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Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sábia Mente Inconsciente


Tenho observado um fenômeno interessante nas minhas aulas de bateria: algumas vezes fiz algo inconscientemente, e logo depois o professor explicou o que eu tinha acabado de fazer. Eu fazia algo que nem sabia que sabia! Antes de ele ensinar ou falar sobre o assunto. O professor brincou que eu tenho veia artística; e eu disse que meu inconsciente é mais inteligente e sabe mais sobre música do que eu. Fato. Afinal eu nunca aprendi a tocar nenhum instrumento e nem estudei teoria musical. Estou começando agora... Pois é, expressar-se livremente pode fazer brotar algo surpreendente...

E nisso tudo percebi o quanto minha mente muitas vezes atrapalha o desenvolvimento dessa habilidade, com pensamentos do tipo “é difícil”, “vou demorar a aprender”. É a minha mente consciente que inconscientemente atrapalha, mas que, por eu ter tomado consciência disso, passo a poder controlar. Se a consciência deixa o caminho livre dessas barreiras auto-impostas, a sabedoria inconsciente poderá fluir livremente e expressar sua arte, dessa forma natural que ela demonstra saber fazer... É preciso estar atenta. Sempre aprendendo comigo mesma...

Camila Sousa de Almeida

Passa(n)do


É, vivemos pisando sobre os mortos. Quando vamos a um cemitério fica claro isso. Repare bem se o chão onde pisamos, que nos sustenta, não é feito do que/de quem existiu antes de nós. E é isso que nos permite caminhar, que nos dá base para construir coisas: o que foi construído antes, naturalmente ou não. Destruir é parte desse processo; o que vai se decompondo vai transformando profundamente o solo, dando à continuação da vida sua contribuição. A fertilidade vai se produzindo na terra pela mistura dos elementos que antes foram parte de outros maiores. Partindo-se em grãos, pode se espalhar, se misturar, tornar-se outras coisas maiores, pela união das partes. Tudo aquilo que já foi e não mais é transforma-se no solo onde podemos escolher o que vamos, a partir de agora, plantar. Passando por cima do que passou, podemos ir sentindo a segurança nos nossos passos... 

Camila Sousa de Almeida

quinta-feira, 19 de abril de 2012

[Você tem uma mensagem]

"Se nossos sentidos nos ligam ao mundo, ou seja, sem eles não teríamos como perceber o mundo, então sempre achei que haveria o sexto sentido, quando sentimos coisas que não parecem ter sido captadas pelos outros cinco sentidos. Chamam de intuição. Saindo de uma autohipnose agora, percebi que há um sétimo sentido, que nos liga e nos faz perceber o mundo e assim como os demais é espontâneo e pode ser desenvolvido. É o amor, o sétimo e mais poderoso dos sentidos."

Marcelo Oliveira

Sabia?

domingo, 15 de abril de 2012

Alien nação

A gente vive num mundo esquizofrênico, dominado por esquizofrênicos que dominam outros, cada um na sua esquizofrenia... Os mundos paralelos da política, do futebol, da cerveja, das festas, novelas, programas de televisão e músicas com letras e refrãos esquisitos, que nos tiram ou afastam do contato com outras realidades comuns a todos: a miséria, a fome, a corrupção, os genocídios em prol da construção de usinas hidrelétricas, só para citar alguns dos fatos que ignoramos, surpreendentemente. É como viver a realidade de outro mundo, enquanto se caminha neste. Isto não seria uma esquizofrenia?! Uma mente dividida, porque a mente mente, enganando a si mesma sobre a realidade que “vive”. 

Somos condicionados a prestar atenção em determinadas coisas e não em outras, ao ponto de termos algo, às vezes escancaradamente, em frente às nossas fuças e não enxergamos; ou não escutamos; ou não sentimos nada! Distraídos, somos traídos pela nossa percepção... Observe um telejornal: após notícias de guerra, catástrofes ou corrupção política, dada com cara de pesar pelo jornalista, os gols da semana são comemorados com uma rápida mudança de semblante; a seriedade se transforma em largo sorriso, pois o que “realmente” importa é isso. Ter um título de vencedor é uma importante conquista, tanto quanto o é para um “esquizofrênico” o título de Napoleão Bonaparte ou de rei da província. 

Pesquisas têm provado ultimamente que transmissão de energia pelas mãos pode curar. Será que é só em alguns casos, com intenção de cura, que essa influência existe?  Será que outros tipos de afeto não podem também cotidianamente acontecer e, acontecem? Se nem mesmo tudo o que os meus olhos podem ver eu vejo completamente... 

Ignoramos muitas realidades, como os sons que os gatos ouvem, os cheiros que os cães sentem, e tantas outras coisas que estão construindo o que vivemos, mas não percebemos como parte de nossa “realidade”. Continuamos coletivamente esquizofrênicos...

Camila Sousa de Almeida


sábado, 31 de março de 2012

O cúmulo do acúmulo


As rugas da flacidez de hoje denunciam a força antes colocada em prática. Quão belo é o corpo de um ser humano idoso! Uma delicadeza conquistada na pele que se tornou fina; uma maciez agradável ao toque daquele que realmente se aproxima. É bom tocar uma mão que muito acariciou. Os olhos tanto dizem... Aprenderam o ofício da boca, pois sem saber palavrear tudo o que sentem, falam ao calar. E até mesmo assim, gritam – pedindo o que acham que já não podem dar. 
 
Parece que as mudanças vêm anunciando morte, antecipando precipitadamente um luto, mas o que eu vejo é um acúmulo de vitórias. Exatamente isso. Seguindo em direção ao cume, onde as conseqüências dessas conquistas trarão o grande alívio que se sente quando se conclui que, somadas todas as experiências, viveu a vida satisfatoriamente. Olhar para trás e enxergar diferente é um renascimento. Toda perda trouxe um ganho. 

E antes do auge outros alívios estão disponíveis, constantemente, enquanto há respiração; enquanto há a possibilidade de soltar o ar e deixar ir tudo o que precisa ir embora. Há muitas formas de fazer isso; várias formas de respirar. No fim, acaba o que tem que acabar, junto com um ciclo. E isso significa que um novo acaba de começar...

Camila Sousa de Almeida

quarta-feira, 28 de março de 2012

1 + 1 = 1

“Eu sou hemisfério esquerdo. Eu sou um cientista. Um matemático. Eu amo o que reconheço. Eu classifico. Eu sou exato. Linear. Analítico. Estrategista. Sou prático. Sempre no controle. Um mestre das palavras e linguagem. Realista. Eu calculo equações e brinco com números. Eu sou a ordem. Eu sou lógico. Eu sei exatamente quem eu sou.”

 

“Eu sou hemisfério direito. Sou a criatividade. Um espírito livre. Sou paixão. Sou saudade. Sensualidade. Eu sou o som de gargalhadas. Eu sou o gosto. A sensação da areia nos pés descalços. Sou movimento. Cores vivas. Sou o anseio de pintar a tela em branco. Sou a imaginação sem limites. Arte. Poesia. Eu percebo. Eu sinto. Eu sou tudo o que eu queria ser.”

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ocupando-se para não se pré-ocupar


Determinados hábitos modernos desenvolveram-se a partir da valorização da velocidade; criou-se um ideal de “resoluções” rápidas: uma pílula, uma comida rápida (fast-food), um click no computador. Tudo isso, entre outros fatores, é claro, tem resultado numa espécie de epidemia de ansiedade. A paciência, nesse contexto, foi sendo transformada em desvantagem na corrida em busca de eficiência. Mas de nada adianta empurrar os ponteiros do relógio com os dedos; o tempo passará no tempo dele mesmo. Respeitar isso é conseqüência da compreensão de que as coisas não necessariamente acontecem como queremos. 

Até nós, psicólog@s, podemos às vezes ficar ansiosos para ver logo os resultados aparecerem nos nossos clientes. Neste caso, podemos observar um lado positivo na ansiedade: ela demonstra o quanto nos importamos com aquele ser humano e a superação do seu sofrimento (e a pessoa, o quanto ela deseja bem a si mesma). Mas como a boa qualidade não está ligada a alta velocidade, nesses momentos é preciso parar e respirar desaceleradamente... Trabalhando a própria ansiedade, o terapeuta está auxiliando o outro a também conseguir fazer isso. 

O tempo certo não é rápido e nem demorado, apesar de poder ser um ou outro, objetiva e subjetivamente... É o tempo da sabedoria, da consciência, e/ou da natureza fechar naturalmente um ciclo...

Desejamos o dia seguinte, mas temos que esperar o sol nascer. E certamente ele renascerá. O que fazer então, senão aproveitar o que se pode fazer antes disso, hoje?! O foco então pode ser o ato e não o tempo que leva para ele se desenrolar... Quando terminar de fazer o que está fazendo, olhe pra cima: o céu não estará igual. O tempo passou, tudo se movimentou, e você não reparou porque você também estava se movimentando... ;)

Camila Sousa de Almeida

sábado, 17 de março de 2012

Conceito sem pré

RESOLUÇÃO CFP N.º 018/2002

Estabelece normas de
atuação para os psicólogos
em relação ao preconceito e
à discriminação racial.

O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei n.º 5.766, de 20 de dezembro de 1971 e pelo Decreto 79.822;

CONSIDERANDO a Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde se lê: “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade humana” e a “Declaração de Durban”, adotada em 8 de setembro de 2001, que reafirma o princípio de igualdade e de não discriminação;

CONSIDERANDO a Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial;

CONSIDERANDO que o racismo é crime inafiançável e imprescritível conforme o art. 5º, XLII da Constituição Federal de 1988;

CONSIDERANDO os dispositivos da lei 7.716, de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor;

CONSIDERANDO os artigos VI e VII dos Princípios Fundamentais do Código de Ética Profissional dos Psicólogos:

“Art. VI – O Psicólogo colaborará na criação de condições que visem a eliminar a opressão e a marginalização do ser humano.

Art. VII – O Psicólogo, no exercício de sua profissão, completará a definição de suas responsabilidades, direitos e deveres de acordo com os princípios estabelecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 10/12/1948 pela Assembléia Geral das Nações Unidas;”

CONSIDERANDO que o art. 27 do Código de Ética do Psicólogo prevê a quebra do sigilo quando se tratar de fato delituoso cujo conhecimento for obtido através do exercício da atividade profissional;

CONSIDERANDO que o preconceito racial humilha e a humilhação social faz sofrer;

CONSIDERANDO a decisão tomada na reunião plenária do dia 19 de dezembro de 2002, RESOLVE:

Art. 1º - Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão contribuindo com o seu conhecimento para uma reflexão sobre o preconceito e para a eliminação do racismo.

Art. 2º - Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a discriminação ou preconceito de raça ou etnia.

Art. 3º - Os psicólogos, no exercício profissional, não serão coniventes e nem se omitirão perante o crime do racismo.

Art. 4º - Os psicólogos não se utilizarão de instrumentos ou técnicas psicológicas para criar, manter ou reforçar preconceitos, estigmas, estereótipos ou discriminação racial.

Art. 5º - Os psicólogos não colaborarão com eventos ou serviços que sejam de natureza discriminatória ou contribuam para o desenvolvimento de culturas institucionais discriminatórias.

Art. 6º - Os psicólogos não se pronunciarão nem participarão de pronunciamentos públicos nos meios de comunicação de massa de modo a reforçar o preconceito racial.

Art. 7º - Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação.

Brasília-DF, 19 de dezembro de 2002.
ODAIR FURTADO
Conselheiro-Presidente

quinta-feira, 8 de março de 2012

É COnsciência

Ainda criança decidi parar de jogar lixo no chão, quando descobri a importância disso. Nem mesmo um pequeno papel de bala ou chiclete eu deixava onde não devia, após tomar essa decisão. Lembro de um dia, quando estava na rua, em que caminhei cerca de cinquenta metros para jogar um pequeno papel desses numa lata de lixo e depois voltei para continuar conversando com minhas amigas. Elas haviam parado tudo para me assistir, sem entender o que eu tinha ido fazer, e quando voltei e expliquei, elas riram de mim. É interessante como cada um enxerga o seu próprio absurdo no alheio, pela incompreensão do que você compreende...

Anos mais tarde, na adolescência, perguntei a uma ambulante que vendia batatinha-frita onde tinha um lixeiro para jogar o copo descartável. Ela me respondeu que não existia e que eu jogasse ali mesmo (no chão da calçada). Eu disse a ela que isso não se fazia e tentei orientá-la; em seguida fui procurar um lixeiro na rua, até encontrar. Voltando para onde estavam meus amigos, um deles, que estava junto comigo na barraca de batata, contou para todo mundo o ocorrido e todos, mais uma vez, riram de mim. E passaram a contar histórias parecidas, onde se divertiam com o fato de jogar lixo no chão por aí...


A ignorância, às vezes, se promove pelas semelhanças. Dentro de você pode não se achar as verdades dos outros, mas a sua, com certeza, você encontrará. A consciência dO QUE É mora profundamente na sabedoria da sua mente inconsciente...

Camila Sousa de Almeida

quinta-feira, 1 de março de 2012

Céu de verão

A lua se espremendo entre as nuvens,

O céu pingando de estrelas,

E as formigas, incansáveis, a carregar

Folhas maiores do que si mesmas;

Como quem não acreditam no impossível,

Como quem não acreditam no que se vê.

A noite, à noite, pode se ver, crê nisso.

Porque se pode ver, pode crer.

A crença quem cria é você.

Camila Sousa de Almeida

Proveitosamente

Certa feita, Syamavati, a rainha consorte do Rei Udayana, ofereceu quinhentas peças de roupas a Ananda, que as aceitou com grande satisfação.
O rei, tomando conhecimento do ocorrido e suspeitando de alguma desonestidade por parte de Ananda, perguntou-lhe o que iria fazer com estas quinhentas peças de roupas.

Ananda respondeu-lhe: "Ó, meu Rei, muitos irmãos estão em farrapos e eu vou distribuir estas roupas entre eles". Assim estabeleceu-se o seguinte diálogo:

"O que farão com as velhas roupas?"
"Faremos lençóis com elas."
"O que farão com os velhos lençóis?"
"Faremos fronhas."
"O que farão com as velhas fronhas?"
"Faremos tapetes com elas."
"O que farão com os velhos tapetes?"
"Usá-los-emos como toalha de pés."
"O que farão com as velhas toalhas de pés?"
"Usá-las-emos como panos de chão."
"O que farão com os velhos panos de chão?"
"Sua alteza, nós os cortaremos em pedaços, misturá-los-emos com o barro e usaremos esta massa para rebocar as paredes das casas". Devemos usar, com cuidado e proveitosamente, todo artigo que a nós for confiado, pois não é "nosso" e nos foi confiado apenas temporariamente. 
 
Trecho retirado de "A Doutrina de Buda" - Siddharta Gautama


AconTecem

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O que você prefere?

Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos. O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado. Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados. Mas ele ainda quer saber: - Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais... E ela diz: - Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite! 

Desconheço o autor


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Ouvidoria do CFP

No dia da psicóloga e psicólogo (27/08/2011), o Conselho Federal de Psicologia (CFP) inaugurou sua Ouvidoria, instância criada para funcionar como canal de comunicação direta entre os profissionais, os cidadãos em geral e o Conselho, por meio do encaminhamento de críticas, questões, sugestões, dúvidas e elogios.

A criação da ouvidoria no CFP partiu de uma solicitação dos próprios profissionais, registrada entre as deliberações do VII Congreso Nacional de Psicologia (CNP), realizado em 2010.

Além de estreitar a relação da sociedade com o CFP, a Ouvidoria permite também que o cidadão e os psicólogos participem do controle de qualidade dos serviços prestados pela entidade. 
 
O contato pode ser feito das seguintes formas:

- por telefone, gratuitamente e de qualquer parte do país pelo  0800 642 0110;

- por email (ouvidoria@cfp.org.br); 

- pessoalmente, na sede do CFP, em Brasília-DF (Setor de Autarquias Federais Sul, Quadra 2, Bloco B, CEP 70.070- 600); 

- por carta, para o endereço do CFP; 

- por Fax (61 21090150).

Ouçam com atenção...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Diferentes GerAções



O convívio entre as gerações é marcado pela estranheza e às vezes pela incompreensão; alguns gostam do que está diferente enquanto outros reclamam exatamente porque algo mudou. Em todas as épocas, entretanto, podemos observar vantagens e desvantagens; e mudanças em relação a outras épocas que podem significar avanços ou retrocessos, dependendo dos valores que sejam usados como referência para avaliar. 

Hoje, por exemplo, os cidadãos homossexuais, bissexuais e transgêneros têm muito o que comemorar das mudanças conquistadas na sociedade nas últimas décadas, que lhes trouxeram mais liberdade e respeito aos seus direitos, mesmo ainda havendo muito o que se transformar para garantir a dignidade integral de tais indivíduos e grupos. Isto, do ponto de vista dos direitos universais garantidos pela “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, entre outros valores, crenças e políticas que os valorizem. Porém, existem também outras linhas de pensamento, como determinadas crenças religiosas, que podem entender tais mudanças como maléficas. A diversidade humana permite que uma mesma coisa possa ser vista como positiva e negativa.

Mas as dificuldades de relacionamento entre as pessoas de diferentes gerações podem também ser causadas, ao contrário do que se pode pensar com mais frequência, pelas semelhanças entre pais e filhos, avós e netos.

Não é difícil observar dentro (e fora) do consultório histórias de filhos(as) que se magoam com pais/mães magoados(as); netos(as) que guardam rancor de avôs/avós rancorosos(as); teimosia batendo de frente com teimosia; atitudes infantis de filhos(as) que causam e/ou são causadas pela infantilidade emocional da mãe, do pai; etc.

E os(as) filhos(as), às vezes por manterem a inocência da crença de que estes familiares mais velhos são superiores a ele/ela, não enxergam o quanto estes enfrentam também seus próprios problemas. E/ou por estarem mergulhados(as) em suas próprias emoções e culpas, podem não perceber que as dificuldades também estão do lado de lá, e não só do lado de cá.  

Hoje é comum pessoas idosas ficarem deprimidas e precisarem fazer terapia, uma prática que na época de suas juventudes não era habitual. A visão que se tinha de que psicólogo era pra “doido” ou pra gente fraca, ainda persiste em algumas mentalidades, não só nas pessoas que hoje estão na terceira idade. 

Respeitando o tempo e o modo de cada um lidar com suas dificuldades, nós só podemos fazer nossas próprias escolhas. Sabemos que os membros de uma família se influenciam mutuamente, mas é possível viver bem entre as diferenças e semelhanças de quem se convive, a partir do momento que você toma a responsabilidade sobre si, e só sobre si; identificando o que é seu, o que é do outro, e o que você escolhe ser e fazer... para ficar bem, primeiramente, com você. Porque quem está bem consigo se relaciona melhor com os outros. :)

Camila Sousa de Almeida

Chove, chuva!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

UBUNTU

Um antropólogo estudava os usos e costumes de uma tribo na África, e porque ele estava sempre rodeado pelas crianças da tribo, decidiu fazer algo divertido entre elas; Conseguiu uma boa porção de doces na cidade e colocou todos os doces dentro de um cesto decorado com fita e outros adereços, e depois deixou o cesto debaixo de uma árvore.

Aí ele chamou as crianças e combinou a brincadeira, que qu...ando ele dissesse “já”, elas deveriam correr até aquela árvore e o primeiro que agarrasse o cesto, seria o vencedor e teria o direito de comer todos os doces sozinho.

As crianças se posicionaram em linha, esperando pelo sinal combinado.

Quando ele disse “Já!”, imediatamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo juntas em direção do cesto. Todas elas chegaram juntas e começaram a dividir os doces, e sentadas no chão, comeram felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e indignado perguntou por que elas tinham ido todas juntas, quando só uma poderia ter tido o cesto inteiro.

Foi ai que elas responderam: - “UBUNTU!!!” “Como um só de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?“

UBUNTU significa: - “EU SOU, PORQUE NÓS SOMOS!” 
 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Carneval


Li na internet uma matéria sobre a “beijação” no carnaval, tratando o assunto de uma forma assustadoramente naturalizante! É inegável que, no Brasil, este é um hábito comum entre os jovens (às vezes também entre os muiiiito jovens e os não tão jovens assim), mas a alta freqüência de um tipo de comportamento não o torna sinônimo de natureza ou saúde, apenas de vulgaridade – ou seja, de um costume popular. 

E tudo que se manifesta de forma massiva na população está refletindo os valores que estão formando os indivíduos; estes, por sua vez, formam a sociedade do presente e do futuro. Abordar este assunto sem a devida seriedade contribui para a manutenção dessa normalização da superficialidade, a qual está criando nas pessoas uma atitude interna de desvalorização de si mesmas e, consequentemente, dos outros – cada um com seus corpos, mentes e sentimentos (relativos a um ser humano, e não a um objeto).

Os perigos à saúde física dessa prática carnavalesca, que se extende pelo ano todo, são fáceis de listar; mas as conseqüências que abrangem os aspectos sociais, psicológicos, emocionais e espirituais envolvidos, não podem ser calculadas... entretanto, não chegam nem a ser um risco, pois estes já são pontos automaticamente afetados. 

Ninguém quer sair emprestando a sua roupa preferida para um monte de gente, né?! E por que faria isso com a única que tem para “vestir sua alma”?

Camila Sousa de Almeida 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Escreva aqui o seu título


Todos nós temos a capacidade de criar instrumentos e, modéstia à parte, somos muito bons nisso! Pra mim, um dos mais úteis já inventados pela humanidade foi a escrita: facilita a transmissão e permanência de aprendizados, permite a comunicação à distância e, para alguns, pode servir até de companhia, deixando certos momentos menos solitários.

Que seriam de alguns indivíduos se não pudessem escrever? Não para os outros, mas para si mesmos. Tem coisas que só depois de colocadas no papel é que são realmente enxergadas pela própria pessoa que fala... que sente... que pensa... que faz... que falta... Na falta de alguém com quem se possa (ou se queira) conversar sobre coisas íntimas ou profundas, você sempre terá a si mesmo. E isso se torna visível para você na sua escrita. 

Quando escreve para si mesmo está se transformando num Eu Maior: você fala e escuta; você é mais do que você mesmo, pois se expande nesse ato que lhe desloca de um lado para outro – do papel e do mundo. Você se vê de fora, a partir de dentro, e descobre que pode não ter respostas, mas com certeza vai se entender. Porque quem escreve sabe o que quer dizer. Ou não sabe, mas, de qualquer forma, a chance de ser seu próprio leitor lhe dá uma compreensão diferente do que você pensou. 

E melhor ainda é saber que pode fazer isso até quem é analfabeto e não sabe escrever com letras; faz com esculturas, com pinturas, com desenhos, com todas as formas que a criatividade possa imaginar!

Criando sem expectativas de reações alheias, estará criando-se... e recriando aquilo que lhe impulsionou a escrever, seja com letras ou não. 

Dentro (e fora) do ser humano nada permanece quieto, tudo dá origem à outra criação. E assim vamos transformando uma coisa em outra... assim, o que poderia ser “sozinho”, se torna um caminho de autocompreensão... 

Camila Sousa de Almeida 
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