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Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ainda bem

 
Ainda bem que sempre existe outro dia. 
E outros sonhos. 
E outros risos. 
E outras pessoas. 
E outras coisas.

Clarice Lispector



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Imaginando coisas

 
Um homem queria pendurar um quadro. Já tinha o prego, só faltava o martelo. O vizinho tinha um martelo, e o nosso homem resolveu pedi-lo emprestado. Mas ficou com a dúvida: “E se o vizinho não me quiser emprestar o martelo? Ontem ele cumprimentou-me de forma muito seca. Talvez estivesse com pressa. Mas isso devia ser só uma desculpa. Ele deve ter alguma coisa contra mim. Mas porquê? Eu não fiz nada! Ele deve estar imaginando coisas. Se alguém me pedisse emprestada alguma ferramenta minha eu emprestaria imediatamente. Porque será que ele não me quer emprestar o martelo? Como é que alguém pode recusar um simples favor desses a um semelhante? Gente dessa laia só complica a nossa vida. De certeza que, ele imagina que eu dependo dele só porque ele tem um martelo. Mas, já chega!” E correu até ao apartamento do vizinho, tocou à campainha, o vizinho abriu a porta. Mas antes que pudesse dizer "Bom Dia", o nosso homem berrou: "Pode ficar com o seu martelo, seu imbecil!" 
Paul Watzlawick
 

 

Guarda-chuva


sábado, 7 de julho de 2012

O caderno

Encontramos o equilíbrio quando nos permitimos balançar entre os diferentes lados sem precisar permanecer em nenhum deles... A passagem por cada um contribui e cabe a você escolher por onde caminhar, descobrir onde fica o seu próprio eixo... 

Independente da sua crença ou descrença no que quer que seja, ouvir os outros sempre pode lhe acrescentar algo, concordando ou não com ele. Você pode, do que ouve, lê e vê, aproveitar aquilo que faz sentido para você. Afinal, ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar, como sabiamente dizem...

Camila Sousa de Almeida

Segue agora uma mensagem que achei muito interessante, do Padre Fábio de Melo:

Eu não sei se você se recorda do seu primeiro caderno, eu me recordo do meu. 
Com ele eu aprendi muita coisa, foi nele que eu descobri que a experiência dos erros
Ela é tão importante quanto às experiências dos acertos 
Porque vistos de um jeito certo, os erros,  
Eles nos preparam para nossas vitórias e conquistas futuras 
Porque não há aprendizado na vida que não passe pelas experiências dos erros

O caderno é uma metáfora da vida, 

Quando os erros cometidos eram demais, eu me recordo,  
Que a nossa professora nos sugeria que a gente virasse a página. 
Era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços.
Ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e a partir deles,  

A gente seguia um pouco mais crescido.

O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos.  

Erros podem ser fontes de virtudes! 
Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar à serviço do aprendizado;  
Ele não tem que ser fonte de culpas e vergonhas. 
Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande sem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida.

Uma coisa é a gente se arrepender do que fez! 

Outra coisa é a gente se sentir culpado.  
Culpas nos paralisam. 
Arrependimentos não!
 Eles nos lançam pra frente, nos ajudam a corrigir os erros cometidos. 

Deus é semelhante ao caderno.  

Ele nos permite os erros pra que a gente aprenda a fazer do jeito certo.
Você tem errado muito? 

Não importa, aceite de Deus essa nova página de vida que tem nome de hoje! 
Recorde-se das lições do seu primeiro caderno. 
Quando os erros são demais, vire a página!

Tu Tens um Medo

Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos...
Enganados...
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor...
... E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que é eterno. 

Cecília Meireles


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Insanamente sã


 
As vozes que ouvia pareciam mentiras catadas do chão. As paredes não falavam, ela se repetia. Mas as partes do corpo separadas tinham vida e verdade, e não pouca razão. Analisar não a faria se sentir certa. Negar não a tornaria mais gente. Que importavam os comentários alheios em torno? Que importavam os que se incomodavam com sua passagem, se ela era também mais uma passageira? Denominava-se louca, qualquer certidão não valia nada, não lhe daria nenhum direito. Uma anti-sociedade que não aceitava a fera e sua beleza, não merecia também o seu respeito... Delirava ela com certeza. 
 
Camila Sousa de Almeida



Ouviu ou viu


Só ouvem os silêncios os que escutam. 

Pra quem não ouve, o silêncio é mais do mesmo. 

Pra quem sente vibrar, pode até ser um grito. 

Pra quem tem imaginação, de uma ação ele pode ser o início

Pra quem pensa, uma percepção. 

Pra quem voa, sensação. 

Pra quem vive, fonte inesgotável de inspiração.


Camila Sousa de Almeida



terça-feira, 3 de julho de 2012

Conto de vovó


Catarina nasceu e era bela. Mas as irmãs não achavam que a bonita era ela. Passou então a acreditar Catarina que o mundo era único e continha leis que dividiam o certo e o errado em lados separados; em opostos, “perfeito” e “imperfeito”. 

Escolheu ser certa, ficar calada e emitir opiniões sinceras só quando alguém fosse se agradar dela. Mas as coisas nem sempre saem como se espera. Catarina cresceu e engravidou. Veio alguém e disse: “nem esperou o homem certo para abrir as pernas!". E mais uma vez ela passou para o outro lado; caiu nas garras do julgamento alheio.

E de tanto passar para um e para outro, engrossou as pernas, ficou forte! Aguentava caminhar muito e sustentar-se a si mesma. Aí, Catarina acordou num pulo! Havia sonhado que era feia... mas isso tinha sido só um pesadelo, pois Catarina é quem ela era. Continuou a ser (b)ela mesmo...

Camila Sousa de Almeida


segunda-feira, 2 de julho de 2012

As Vezes

Às vezes as coisas acontecem como você imaginou. 

Às vezes as coisas acontecem como você não imaginou. 

As coisas acontecem nas vezes que acontecem.

Camila Sousa de Almeida


sábado, 30 de junho de 2012

Que seja a última antes que seja a última...


A inconsciência da consciência

 
A consciência da inconsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência. Há inteligências inconscientes — brilhos do espírito, correntes do entendimento, mistérios e filosofias — que têm o mesmo automatismo que os reflexos corpóreos, que a gestão que o fígado e os rins fazem de suas secreções.

Fernando Pessoa



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Nem tudo que reluz é ouro!


Li em uma revista da área psi que uma pesquisa que neurobiólogos realizaram permitiu observar uma peculiaridade no funcionamento cerebral, ao reter informações importantes: a memória é facilitada pela associação de elementos em categorias que simplificam as impressões visuais; como se puséssemos os dados que foram associados em gavetas, para ser mais fácil reencontrar. 

A partir desse conhecimento, analise agora como as propagandas e a mídia em geral costuma nos influenciar massivamente, com as associações que criam artificialmente: mulher bonita e cerveja; margarina e família unida; corpo ilusoriamente perfeito e felicidade; saúde e rápidas "soluções" com remédio; roupa da moda e aceitação social; promiscuidade e diversão; etc etc etc. Somos constantemente bombardeados de associações que querem que a gente faça sem pensar. E, de fato, a repetição ajuda a acontecer instantaneamente, o que quer que seja. 

Tudo isso vai influenciando sorrateiramente nossas escolhas e ações, porque os produtos vão sendo ligados à emoções agradáveis que todos gostariam de sentir. E grande parte do tempo não percebemos que estamos desejando os desejos diariamente plantados em nós, como se estivéssemos distraídos na chuva, sem sombrinha, sem capa, sem nada, e portanto a água vai nos molhando. 

Os que estão no poder nos governando (neste sentido governam, sim), dizem se preocupar com a promiscuidade, com a violência, com as doenças físicas e mentais e com a "falta de educação" da população. Mas a educação, entendida como instrução para a adoção de comportamentos e atitudes correspondentes aos usos socialmente tidos como corretos e adequados, aplicada a objetivos capitalistas, não está em falta. E a educação, enquanto processo de aquisição de conhecimentos e aptidões, tem chegado a quase todos os indivíduos da população; a questão é qual o conhecimento que tem sido passado e que aptidões ela tem ajudado a desenvolver?! Consumismo, alienação, submissão, entre outros... 

Porque, fora os discursos, eles estão ocupados em plantar e regar cada um desses problemas nos vasos que continuam a lhes fazer brotar dinheiro, e os mantêm no poder, submetendo-se  a tudo por estarem perdidos e distantes do que podem ser... Afinal, antes das invenções humanas, a terra já produzia adubo naturalmente. E quando não impedida, uma planta cresce onde há condições favoráveis e tem, naturalmente, tudo que precisa.

Camila Sousa de Almeida

terça-feira, 26 de junho de 2012

AvaliAção Psicológica


Sabemos que podemos prejudicar alguém não só pelos atos que praticamos, mas também pela negligência do que não fazemos ou não falamos. Por isso estou a escrever. 

Tive a oportunidade de ouvir algumas vezes, das próprias pessoas que se preparavam ou já haviam realizado uma cirurgia bariátrica, depoimentos sobre os procedimentos pré-operatórios que me deixaram preocupada com o funcionamento, que me pareceu comum, da “avaliação psicológica” dentro desse contexto específico. 

Em primeiro lugar, muitos pacientes vão ao psicólogo (da equipe do cirurgião, obrigatoriamente) com o objetivo de enganar o profissional, para que ele não alongue o processo e/ou não impeça a cirurgia, avaliando-o como não preparado para tal. Mentem e tentam fingir maturidade, esclarecimento e equilíbrio para conseguirem o mais rápido possível o que querem: a autorização para a cirurgia. 

O psicólogo, por sua vez, parece não atentar para tais sutilidades – ou finge que não percebe (o que eu prefiro não acreditar que aconteça), dando o seu aval após duas sessões – ou pouco mais que isso – com um paciente até então desconhecido. Será que em poucos encontros de determinados minutos conheceu?

Uma situação tão séria e delicada que, se não compreendida e bem elaborada, tanto mental quanto emocionalmente, pode levar à morte, não pode de maneira alguma ser tratada desse jeito. Pessoas que se submetem a esse tipo de cirurgia não podem de jeito nenhum extrapolar os seus limites – que mudaram radicalmente, quase que do dia pra noite. Algumas pessoas, que não tiveram o devido acompanhamento psicológico (antes, durante e depois), não conseguem se controlar e morrem por causa disso. Você pode pesquisar, acontece. 

Nossos comportamentos são gerados por um misto de nossa vontade consciente com nossas tendências/inclinações inconscientes. A presença de impulsos que não conseguimos controlar intencionalmente, com esforço, indicam a necessidade de um trabalho psicoterapêutico que ajude a transformar a condição emocional em que tais impulsos existem e se manifestam.

Quando não é conseqüência de algum distúrbio orgânico, a obesidade costuma ser coadjuvante da ansiedade e não raro é conseqüência de algum vazio emocional que a pessoa tenta preencher com a ingestão de alimentos. Portanto, é preciso mexer em muito mais do que no corpo.

Um psicólogo não resolverá os seus problemas, apenas vai lhe ajudar a resolvê-los; da mesma forma, uma operação de redução de estômago e similares apenas vai facilitar mudanças que você quer, precisa fazer e vai depender de você...

Camila Sousa de Almeida


...Tudo...


:)


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