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Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)

sábado, 22 de outubro de 2011

Você tem que encontrar o que você ama

 
Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos.

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais 18 meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina.

Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.”

Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses, eu não podia ver valor naquilo.

Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok.

Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.

Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.

Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.

De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação — o Macintosh — e eu tinha 30 anos.

E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses.

Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício].

Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa.

A Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple.

E Lorene e eu temos uma família maravilhosa. Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple.

Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama.

Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.

Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas.

Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas — que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus.

Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.

Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.

Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém.

Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas.

Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.

E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.

Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid.

Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês.

Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras:

“Continue com fome, continue bobo.”

Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.

Obrigado. 

Steve Jobs na Universidade de Stanford, em 2005



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Serás


Quero escrever, só não tenho nada na cabeça sobre o que falar exatamente. Será que é assim que funciona um desejo automático? Será que não é necessariamente necessário algum conteúdo para se ter uma forma? Mas esse ato aqui já se preencheu de conteúdo, especificado a partir do momento em que pensei sobre ele mesmo. Será que é assim que se controlam atos automáticos também? Percebê-lo, pensá-lo, dar-lhe uma direção para que se torne melhor aproveitado? ... 

Camila Sousa de Almeida


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Chama cardíaca

Você se lembra daquela linda história do livro “O Pequeno Príncipe”? Bom, existe uma história mais tocante ainda que aconteceu de fato com o criador do Pequeno Príncipe, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry. Poucas pessoas sabem que ele lutou na Guerra Civil Espanhola e, certa vez, foi capturado pelo inimigo e levado ao cárcere para ser executado no dia seguinte.

Nervoso, ele procurou em sua bolsa um cigarro, e achou um, mas suas mãos estavam tremendo tanto que ele não podia nem mesmo levá-lo à boca. Procurou fósforos, mas não tinha porque os soldados haviam tirado todos os fósforos de sua bolsa. Ele olhou, então, para o carcereiro e disse: “Por favor, usted tiene fósforo?”. O carcereiro olhou para ele e chegou perto para acender seu cigarro. Naquela fração de segundo, seus olhos se encontraram e Saint-Exupéry sorriu.

Depois ele disse que não sabia por que sorriu, mas pode ser que quando se chega perto de outro ser humano seja difícil não sorrir. Naquele instante, uma chama pulou no espaço entre o coração dos dois homens e gerou um sorriso no rosto do carcereiro também. Ele acendeu o cigarro de Saint-Exupéry e ficou perto, olhando diretamente em seus olhos, e continuou sorrindo. Saint-Exupéry também continuou sorrindo para ele, vendo-o agora como pessoa, e não como carcereiro.

Parece que o carcereiro também começou a olhar Saint-Exupéry como pessoa, porque lhe perguntou: “Você tem filhos?”. “Sim”, Saint-Exupéry respondeu, e tirou da bolsa fotos de seus filhos. O carcereiro mostrou fotos de seus filhos também e contou todos os seus planos e esperanças para o futuro deles. Os olhos de Saint-Exupéry se encheram de lágrimas quando disse que não tinha mais planos, porque ele jamais os veria de novo. Os olhos do carcereiro se encheram de lágrimas também. E, de repente, sem nenhuma palavra, ele abriu a cela e guiou Saint-Exupéry para fora do cárcere, através das sinuosas ruas, para fora da cidade, e o libertou. Sem nenhuma palavra, o carcereiro deu meia volta e retornou por onde veio.

Mais tarde, Saint-Exupéry disse: “Minha vida foi salva por um sorriso do coração”.

O que foi aquela “chama” que pulou entre o coração desses dois homens? Isso tem sido tema de intensa pesquisa atualmente, na medida em que os cientistas estão se dando conta de que o coração não é meramente uma bomba mecânica, mas um sofisticado sistema para receber e processar informações. De fato, o coração envia mais mensagens ao cérebro que o cérebro envia ao coração! Como disse o filósofo francês Blaise Pascal: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.

Estados emocionais negativos, como raiva ou frustração, geram ondas eletromagnéticas totalmente caóticas do coração, como se estivéssemos pisando no acelerador e no breque simultaneamente. Esse estado de batimentos desordenados é chamado de “incoerência cardíaca” e está ligado à doenças cardíacas, envelhecimento precoce, câncer e morte prematura.

Em estados de amor ou gratidão, nosso batimento cardíaco torna-se “coerente”. Isso diminui a secreção dos hormônios do estresse, reduz a depressão, hipertensão e insônia, melhora o sistema imune e aumenta a clareza mental. Essa é uma das razões pelas quais tem sido provado que as emoções positivas estão associadas à boa saúde física e mental – e à longevidade. Essa irradiação coerente do coração – essa “chama” de genuína afeição – pode afetar pessoas a uma distância de até 5 metros!

Logo, na próxima vez em que você estiver numa situação difícil, respire profundamente, lembre-se de Saint-Exupéry e do Pequeno Príncipe, e irradie a energia de seu coração. Como o Pequeno Príncipe nos lembrou, “somente com o coração podemos ver com clareza”!

Susan Andrews
 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Pedra(o)

 
Pedras no caminho…
O distraído nela tropeçou.
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, cansado da lida, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já David matou Golias,
e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura…
E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!


Autor: Antonio Pereira


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Mais uma homenagem aos meus clientes


Mais uma vez resolvi escrever sobre/para meus clientes. Não preciso ser suspeita pra falar, declaro logo explicitamente que sou fã deles! Eu me encanto, me alegro e aprendo muito com cada um. 

Recentemente fui surpreendida por um deles que me ligou para me passar uma tarefa! Eu daria uma olhada em seus trabalhos artísticos e escolheria alguns para comentar. Além do prazer em apreciar uma arte bem-feita, gostei muito da ousadia e criatividade nesta atitude tomada por ele. A postura ativa diante do próprio processo terapêutico é um sinal de que facilmente (e por que não dizer rapidamente) ele atingirá seus objetivos. 

Outra pessoa que atendo costuma complementar as tarefas que passo, deixando-as melhores ainda e me fazendo pensar “como não pensei isso antes”. É assim mesmo, o sentido da terapia é ir despertando de dentro pra fora... O que já é seu, não lhe pode ser dado. 

Alguns atuais ou ex-clientes gostam de me enviar e-mails interessantes, que acrescentam muito à minha vida profissional e pessoal. As inspirações dos textos que escrevo sempre têm a contribuição das experiências e trocas com esses e todos eles.

E também as idéias e experiências de uns muitas vezes me são úteis com outros, e assim suas terapias acabam ajudando na terapia de alguém, mesmo que ninguém conheça ninguém. 

Não limito nesses exemplos daqui toda a gama de atitudes positivas dos meus clientes; cada um tem suas particulares conquistas de acordo com suas necessidades, assim como diferentes formas de me deixar orgulhosa e lisonjeada de ser a escolhida para ser parte de uma parte de sua existência mutante. :)

Camila Sousa de Almeida

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Longe é um lugar que não existe


Li recentemente dois textos que me chamaram a atenção: um falando sobre “empatia e o fim das touradas"; e outro sobre um movimento de mães de LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). No primeiro, é citado um estudo que chegou à conclusão de que o fator que mais aumentava a empatia por animais era ter (ou já ter tido) algum bicho de estimação, enquanto ter crianças em casa aumentava a empatia por humanos. 

O segundo texto trazia o depoimento de uma mãe: “minha maior alegria no processo de reconhecer meu filho gay foi que me tornei uma pessoa melhor. Se eu não tivesse um filho gay eu ainda seria preconceituosa como eu era. Quando você trabalha para diminuir um preconceito, automaticamente está diminuindo todos os demais. Eu me tornei uma pessoa melhor, e fico feliz com isso.”

A conjunção dos dois deixa claro o quanto a convivência e/ou proximidade com determinado tema tem o poder de transformar a atitude de alguém a respeito do mesmo. Mas, levando em conta que tudo aquilo que é rejeitado pela sociedade costuma ser escondido até dos próprios familiares, não é difícil chegar à conclusão de que todo mundo tem uma grande probabilidade de conviver com alguém que é (ou tem possibilidade de ser) marginalizado, seja por orientação sexual ou não. 

E essa marginalização já começa dentro da família, justamente por essas pessoas não se sentirem seguras o suficiente para se abrir. Enquanto fala dos “filhos dos outros”, o seu próprio filho pode estar a fazer (ou ser) aquilo que você costuma criticar. As pessoas são muito diferentes, mesmo tendo o mesmo sangue. O exercício do respeito às diferenças já se faz necessário dentro de nossas próprias casas e, assim sendo, torna-se uma conseqüência ser aplicado àquele que passa do outro lado da calçada. 

Talvez o que separe você dessa mãe do relato seja simplesmente descobrir. Talvez o longe não exista. Se só podemos dar o que temos, também se vê o que se tem... Abrir os olhos é fácil. Vamos abrir mais a mente e o coração!

Camila Sousa de Almeida

Preto no branco



Começo esses traços negros no papel com a vontade de escrever coisas bonitas. Mas a vida não é feita de certezas. O que julgamos num instante como o certo-belo é apenas um limitado reflexo. A perfeição de um dia cinza e frio nem todos sabem vivenciar internamente, mas ninguém gostaria de viver a vida inteira com o sol a lhe esquentar. 

Só sabemos apreciar o que contrasta, o que se afasta de alguma coisa que existe para podermos experimentar. Ou vivemos justamente para tudo isso. Para sermos errados e belos no erro de não encontrar esse acerto constante, no ato de ser tudo diferente. 

A gente espera o que não acontece e crê que o bom é não aceitar. Por que vivemos? Por que esteticamente perdemos o senso de dentro-encontrar? Não estando atentos à hora certa, apreciamos o que dizem de bom as palavras “não incertas”, mas despercebemos o preto da tinta que não deixou a caneta falhar... 

O texto pára por aqui. Talvez esteja incompleto... E talvez por isso possa ser, por agora, um exemplo de perfeição. 

Camila Sousa de Almeida

Ser escolhido

Jamie estava disputando um papel na peça da escola. Sua mãe me disse que tinha procurado preparar seu coração, mas ela temia que ele não fosse escolhido. No dia em que os papéis foram escolhidos, eu fui com ela para buscá-lo na escola. Jamie correu para a mãe, com os olhos brilhando de orgulho e emoção:
- Adivinha o quê, mãe!
E disse aquelas palavras que continuariam a ser uma lição para mim:
- Eu fui escolhido para bater palmas e espalhar a alegria!
 
 Desconheço o autor

Do mundo...

"Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos.
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
 
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que Suas flechas se projetem rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:  pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável."
 
De "O Profeta" - Gibran Khalil Gibran 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Di visão



É interessante perceber que, paradoxalmente, o que permite a união é justamente a divisão que existe entre eu e o outro. Se não houvesse tal linha divisória, não seriam dois seres distintos e, portanto, passíveis de união. Dessa forma, a diferença não existe para separar, mas sim para possibilidades criar. Os limites da sua pele que lhe permitem dar e receber o toque...

Essas linhas que dividem o dentro/fora, uma coisa de outra, entendida de forma mais abrangente ainda, nos permite organizar mentalmente a nossa vida no tempo/espaço. Todo mundo tem acontecimentos na vida que funcionam como um divisor de águas dentro de sua história pessoal; assim como o nascimento de Jesus Cristo é um marco para o calendário que utilizamos: nossas datas são “A.C.” e “D.C.” (antes ou depois de Cristo). 

Algumas pessoas decidem fazer ou percebem as mudanças tornando suas vidas diferentes em situações tidas como grandes, como um casamento, uma gravidez, uma mudança de casa ou cidade, o final de um relacionamento, uma formatura ou novo emprego. De fato, acontecimentos externos de grande relevância produzem efeitos internos grandiosos também. Mas ao observar ou esperar apenas pelo que é aparentemente maior ou mais intenso, vão passando despercebidas as mais freqüentes linhas divisórias de nossa vida que são, naturalmente, um novo começo com a possibilidade de ser diferente. 

Todo domingo começa uma nova semana. Todos os dias o sol nasce novamente. A cada minuto um ponteiro do relógio fez uma volta completa, dando tempo suficiente para alguma coisa ter acontecido. Suficiente para você fazer um telefonema importante, ou simplesmente dar um sorriso que mude uma vida, um estado de espírito. Quantas palavras transformadoras cabem nesse espaço de tempo? Sempre estamos a começar uma conversa... ao menos uma conversa interna com nós mesmos. 

Cada vez que inspira, está começando um novo ciclo respiratório, que pode ser mais profundo do que foi o anterior. Você vai esperar o quê para começar a respirar novamente?! Enquanto pensa, a transformação do ar, dentro e fora de você, já está acontecendo. E você pode perceber, saber o que quer, e fazer. O começo começa quando você começa a começar alguma coisa que você quer...

Camila Sousa de Almeida

sábado, 17 de setembro de 2011

Ponto de vista da vista do ponto


 

As mesmas coisas podem ser grandes e pequenas

Um “arranha-céu” pode ficar do tamanho de uma formiga, um ponto ou um nada, observado da janela de um avião... 

Que coisa, não?!

Camila Sousa de Almeida

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Medo: Placa de SinalizAção


Li há algum tempo sobre uma pesquisa, realizada no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, que chegou a uma descoberta: os sinais neurológicos causados por medos aprendidos e instintivos percorrem caminhos diferentes até causar reações. Isso significa que existem dois tipos de medo que, portanto, podem ser considerados de maneiras diferentes. 

Cada sentimento tem sua utilidade e sempre exerce alguma função que, no caso do medo, geralmente é protetora. Assim é com aquele tipo que coloca em prática o instinto de sobrevivência. Se um animal feroz estiver perto de você, você sentirá medo, e isso é desejável que aconteça, pois caso contrário, você não teria o impulso de se defender de um possível ataque – seja enfrentando ou fugindo da fera. Neste caso, essa sensação incômoda é uma forma de inteligência organicamente aprendida e herdada ao longo da evolução da(s) espécie(s). 

Porém, às vezes sentimos medos não baseados na “real” periculosidade daquilo que é temido. Mas, a semelhança com as sensações que causa um bicho feroz ao seu lado, dão a impressão de certeza e verdade àquelas remotas ou “impossíveis possibilidades”. Que mal uma lagartixa pode fazer a você? Que função esse tipo de medo exerce dentro da sua vida? Você aprendeu a criar em seu corpo sensações baseadas em falsos motivos... Você já assistiu filmes de terror?

Se você aprendeu a ter medo, muitas coisas você aprendeu. E aprender é algo que você pode fazer sempre. Podemos aprender uma palavra em uma língua estrangeira. Eu não sei se ela faz um caminho diferente no seu cérebro para você a entender, mesmo tendo o mesmo significado da palavra que você sempre soube compreender. São duas palavras diferentes, sendo uma só. Como pode ser? 

A fuga é um dos caminhos que aprendemos a fazer ao ter medo de algo, através do instinto. Acabamos levando esse aprendizado aos medos aprendidos. Repetimos um caminho; mas os diferentes medos não repetem. Cada um segue a sua própria trilha. Será que podemos aprender com eles a não seguir o mesmo caminho? Eles nos ensinam... eles aprenderam e podemos aprender com eles. Podemos fazer caminhos diferentes. Os pés que fogem podem também se aproximar; ir, vir, voltar... E ninguém nasceu já sabendo caminhar...

Camila Sousa de Almeida

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Como chegar lá


Eugênia encontrou João em frente a uma pizzaria que costumava frequentar. Ele sugeriu que ela saísse da rotina de que estava acostumada e provasse a nova pizza da cidade, confiante de que ela iria gostar. Eugênia aceitou a sugestão e pediu que ele a orientasse como chegar lá. João explicou o caminho em detalhes, dando pontos de referência por onde ela passaria no trajeto. Só que ele ensinou como chegar lá indo pelo outro lado da cidade, o oposto em que Eugênia estava. Ela tentou avisar: “não vou passar por aí”. João ouviu, mas não escutou; continuou a explicar partindo do mesmo ponto de vista... talvez, quem sabe, aquele fosse o único caminho que ele conhecia. Eugênia, então, ouviu tudo pacientemente e, percebendo as diferenças entre o que ele dizia e ela sabia, foi internamente fazendo as adaptações necessárias para chegar lá saindo de onde estava... e chegou lá tranquilamente. 

Camila Sousa de Almeida


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Insight about the light



Da janela do avião observei algo interessante: olhar para cima ou para baixo era a mesma coisa, exceto por alguns detalhes... Na terra, pontinhos luminosos de cores variadas se espalhavam no escuro fundo preto; já no céu o escuro era mais claro e os pontinhos luminosos, denominados por nós de estrelas, tinham uma cor só...

Camila Sousa de Almeida

Eu estou aqui pra crescer!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O céu não é azul!


 
Numa Escola de Ensino Fundamental, uma menina de 7 anos faz um desenho de uma paisagem com tintas coloridas.
Era a tarefa do dia na aula. Pintar um lugar onde eles gostariam de estar.
A menina se esmerou com a palheta de cores, e produziu, empolgada, sua obra de arte.
Ansiosa, levantou-se da cadeira e foi mostrar à professora.
Ao ver a pintura, a educadora notou algo estranho já de súbito.
Disse baixinho um Muito bem, para incentivar a criança, fez um carinho e pegou o desenho em mãos.
Os trabalhinhos seriam expostos no outro dia no mural da Escola.
No intervalo para o lanche, a professora não se conteve, pegou o desenho e foi mostrar às outras que se encontravam na secretaria da Escola.
Ela queria uma opinião sobre aquilo. Algumas delas eram mais entendidas em psicologia infantil, e quem sabe poderiam ajudá-la a decifrar o que estava pintado ali.
O que será que ela quis dizer com isso? Isso deve estar mostrando algum sentimento, algo que ela tem guardado. O que será?
As amigas de profissão não souberam dizer. Algumas disseram que não era nada, que não deveria se preocupar. Mas ela estava encafifada.
Voltou à sala de aula, e resolveu que, ao final do período, iria conversar com a menina e perguntar a ela o que significava.
Chamou-a então, com discrição, à sua mesa e perguntou, com a pintura na mão:
Querida, você pode explicar algo para mim? - A criança acenou com a cabeça.
Se o céu é azul, por que você desenhou um céu cor-de-rosa?
Mas o céu não é azul, professora! - Respondeu ela, com educação.
Quem diz que o céu é azul é analfabeto de céu!
Ontem, no final da tarde, o céu, atrás de minha casa, estava assim, rosa.
Esses dias vi um céu laranja! À noite ele é sempre preto, ou azul escuro, mas de dia ele pode ser cinza claro, cinza escuro, vermelho...
Sabe... Uma vez vi uma tempestade tão grande no céu, que ela chegou a pintar o céu de verde! Não é todo mundo que acredita, mas eu vi, era verde.

*   *   *

A menina fez um verdadeiro discurso sobre as cores do céu, deixando boquiaberta a professora desatenta.
Ela nunca havia parado para pensar nisso. Aceitou tão facilmente a verdade, o clichê de que o céu é azul, que acabou esquecendo a variedade de cores possíveis no zimbório terreno.
Percebeu então como as crianças têm uma sensibilidade admirável, e que muito tinha a aprender com elas.
Com certeza, na próxima vez, antes de achar que possa existir algum problema numa criança, iria se analisar, para perceber se não era sua sensibilidade que precisava de escola.

*   *   *

Toda criança é especial, e merece ser tratada como tal.
Da mesma forma como nem sempre o céu é azul, cada criança tem suas particularidades, e os educadores precisam estar atentos a elas.
Não se pode usar uma mesma fórmula, um mesmo padrão de ensino ou educação no lar, para todas as crianças.
Faz-se necessário ajustes, adequações, atenções individualizadas.
Todo céu é belo, mesmo sendo amarelo, rosa, vermelho ou negro.

Redação do Momento Espírita

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Se um cachorro fosse professor

Você aprenderia coisas assim:

Quando alguém que você ama chega em casa, corra ao seu encontro.

Nunca perca uma oportunidade de ir passear.

Permita-se experimentar o ar fresco do vento no seu rosto.

Mostre aos outros que estão invadindo o seu território.

Tire uma sonequinha no meio do dia e espreguice antes de levantar.

Corra, pule e brinque todos os dias.

Tente se dar bem com o próximo e deixe as pessoas te tocarem.

Não morda quando um simples rosnado resolve a situação.

Em dias quentes, pare e role na grama, beba bastante líquidos
e deite debaixo da sombra de uma árvore.

Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.

Não importa quantas vezes o outro te magoa, não se sinta culpado...
volte e faça as pazes novamente.

Aproveite o prazer de uma longa caminhada.

Se alimente com gosto e entusiasmo.

Coma só o suficiente.

Seja leal.

Nunca pretenda ser o que você não é.

E o MAIS importante de tudo...

Quando alguém estiver nervoso ou triste, fique em silêncio,
fique por perto e mostre que você está ali para confortar.

Autor desconhecido

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Decididamente inconsciente


Dia desses uma cliente me perguntou: “na hipnose, quem decide a solução para o meu problema, eu ou você?”. Um dentre tantos mitos sobre a hipnose é esta questão.

Esse medo de estar submetido à vontade de outra pessoa durante o estado de transe não precisa existir, pois nossa mente inconsciente é nossa protetora e em nenhum momento deixa de cumprir esta função. Durante o estado alternativo de consciência nossos princípios e anseios mais profundos continuam a nos governar e sempre somos nós mesmos, mesmo que inconscientemente, que damos direção ao processo.

Por isso, podemos dizer que toda hipnose é uma auto-hipnose, inclusive quando alguém nos conduz. Dessa forma, você pode ficar tranquilo(a), que ninguém irá tomar suas decisões e nem definir os caminhos que você fará para sentir-se bem; apenas irá auxiliá-lo a proporcionar isso a si mesmo, da sua forma particular, dando-lhe opções...

A crença de que alguém de fora é que vai fazer algo – que você mesmo faz – lhe torna receptivo(a) para vivenciar internamente essas experiências. Quando alguém volta do transe maravilhado com o que lhe aconteceu, pode agradecer a si mesmo, porque permitiu se conduzir ao ser conduzido...

Certa vez uma cliente me disse ao sair de transe: “já faço isso antes de dormir”. E todos podem fazer também! Mas quem se dá essa oportunidade? Todas as maravilhas da sua mente estão aí dentro, esperando (ansiosa ou tranquilamente) serem encontradas no momento desse reencontro profundo com você

Camila Sousa de Almeida

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