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Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)

sábado, 6 de outubro de 2012

Tô ligada!



Quando eu era pequena não entendia porque uma pessoa que quebrou o braço não podia jogar futebol; ficava me perguntando o que o braço engessado tinha a ver com o movimento das pernas, afinal era com elas que se jogava!

Hoje, com um dente arrancado, precisando repousar completamente, experimento na prática a compreensão de que tudo em nós é conectado...

Camila Sousa de Almeida

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

“Cada um sabe onde o sapato aperta”


"Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos."

Carl Jung

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Os lírios que crescem nos jardins

No meu jardim, em meio às orquídeas plantadas na terra, cresceu espontaneamente uma planta com umas folhas de um verde super bonito, que ninguém chamado de gente plantou. Uma vez saí de lá numa sexta-feira e uma folha dela estava com uns 5cm; mas quando cheguei na segunda ela havia crescido praticamente o dobro! Levei um susto, mas fui percebendo que é assim mesmo... Hoje estava regando as plantas e observei que a outra folha cresceu mais ou menos 2cm de ontem pra hoje. Que fantástico isso, né?! Cresce tão rápido... e a gente nem vê o movimento, só percebe depois que está visivelmente crescida. Eu fiquei me perguntando por que ela não faz isso na nossa frente! Parece que faz escondida, pra nos surpreender... Uma amiga me disse que se chama lírio, mas talvez tenha outros nomes...

Camila Sousa de Almeida

sábado, 29 de setembro de 2012

Uma viagem



Impedidos de entrar em bando, escaparam pra dentro feito um assalto. Não falaram nada que não fosse por gestos: “você ali, ele lá, aquele acolá”. Parecia uma banda de música nova dando suas coordenadas. 

Criaram o ambiente propício, sem cotoveladas, e foram pra ponta da varanda, onde se via a lua... dentro, mas fora. 

Aplaudiram a si mesmos com entusiasmo e fizeram festa em dia de semana. Não eram mais do que eles mesmos. Estavam sós, naquilo que alguns chamavam de inteiro, mas por serem pacíficos, trocavam brigas por beijos. 

Quem eram eles? Os elementos de um cesta sem feira; partes de sua mente. Consciente e inconsciente: uma mente perfeita. 

Camila Sousa de Almeida

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

"A Bruxa do Bem"



Ontem assisti pedaços de um filme de sessão da tarde, desses bem sessão da tarde mesmo, chamado “A Bruxa do Bem”. De uma forma light ele expôs um assunto muito sério. Vou relatar: um menino de mais ou menos 12 anos de idade estava sendo ameaçado na escola por outro, “o valentão”, que roubava seu lanche e, na falta de lanche, queria dinheiro. O menino estava se submetendo a isso, até que “o valentão” passou a ameaçar sua irmã também, e aí o menino manifestou pela primeira vez (o que me pareceu, mesmo sendo a primeira cena do filme que vi) uma reação de defesa. Reagiu, mas apanhou e caiu. 

O tal menino procurou o avô para aprender boxe com ele, mas o avô sugeriu que ele pedisse ajuda do pai. Não sei por que, mas ele não queria pedir ajuda do pai para isso, então deixou essa idéia pra lá. Foi procurar ajuda com a tal “bruxa” que havia chegado há pouco tempo na cidade, na loja em que vendia “instrumentos de magia”, tais como pedras, máscaras...

Pediu a ela um antídoto para transformar alguém em sapo. Compreendendo a situação, ela lhe disse que na verdade só precisaria de algo que transformasse a pessoa em algo menos ameaçador... Explicou que seria difícil, e que ia necessitar da ajuda dele: deu-lhe uma pedra (acho que uma drusa de ametista) e disse para ir até a casa do “valentão”; depois dar um jeito de apresentar ele ao seu pai e fazê-lo tocar na pedra, antes de devolver a ela. Ele perguntou, espantado: “mas como eu vou fazer tudo isso?!” Ela disse que não sabia como, mas que ele precisaria de muita coragem...

Chegando à casa do “valentão”, o menino, escondido, viu uma cena: o filho apanhando do pai, que gritava para ele esvaziar os bolsos. O filho chorava e dizia que não tinha nada. Quando o pai foi embora, “o valentão” ficou chorando até que viu o menino lhe olhando; e aí instantaneamente seu olhar passou de vítima indefesa para olhar de agressor... Foi brigar com o menino, que disse que estava ali porque pensou que podiam brincar juntos! “Ou você é muito burro ou tem muita coragem”, disse “o valentão”. E eles foram para a casa do menino brincar.

Em casa, o menino apresentou o outro ao pai, e depois foi contar a ele a situação do amigo: o pai dele era alcoólatra e o deixava sozinho, muitas vezes sem comida... A mãe os havia abandonado quando ele tinha por volta de seis anos. O pai do menino prometeu tentar ajudar. Assim, os meninos se tornaram amigos de verdade e a pedra foi devolvida à “bruxa” com a resposta de que não precisava mais daquela ajuda dela...

Enquanto isso, as pessoas da cidade tentavam de todo jeito expulsar “a bruxa” da cidade, comandados pela “primeira-dama”, que fez até uma reunião com as mulheres para planejarem uma estratégia para alcançar tal objetivo. Dois adolescentes acabaram pichando o muro da loja dela, mas foram pegos pela polícia. E quem diria, eram os filhos do prefeito. 

Na delegacia, a “primeira-dama” chega achando um absurdo tratarem os filhos dela como presos normais, exigindo regalias. O prefeito chega logo depois, e o policial manda que eles sejam fichados e presos normalmente, mas “a bruxa” diz que não prestará queixa, pois não quer prejudicar a vida deles. O pai dos jovens diz que eles limparão tudo que fizeram e que pagarão todos os prejuízos causados, mas a mãe protesta, achando tudo um absurdo. O pai se impõe e lhe diz: “todo esse seu ódio e desejo de vingança transformou nossos filhos em delinqüentes!”. 

Pais que foram filhos... filhos que serão pais... crianças, adolescentes, adultos, idosos: gente como a gente, que aprende.

Camila Sousa de Almeida

Economia Sagrada




*O áudio está em inglês, mas você tem a opção de ativar as legendas.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Contador de Histórias




Os Contadores de Histórias da América Nativa são os guardiães de nossa história e de nossas Sagradas Tradições. Cabe a eles conservar vivos os nossos antigos conhecimentos para assegurar a futura expansão que nossos filhos trarão à Terra. Os Contadores de Histórias viajavam entre os grupos e as Tribos das diversas Nações, levando as notícias dos acontecimentos que afetavam a todos os Nativos. O Contador de Histórias costumava contar os fatos que aconteciam em outros acampamentos, ao redor da fogueira comunitária, depois do jantar. O Contador de Histórias falava de atos heróicos, da Contagem de Golpes sobre algum inimigo, de um Sonho de Cura que profetizasse futuros acontecimentos, de Histórias de Sabedoria que conservavam viva a Tradição ou, ainda, trazia as últimas notícias acerca de nascimentos e de mortes nas Tribos. 

Os Índios das Planícies costumavam chamar seus Contadores de Histórias de Cabelos Trançados. Esses Contadores de Histórias usavam uma pequena mecha com tranças e nós, que lhes caía pelo meio da testa e que os caracterizava como professores e historiadores da Tribo. Um Cabelo Trançado do sexo masculino não precisava participar das batalhas, mas deveria observar tudo e recordar-se mais tarde, passo a passo, do desenrolar da luta. Já um cabelo trançado do sexo feminino era a historiadora que mantinha viva a tradição feminina e que deveria ensinar as mulheres mais jovens a sentir orgulho de seus respectivos papéis dentro da Tribo. 

Os Contadores de Histórias de todas as Tribos e Nações constroem uma ponte entre os ensinamentos tradicionais e o momento presente. As crianças de todas as gerações aprendem as lições tradicionais que Os Contadores de Histórias ensinam e aplicam estas Histórias de Sabedoria às suas próprias vidas. Também os pais e avós costumavam contas as Histórias de Sabedoria para as suas crianças, todas as noites, na hora de colocá-las debaixo dos mantos de Búfalo para dormir. Mas isto não produzia o mesmo efeito que a chegada do Contador de Histórias da Nação, que visitava as Tribos regularmente para contar suas histórias às crianças. 

As Histórias de Sabedoria costumavam ser contadas e recontadas ano após ano para que os Ensinamentos do Povo permaneçam vivos. Cada história possui diversos significados e relaciona-se de formas diferentes à vida de cada pessoa. A cada vez que uma história é repetida, cresce o nível de entendimento, de acordo com o amadurecimento das pessoas que estão escutando. Os mesmos acontecimentos dentro de uma história também podem ser repetidos inúmeras vezes, de maneira diferente, para que cada ouvinte possa perceber de que modo aquela história se adapta melhor ao seu próprio momento de vida. 

O modo de pensar do Povo Vermelho difere bastante do modo de pensar dos outros povos. Nós não costumamos revelar qual é a verdadeira mensagem contida em nossas Histórias de Sabedoria. Preferimos deixar que as pessoas utilizem os seus dons individuais de intuição e observação para perceber o significado real dessas histórias. Assim, os ensinamentos da Raça Vermelha são transmitidos de forma que cada um possa aprender conforme o seu próprio ritmo e seu próprio modo de ser, dando liberdade a que cada pessoa aplique ou não estes ensinamentos à sua vida.

Os Contadores de Histórias aprendiam a respeitar a liberdade de pensamento de todos aqueles que iam em busca de sua Sabedoria. Desta maneira as crianças aprendiam a valorizar a própria inteligência e sentiam que eram membros respeitados de sua Tribo. O Contador de Histórias considerava cada criança como uma pessoa igual a ele, e colocava-se no mesmo nível dela. Se as crianças agissem de forma tola ou começassem a perturbar o grupo, eram simplesmente ignoradas, e fingia-se que elas nem mesmo estavam ali presentes. A falta de reconhecimento e de atenção logo punha fim ao mau comportamento. O Contador de Histórias conseguia passar dias seguidos fingindo que não via nem ouvia determinada criança. Esta forma de disciplina era muito mais eficiente do que o castigo corporal porque a criança se sentia envergonhada diante das outras crianças também. 

A memória ocupa um lugar especial em nossa Tradição Nativa Americana. Como as nossas histórias são transmitidas oralmente, a lembrança é cultivada como uma arte. Cada uma das ervas, plantas ou flores empregadas no processo de cura deve ser lembrada para as futuras gerações. Cada dança, Cerimônia, ritual, iniciação e ensinamento precisa ser guardado na memória. Todas as Leis e profecias tribais devem ser repassadas intactas para as futuras gerações. Os Golpes e as perdas precisam ser recordados para que se possam armar futuras estratégias. É claro que uma única pessoa não poderia recordar-se sozinha de todas essas coisas, ou tornar-se uma especialista em todos esses assuntos. É por isso que os diversos Clãs possuíam historiadores que guardavam a história oral de uma determinada área de conhecimento em sua memória. Estes fragmentos dos Ensinamentos Tribais eram repassados para a própria geração e cada pessoa recordava-se de um fragmento que fazia parte dos aspectos gerais da cultura nativa.

O Contador de Histórias da Tribo tinha um posto no Conselho de Anciões. Sendo um historiador, o Contador de Histórias era convocado a contar os fatos passados com total precisão para que estes acontecimentos ajudassem a solucionar os presentes problemas. Os Cabelos Trançados ensinavam a forma de viver de maneira equilibrada através das ações dos personagens das Histórias de Sabedoria. Uma História de Sabedoria, contada de maneira adequada, podia acabar com as discussões, mudar o curso de uma vida, insuflar novo ânimo em épocas difíceis ou ainda encorajar os jovens a assumir novas responsabilidades na vida. 

O Contador de Histórias possuía o dom de contar Histórias de Sabedoria nas quais as pessoas agiam levadas pelo medo ou pela ignorância, sem, no entanto, referir-se a alguma pessoa em particular. Assim, os ouvintes se tornavam capazes de chegar às suas próprias conclusões. Todos os Sábios Nativos preferem ensinar por meio de histórias a apontar diretamente os defeitos de alguém. Em nossos Ensinamentos sempre nos recordam que, quando apontamos o dedo acusando alguém, três outros dedos estarão apontados contra nós. Por outro lado, o Contador de Histórias consegue, com sua técnica, indicar delicadamente os pontos em que estamos errados, permitindo-nos corrigir nosso comportamento, sem ter que passarmos vergonha na frente dos companheiros. Esta é uma forma didática de permitir que cada pessoa decida como aplicar as histórias ouvidas em sua própria vida.


Trecho retirado do livro “As Cartas do Caminho Sagrado – A Descoberta do Ser Através dos Ensinamentos dos Índios Norte-Americanos”, de Jamie Sams.

sábado, 22 de setembro de 2012

Reclamando, reclamando... voltando a clamar!

Carina reclamava da vida. Minto, reclamava do que não tinha. Assim, ocupava seu tempo e gastava sua energia. Um dia, na sala de espera de um consultório médico ou psicológico, ela sentou ao lado de uma senhora - pra não dizer velha - que só fazia reclamar. 

Alguns chamariam isso de lei da atração, outros de boa ou má sorte, e alguns outros não chamariam de nada. Afinal, a gente só chama o que quer chamar. Ou não?

De qualquer forma, Carina passou horas ouvindo e vendo o que ela não desejava para si: dificuldades para fazer as coisas mais simples, como caminhar, sentar, levantar, enxergar... Pensou que tudo isso a aguardava no futuro ou na velhice, e pela primeira vez percebeu o quanto era bom fazer o que fazia, com tanta facilidade, e todos os dias ainda por cima! Como não havia percebido antes?!

O prazer e a graça escondidos surgiram, como se fosse o sol tentando entrar diariamente pelas janelas da casa que ela só agora abrira. Sentiu-se grata, aproveitando o presente que supostamente amanhã acabaria... 

Concluiu que o momento da vida que estava vivendo era o melhor. Mas, mal sabia ela tudo que saberia lá na frente... quando o amanhã se tornasse presente... mal sabia tudo que teria aprendido a apreciar profundamente, e quantos prazeres sentiria, só quando chegasse lá...

Camila Sousa de Almeida


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