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Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Deixe florir


Composição: Adriana Mezzadri

A primavera não é uma estação
É a sua própria mente
A vida não é o corpo não
É a expressão da sua mente

Faça da sua mente uma eterna primavera
Deixe florir sempre sua mente de primavera
Faça da sua mente uma eterna primavera
Faça da vida uma primavera iluminada

Envelhecer não é o avançar da idade
É uma situação, um estado da mente
Viver não é o transcorrer do tempo
É eternizar o tempo

Faça da sua mente uma eterna primavera
Deixe florir sempre sua mente de primavera
Faça da sua mente uma eterna primavera
Faça da vida uma primavera iluminada

Faça da sua mente uma eterna primavera
Deixe florir sempre sua mente de primavera
Faça da sua mente uma eterna primavera
Faça da vida uma primavera iluminada

Primavera... iluminada...

sábado, 9 de julho de 2011

Ressignificando o que está ficando significante

As capacidades humanas são incríveis. Só o ser o humano é capaz de considerar uma habilidade como problema. Uma amiga relatou: “Quando alguém combina algo comigo, eu sempre tenho um plano B. Se a pessoa não vier me buscar na rodoviária, eu pego um táxi até o hotel, penso...”. 

Sua independência e flexibilidade conquistadas com a experiência a tornava menos suscetível a frustrar-se com as impossibilidades alheias; e ela, incrivelmente, acreditava que isso era uma dificuldade (entendia como desconfiança e insegurança). 

Mas que confiança pode ser maior do que confiar em si mesm@?! Na sua própria segurança de ser capaz de encontrar ou criar alternativas?! Desde quando ter mais de uma opção não é melhor do que se contentar com apenas uma? 

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Quando uma coisa for outra, aí podemos pensar nela assim...

Camila Sousa de Almeida

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Kit argumentação


  Hoje em dia uma das frases que mais se ouve falar é “o mundo ta perdido”; e a gente pode escutar isso pelos mais diversos motivos. Alguns comemoram o fato de muitas coisas estarem diferentes; enquanto outros lamentam o que não é mais como antes, como “no seu tempo”. Claramente hoje temos mais liberdade, e isso nos faz ter que conviver com o que discordamos; mas poder falar que não concordamos e escutar que discordam da gente. 

 
  Sobre a atual polêmica do kit gay a ser distribuído nas escolas brasileiras, circula na internet um vídeo feito por um anônimo, dando a sua opinião sobre o assunto. Ouvi e também quis falar. No meu caso, escrevo, porque sei que muitas pessoas que não pensam sozinhas no assunto podem ouvir ou ler os argumentos e a partir disso criar suas próprias opiniões.

 O “mascarado polêmico” começa falando que “o Congresso Brasileiro está perdendo o senso de moralidade”. Penso eu que o Congresso deve servir ao povo e com a palavra povo quero dizer todo e qualquer cidadão. Se moral é um conjunto de normas de conduta consideradas mais ou menos absoluta e universalmente válidas, não depende da própria sociedade a que esta moral se refere, a validação de tais normas? Se existe um grupo em relevante quantidade, com argumentação embasada cientifica e politicamente, que apresenta soluções para um problema social que mantém a injusta desigualdade entre os cidadãos do país, o que teria de moral em ignorá-los?

  Segundo o mascarado, o kit está “pondo o que é absurdo como normal”. Poderia eu fazer o mesmo comentário a respeito das idéias que o vídeo expõe, pois fala como se as crianças pudessem ser educadas para ter alguma orientação sexual específica; como se “ser homem” fosse o contrário de “ser gay”; como se apenas a escola fosse responsável pelo que a criança aprende; como se a distribuição de camisinhas aliada à explicação sobre sexualidade na escola fosse a única variável causadora da iniciação sexual precoce e promiscuidade de meninos e meninas. Será mesmo que as coisas são tão simplistas assim? 

  Ele diz que “a criança que ta na idade escolar ainda não tem caráter pronto, não tem a consciência definida. Se você se utiliza de meios influenciativos na escola, é claro que a criança vai dar ouvido”. Só na escola? Será que a família, os amigos, a mídia não influencia?! Uma criança e principalmente um adolescente não vive só na escola, ela aprende onde ela estiver, e se a escola tem o papel formal de educar ela tem o dever de orientar para os desafios do mundo; e em todo lugar convivemos com pessoas diferentes de nós... Você acha que o “certo” seria a escola dizer que “ser gay” é errado? O que o aluno gay acharia? Ou melhor, como se sentiria? O que aprenderia? Se os Conselhos Federais de Medicina e Psicologia negam a idéia de que a homossexualidade é uma doença, por que a escola lidaria diferente com isso?

   Ele diz que “quem sempre sofreu bullying na escola foi o gordo, o baixinho. E quem na verdade sempre sofreu preconceito foi o preto. E eu não via absolutamente ninguém distribuir um folheto sequer sobre desigualdade racial nesse tempo”. Bem, pelo que sei, a luta contra o bullying e pela igualdade racial existe hoje de muitas formas, e se não existia na escola do mascarado, no tempo dele, eu não considero isso sequer um argumento plausível contra ações pela igualdade, do que quer que seja, atualmente. Se antes não se fazia nada para mudar algo e hoje se faz, que bom! Entro no grupo daqueles que acham bom então as coisas terem mudado...

  O mascarado diz que os políticos não estão interessados em realmente melhorar a educação, pois se estivessem realmente preocupados com isso não faltaria mais merenda nas escolas, entre outras coisas. De fato, é um absurdo este problema. Mas, a título de informação, O Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, conhecido como Merenda Escolar, consiste na transferência de recursos financeiros do Governo Federal, em caráter suplementar, aos estados, Distrito Federal e municípios, para a aquisição de gêneros alimentícios destinados à merenda escolar. Não cabe aos parlamentares a responsabilidade pela falha neste quesito. Além disso, será que não ter um problema resolvido é motivo para não se resolver outro?

  Ele reclama que se você não concorda com a “ideologia GLS” você já é tido como homofóbico. Nesse caso, gostaria de maiores explicações do mascarado, pois desconheço uma “ideologia GLS”... Conheço as orientações sexuais homoafetivas, conheço pessoas da mesma orientação sexual que possuem ideologias diferentes e conheço as reinvindicações do grupo LGBT – que luta pelo respeito aos direitos que todo cidadão tem (ou deve ter), inclusive o mascarado, provavelmente.

  “Eu tenho todo direito de gostar de futebol sem brincar de boneca” o mascarado diz. Com certeza, nada de errado com esta declaração. Mas quem disse que ensinar às crianças que não há nada de errado com o colega que gosta de coisas diferentes é dizer a elas que o que elas gostam ou fazem é errado?! Se a proposta é justamente respeitar as diferenças, porque se tentaria igualizar todos? “Não sou obrigado a por o gay acima de todos” é mais uma declaração inexplicável, pois a proposta é tirá-los de uma condição mais baixa em relação aos outros. O mascarado utiliza o direito constitucional de “igualdade” para dizer que “se vai ter cartilha gay, vai ter que ter cartilha hétero”, mas ele mesmo reclama no início do vídeo das orientações sobre sexualidade que tiveram na escola, na época dele. Aquela era a “cartilha hétero”!

  E para finalizar, e não continuar infinitamente contra-argumentando, gostaria de comentar a acusação de que o governo está “gastando dinheiro público para influenciar teu filho a virar pro outro lado”: quem disse que teu filho é desse lado? Os filhos podem estar de todos os lados... mas ninguém precisa ficar do lado de cima, nem de baixo...

Camila Sousa de Almeida

Carta de real idade


Oi, você não me conhece, mas queria te contar um pedacinho da minha história. Eu tenho seis anos e meus pais estão se separando. E eu acho engraçado que adulto acha que criança não entende nada. Como não entender que as coisas não estão bem se presencio caras feias, discussões e até agressão física em casa? Agora eu, na minha lucidez dos seis anos de idade, posso afirmar que quem não entendia do que se passava comigo eram eles. Eu os amava mais que tudo, a presença dos dois era extremamente importante para mim, me fazia imensamente feliz. Minha mãe com seu jeito tão carinhoso de ser e meu pai com a sua alegria que me encantava... O meu amor por eles era tão grande... E de repente, por não entenderem nada de mim, nada do que sinto, nada do meu amor por eles, começam a me disputar como se quem fosse o ganhador ficaria com todo o amor que havia em mim. E nesse jogo de disputa só tinha uma coisa que eu não entendia: era que tudo não passava de um jogo, ou seja, muitas peças eram mexidas, muitas táticas eram utilizadas para conseguir ser “o grande vencedor”. Para mim, aquilo tudo era real. Quando um dizia “vá, vá ficar com seu pai, você ama mais ele que eu!” ou então “de quem é o seu amor?” e eu respondia “de papai” e ainda não contente perguntava “todinho, todinho, todinho?”, aquilo me cortava por dentro, porque eu amava tanto aquela mulher que não queria perdê-la também, já que o convívio com meu pai já tinha se tornado esporádico devido à separação dos dois; e também não queria perdê-lo mais ainda.  Quando eu ouvia essa frase ou outra que me fizesse achar que estava deixando a minha mãe – aquela mulher que tanto amava – triste e que, por isso podia perdê-la; ou que deixava meu pai bravo porque queria minha mãe, aquilo me dava desespero. E o pior, o que “os machucava” era o amor que eu sentia pelos dois. Como pode isso? Eu não conseguia lidar com isso, não conseguia arrancar de mim e nem queria também, porque o que sentia pelos dois era grande demais. Eu me senti só, com tudo aquilo dentro de mim, e sem saber o que fazer. O que me restava era chorar, até que aprendi a ceder, a fazer a vontade dos dois; ora de um, ora do outro. Era ser uma quando estava com minha mãe e ser outra quando estava com meu pai. Era me dividir em duas para não perder os dois. Mas uma pessoa partida em duas é uma pessoa morta. Pois era isso mesmo que acontecia comigo, ia morrendo aos pouquinhos sempre que omitia o meu amor por eles, já que, na minha cabecinha, admitir isso os “machucaria” e eu poderia perdê-los. Passei a fazer isso não só com os meus pais, mas com as pessoas de quem gostava e que não queria perder. Fazia-lhes a vontade, sempre procurando agradar para ser a pessoa bacana e tê-las sempre perto de mim. Passaram-se muitos anos até que eu pudesse entender tudo aquilo, entender porque eu agia assim e porque hoje era difícil para mim escolher entre coisas, dar minha opinião sobre um assunto qualquer... Tinha medo, medo que as pessoas se afastassem, assim como tive medo que meus pais me deixassem. Por isso te contei essa história, para que você entenda que a única coisa que uma criança não entende é quando está num jogo; para te mostrar o quanto isso é perigoso e doloroso para ela e para te dizer que, até que ela entenda tudo isso, já se passaram trinta anos...

M.E.N.I.N.A.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Diversidades reconhecidas psicossocialmente


RESOLUÇÃO CFP Nº 014 /11

Dispõe sobre a inclusão do nome social no campo “observação” da Carteira de Identidade Profissional do Psicólogo e dá outras providências.

O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei n° 5.766, de 20/12/1971;

CONSIDERANDO o direito à cidadania e o princípio da dignidade da pessoa humana, previstos no artigo 1º, inc. I e III da Constituição Federal de 1988;

CONSIDERANDO o direito à igualdade de todos os cidadãos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, previsto no art. 5º da Constituição Federal de 1988;

CONSIDERANDO o disposto na Lei n.º 6.206/75, a qual dá valor de documento de identidade às carteiras expedidas pelos órgãos fiscalizadores de exercício profissional;

CONSIDERANDO que nos termos do artigo 14 da Lei n.º 5.766/71 e art.47 do Decreto n.º 79.822/77 e art. 47 da Resolução CFP n.º 003/2007, o documento de identificação do psicólogo é a carteira de identidade profissional;

CONSIDERANDO que o artigo 47 do Decreto n.º 79.822/77 estabelece que deferida a inscrição será fornecida ao Psicólogo Carteira de Identidade Profissional, em que serão feitas anotações relativas à atividade do portador, e

CONSIDERANDO decisão do Plenário do Conselho Federal de Psicologia do dia 17 de junho de 2011,

RESOLVE:

Art. 1º - Assegurar às pessoas transexuais e travestis o direito à escolha de tratamento nominal a ser inserido no campo “observação” da Carteira de Identidade Profissional do Psicólogo, por meio da indicação do nome social.

Art. 2º - A pessoa interessada solicitará, por escrito, ao Conselho Regional de Psicologia a inclusão do prenome que corresponda à forma pela qual se reconheça e é identificada, reconhecida e denominada por sua comunidade e em sua inserção social.

Art. 3º - Fica permitida a assinatura nos documentos resultantes do trabalho da(o) psicóloga(o) ou nos instrumentos de sua divulgação o uso do nome social, juntamente com o nome e o número de registro do profissional.

Art. 4º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
   
Brasília (DF), 20 de junho de 2011.
HUMBERTO COTA VERONA
Conselheiro - Presidente

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O obstáculo




Certa vez um cão estava quase morto de sede, parado junto à água. Toda vez que ele olhava o seu reflexo na água ficava assustado e recuava, porque pensava ser outro cão. Finalmente, era tamanha a sua sede, que abandonou o medo e se atirou para dentro da água. Com isto, o reflexo desapareceu. O cão descobriu que o obstáculo - que era ele próprio, a barreira entre ele e o que buscava, havia desaparecido.

Do livro "Antes que Você Morra", Osho

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