim a violência, que uma bola de neve gerava. Como esperar o fim levando algo adiante? Alguns se perguntavam...

E na mesma linha de raciocínio sábio, ia uma mãe recolher a mochila da filha morta; além de já ter doado os órgãos da menina, repassaria ainda os livros dela, ainda em bom estado. Mais didática era a atitude da mãe cidadã, do que aqueles objetos a serem doados. Destoando do comum, estava ali a filmagem da dor do vivo, transformada em lindas cores de solidariedade. 

Como num truque de mágica parecia incrível como, algo que costuma levar as pessoas para um movimento interno de mergulho em seus sentimentos, na falta e no vazio que parecem deixar esses momentos, estava levando alguém a olhar justamente para o lado de fora; e querer preencher algo além de si mesma... 

Será que finalmente estamos aprendendo? O exemplo de Gandhi está sendo compreendido? Será que a morte está conseguindo se tornar mais do que corpos caídos nos vãos e impedindo que nossas vidas sigam nocivamente em vão?

Camila Sousa de Almeida

sábado, 9 de abril de 2011

Não Basta


Não basta abrir a janela

Para ver os campos e o rio.

Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
 
Alberto Caeiro

terça-feira, 29 de março de 2011

Congresso Brasileiro de Hipnose

Aviso: O Congresso foi cancelado.

Hipnose no Século XXI: Desafios e Possibilidades

O principal intuito do Congresso é o de favorecer a divulgação e o conhecimento da Hipnose aplicada às áreas de saúde, atingindo tanto o público profissional quanto o estudantil. Conhecer a contribuição dos profissionais psicoterapeutas do Brasil, realizando intercâmbio de idéias, experiências e conhecimento acerca desta área do saber. Apoiar modelos de intervenção mais breves e efeitos no atendimento de um público mais amplo.

 
16, 17 e 18 de Setembro de 2011
Instituto Milton H. Erickson de Belo Horizonte
Rua Conde Linhares, 837 – Cidade Jardim
CEP: 30.380-030 – Belo Horizonte – MG
Fone: (31) 3296-5299 – email: instituto@ericksonbh.com.br
http://www.miltonerickson-bh.psc.br/

quinta-feira, 24 de março de 2011

Aprendendo a lição

 

Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.  

Gibran Khalil Gibran


Fogo de Artifício



Fogo de Artifício

Você já se sentiu
Como um saco plástico
Flutuando pelo vento
Querendo começar de novo?

Você já se sentiu,
Com um papel bem fino
Como um castelo de cartas
A um sopro de desmoronar?

Você já se sentiu
Como se estivesse enterrado ao fundo
Gritando sob seis palmos
Mas ninguém parece ouvir nada?

Você sabe que ainda
Há uma chance para você?
Porque há uma faísca em você

Você só tem
Que acendê-la
E deixá-la brilhar
Apenas domine a noite
Como no dia da independência

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Enquanto você é atirado pelo céu “Ah, ah!”

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Você vai deixá-los dizendo “awe, awe, awe”

Você não tem que se sentir
como um desperdício de espaço
Você é original,
não pode ser substituído

Se você soubesse
o que o futuro guarda
Depois de um furacão
vem um arco-íris

Talvez a razão pela qual
todas as portas estejam fechadas
É que você possa abrir uma que te leve
para a estrada perfeita

Como um relâmpago,
seu coração vai brilhar
E quando chegar a hora, você saberá

Você só tem que
acender a luz
E deixá-la brilhar
Apenas domine a noite
Como o dia da independência

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Enquanto você é atirado pelo céu “Ah, ah!”

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Você vai deixá-los dizendo “awe, awe, awe”

Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua
Sempre esteve dentro de você, você, você
E agora é hora de deixá-lo sair

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Enquanto você é atirado pelo céu “Ah, ah!”

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Você vai deixá-los dizendo “awe, awe, awe”

Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua
Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua

Katy Perry

quarta-feira, 23 de março de 2011

Tocar um braço é tocar uma pessoa


Estava lendo um livro de um terapeuta – muito bom, a propósito – em que ele afirma haver uma necessidade de revelação total d@ paciente (termo utilizado por ele) na psicoterapia. Fui obrigada a discordar. 

Não penso que a terapia seja baseada em necessidade alguma, além da participação voluntária; mas sim que se desenvolve diante de infinitas possibilidades. @ cliente (termo que eu uso, apesar de não ser dos melhores também) procura a terapia para sentir-se melhor e é muito difícil que isso aconteça à força ou sob pressão. Mostrar-se é uma conseqüência da vontade da pessoa em atingir seus objetivos, somada à habilidade d@ terapeuta em deixar a pessoa à vontade o suficiente para isso. Observem que o verbo aqui é DEIXAR e não empurrar. 

E se a aceitação da pessoa é um princípio terapêutico bastante importante, nisso se inclui respeitar seu direito à privacidade. É @ terapeuta quem deve se adaptar ao cliente; que deve ser capaz de trabalhar com o que tem, de fazer o máximo que pode apenas com o que sabe. Porque é impossível saber tudo! Mas, ao mesmo tempo, é possível  mexer com tudo, quando se muda qualquer coisa. Eu não precisaria saber todos os ingredientes que uma sopa tem para mudar seu sabor acrescentando um legume diferente na panela.

É muito bom perceber que não se resolve apenas o que é dito, mas aquilo no que foi mexido. A dança em si se faz em silêncio.

Camila Sousa de Almeida

segunda-feira, 21 de março de 2011

O uso da hipnose na Psicologia

RESOLUÇÃO CFP N.º 013/00 DE 20 DE DEZEMBRO DE 2000


Aprova e regulamenta o uso da
Hipnose como recurso auxiliar de
trabalho do Psicólogo.

 




O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971 e;
 
CONSIDERANDO o valor histórico da utilização da Hipnose como técnica de recurso auxiliar no trabalho do psicólogo e;

CONSIDERANDO as possibilidades técnicas do ponto de vista terapêutico como recurso coadjuvante e;

CONSIDERANDO o avanço da Hipnose, a exemplo da Escola Ericksoniana no campo psicológico, de aplicação prática e de valor científico e;

CONSIDERANDO que a Hipnose é reconhecida na área de saúde, como um recurso técnico capaz de contribuir nas resoluções de problemas físicos e psicológicos e;

CONSIDERANDO ser a Hipnose reconhecida pela Comunidade Científica Internacional e Nacional como campo de formação e prática de psicólogos,

RESOLVE:

Art. 1º – O uso da Hipnose inclui-se como recurso auxiliar de trabalho do psicólogo, quando se fizer necessário, dentro dos padrões éticos, garantidos a segurança e o bem estar da pessoa atendida;

Art. 2º - O psicólogo poderá recorrer a Hipnose, dentro do seu campo de atuação, desde que possa comprovar capacitação adequada, de acordo com o disposto na alínea “a” do artigo 1º do Código de Ética Profissional do Psicólogo.

Art. 3º - É vedado ao psicólogo a utilização da Hipnose como instrumento de mera demonstração fútil ou de caráter sensacionalista ou que crie situações constrangedoras às pessoas que estão se submetendo ao processo hipnótico.

Art. 4° - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5° - Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília (DF), 20 de dezembro de 2000.

ANA MERCÊS BAHIA BOCK
Conselheira-Presidente

sábado, 12 de março de 2011

Se toque!



A pessoa que menos costuma te observar no dia-a-dia é você mesmo, já observou?! Os outros vêem mais suas expressões, seus gestos, escutam suas palavras percebendo mais fácil o tom de voz utilizado e, muito mais frequentemente, vêem o que você está vestindo, o que o espelho lhe mostra pouco e por reduzidos ângulos. Você não costuma ver como anda, como come, como sorri, como chora (ou prende esse choro) e como falam seus olhos até o que você não ousa pronunciar. 

E já que não nos percebemos como os outros percebem, às vezes podemos ouvir alguém nos falar: “se toque!”. Talvez isso anuncie alguma incoerência. Talvez alguma coisa tenha para se reparar. 

Você tem se tocado? Tem buscado comunicar-se com você mesmo? Talvez algumas partes suas, como o seu corpo, estejam carentes de você. Da sua atenção, dos seus cuidados, da sua compreensão. Porque o corpo fala e nos dá sinais o tempo todo, mas nem sempre nos dispomos a ouvir, já que somos nós mesmos ali... Mas nós mesmos somos como os outros: precisamos também ouvir, não só falar. 

É verdade que temos vários sentidos bem elaborados para apreender aquilo que vem de fora, mas temos também a habilidade – e necessidade – de conhecer o que vem do nosso interior. E podemos aprender alguma coisa com isso. Observe que, internamente, você pode ouvir a sua própria respiração. E esse som de lá de dentro só você pode ouvir. 

Mas quando alguém fala, fala, e não é ouvido, faz o que? Às vezes experimenta gritar. E sim, seu corpo também grita, assim como partes da sua mente – em formas de comportamentos incongruentes com seu modo de pensar. É como um filho adolescente: se você não se abre para o diálogo, não tem tempo para ouvir e fazer algo junto; se não se aproximar, ele vai ficar tão distante que vocês vão parecer estranhos e a rebeldia dele não vai ser fácil de controlar. Ele buscará seus meios para, consciente ou inconscientemente, a sua atenção para ele chamar. 

Toque é contato, ato de aproximar. E ninguém pode ficar tão perto de você quanto você mesmo. Portanto, trate de se tocar!

Camila Sousa de Almeida


quinta-feira, 10 de março de 2011

A tensão



De passageira numa moto, avistei à frente do meu caminho uma lombada daquelas feitas de pedras. Logo me preparei para passar por ela, tensionando todo o corpo para que não sentisse tanto incômodo. Mas o motorista achou uma falha e, inesperadamente, passou por um espaço vazio entre as pedras. Assim, nem aconteceu o que eu esperava; e o único incômodo real que tive foi a pré-tensão de ter me preparado. 

Camila Sousa de Almeida
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