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Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

No meio do caminho não tinha uma pedra



 
Na época de Drummond tinha uma pedra no meio do caminho. Hoje, quando caminho, encontro buracos. Muitos, por todos os lados! Passo por uma banca de revistas e vejo uma manchete de jornal: “Pai estupra filha em pleno dia das crianças!” Como?! Quer dizer que se fosse outro dia do ano seria menos absurdo??? Como diz um velho amigo, é uma falta de absurdo... Antes a pedra do que a falta dela, ou seja, o buraco. 

Por que somos bons atletas quando se trata de fugir do esforço? Ficamos acomodados quando temos à disposição um carro; esquecemos que temos pernas! Elas existem, e se existem, não é por acaso. E não é porque sejam vingativas não, mas se não lembrarmos muito delas, elas também nos esquecerão; com razão de não fazer questão de serem boas na hora que a gente precisar de uma forcinha. Beber ou comer algo estragado nos faz passar mal, mas vômito não é castigo; é a natureza seguindo sua ordem em busca da natural harmonia.

Nesse trecho de menos de meia hora de caminhada senti que é muito menos arriscado não desviar do catador de lixo bêbado do que do estranho engravatado. Porque, como concluiu meu primo em sua sabedoria, é melhor ter certeza de uma verdade feia, é melhor uma sincera futilidade... Perigoso é não saber. Pior é a incerteza do que o outro pensa e quer de você.

A falta, o escondido, o comodismo e outras barbaridades modernas são reflexos de alguma coisa que estamos chamando de sociedade. Na realidade o que parece é que nos tornamos sócios falidos de uma catástrofe natural encomendada. Mas, felizmente, pernas também fazem pensar. As danadinhas sempre nos levam a algum lugar...

Camila Sousa de Almeida

domingo, 7 de outubro de 2012

As viagens da viagem





Uma viagem, qualquer que seja, começa muito antes de você sair do lugar. O ponto de início é na sua cabeça: quando você pensa, decide e planeja ir. Independente da ordem que isso aconteça, antes de ir você tem que comprar a passagem (ou revisar o carro, a bicicleta, etc) e a partir daí o seu dia-a-dia começa a ser adaptado aos novos gastos que você fez e/ou está fazendo e fará. Pode ser que você tenha que abrir mão de outras coisas por ela. Aí, a viagem já mudou a sua vida, mesmo antes de acontecer de fato. 

Provavelmente você conhecerá pessoas nesse processo ou entrará em contato com conhecidos/parentes que talvez não fale há muito tempo. A viagem lhe aproxima das pessoas mesmo sem encontrá-las pessoalmente. 

Uma das partes que acho mais divertida é fazer a mala! Parece que toda a viagem, em algum plano, é feita neste momento: você escolhe as roupas que vai levar pensando no clima, nos programas, nas pessoas, nos lugares, na praticidade, no espaço, na hospedagem, no tempo... Você vai imaginando tudo, para utilizar bem as suas malas e sacolas com aquilo que realmente vai valer a pena ser carregado. Acessórios, produtos de higiene, calçados, documentos necessários... Tem que escolher o que vai e o que fica, não tem jeito. E pra tomar as decisões é preciso saber imaginar, sendo realista ao mesmo tempo.

E nisso, você acaba redescobrindo suas coisas... Tem roupa que há muito tempo você não usa e pode resolver levar, seja pelo clima diferente de onde vive, seja pela oportunidade de ser diferente em outro lugar... Parece que é mais fácil mudar junto com outra mudança, né?! O melhor da viagem é mesmo aproveitar.

Mas pra viajar tranquil@ você tem que pensar também no que está deixando. O que há para se resolver? Adiar ou adiantar compromissos, pagar contas, arrumar quem regue suas plantas... Você aprende a se organizar de uma forma diferente, sair da rotina. A viagem, antes mesmo da ida, já é uma vida extra-cotidiana...

Então em algum momento, “finalmente”, chega a hora da viagem, que já começou há muito tempo... Você se transforma no próprio movimento; o corpo acompanha a mente. E lá, a viagem é diferente das suas viagens. A volta é quase sempre mais rápida, e a bagagem nunca volta a mesma. Às vezes volta mais leve, às vezes mais pesada, mas sempre volta mais cheia...

Camila Sousa de Almeida

A semelhança entre distintos


sábado, 6 de outubro de 2012

Tô ligada!



Quando eu era pequena não entendia porque uma pessoa que quebrou o braço não podia jogar futebol; ficava me perguntando o que o braço engessado tinha a ver com o movimento das pernas, afinal era com elas que se jogava!

Hoje, com um dente arrancado, precisando repousar completamente, experimento na prática a compreensão de que tudo em nós é conectado...

Camila Sousa de Almeida

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

“Cada um sabe onde o sapato aperta”


"Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos."

Carl Jung

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Os lírios que crescem nos jardins

No meu jardim, em meio às orquídeas plantadas na terra, cresceu espontaneamente uma planta com umas folhas de um verde super bonito, que ninguém chamado de gente plantou. Uma vez saí de lá numa sexta-feira e uma folha dela estava com uns 5cm; mas quando cheguei na segunda ela havia crescido praticamente o dobro! Levei um susto, mas fui percebendo que é assim mesmo... Hoje estava regando as plantas e observei que a outra folha cresceu mais ou menos 2cm de ontem pra hoje. Que fantástico isso, né?! Cresce tão rápido... e a gente nem vê o movimento, só percebe depois que está visivelmente crescida. Eu fiquei me perguntando por que ela não faz isso na nossa frente! Parece que faz escondida, pra nos surpreender... Uma amiga me disse que se chama lírio, mas talvez tenha outros nomes...

Camila Sousa de Almeida

sábado, 29 de setembro de 2012

Uma viagem



Impedidos de entrar em bando, escaparam pra dentro feito um assalto. Não falaram nada que não fosse por gestos: “você ali, ele lá, aquele acolá”. Parecia uma banda de música nova dando suas coordenadas. 

Criaram o ambiente propício, sem cotoveladas, e foram pra ponta da varanda, onde se via a lua... dentro, mas fora. 

Aplaudiram a si mesmos com entusiasmo e fizeram festa em dia de semana. Não eram mais do que eles mesmos. Estavam sós, naquilo que alguns chamavam de inteiro, mas por serem pacíficos, trocavam brigas por beijos. 

Quem eram eles? Os elementos de um cesta sem feira; partes de sua mente. Consciente e inconsciente: uma mente perfeita. 

Camila Sousa de Almeida

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

"A Bruxa do Bem"



Ontem assisti pedaços de um filme de sessão da tarde, desses bem sessão da tarde mesmo, chamado “A Bruxa do Bem”. De uma forma light ele expôs um assunto muito sério. Vou relatar: um menino de mais ou menos 12 anos de idade estava sendo ameaçado na escola por outro, “o valentão”, que roubava seu lanche e, na falta de lanche, queria dinheiro. O menino estava se submetendo a isso, até que “o valentão” passou a ameaçar sua irmã também, e aí o menino manifestou pela primeira vez (o que me pareceu, mesmo sendo a primeira cena do filme que vi) uma reação de defesa. Reagiu, mas apanhou e caiu. 

O tal menino procurou o avô para aprender boxe com ele, mas o avô sugeriu que ele pedisse ajuda do pai. Não sei por que, mas ele não queria pedir ajuda do pai para isso, então deixou essa idéia pra lá. Foi procurar ajuda com a tal “bruxa” que havia chegado há pouco tempo na cidade, na loja em que vendia “instrumentos de magia”, tais como pedras, máscaras...

Pediu a ela um antídoto para transformar alguém em sapo. Compreendendo a situação, ela lhe disse que na verdade só precisaria de algo que transformasse a pessoa em algo menos ameaçador... Explicou que seria difícil, e que ia necessitar da ajuda dele: deu-lhe uma pedra (acho que uma drusa de ametista) e disse para ir até a casa do “valentão”; depois dar um jeito de apresentar ele ao seu pai e fazê-lo tocar na pedra, antes de devolver a ela. Ele perguntou, espantado: “mas como eu vou fazer tudo isso?!” Ela disse que não sabia como, mas que ele precisaria de muita coragem...

Chegando à casa do “valentão”, o menino, escondido, viu uma cena: o filho apanhando do pai, que gritava para ele esvaziar os bolsos. O filho chorava e dizia que não tinha nada. Quando o pai foi embora, “o valentão” ficou chorando até que viu o menino lhe olhando; e aí instantaneamente seu olhar passou de vítima indefesa para olhar de agressor... Foi brigar com o menino, que disse que estava ali porque pensou que podiam brincar juntos! “Ou você é muito burro ou tem muita coragem”, disse “o valentão”. E eles foram para a casa do menino brincar.

Em casa, o menino apresentou o outro ao pai, e depois foi contar a ele a situação do amigo: o pai dele era alcoólatra e o deixava sozinho, muitas vezes sem comida... A mãe os havia abandonado quando ele tinha por volta de seis anos. O pai do menino prometeu tentar ajudar. Assim, os meninos se tornaram amigos de verdade e a pedra foi devolvida à “bruxa” com a resposta de que não precisava mais daquela ajuda dela...

Enquanto isso, as pessoas da cidade tentavam de todo jeito expulsar “a bruxa” da cidade, comandados pela “primeira-dama”, que fez até uma reunião com as mulheres para planejarem uma estratégia para alcançar tal objetivo. Dois adolescentes acabaram pichando o muro da loja dela, mas foram pegos pela polícia. E quem diria, eram os filhos do prefeito. 

Na delegacia, a “primeira-dama” chega achando um absurdo tratarem os filhos dela como presos normais, exigindo regalias. O prefeito chega logo depois, e o policial manda que eles sejam fichados e presos normalmente, mas “a bruxa” diz que não prestará queixa, pois não quer prejudicar a vida deles. O pai dos jovens diz que eles limparão tudo que fizeram e que pagarão todos os prejuízos causados, mas a mãe protesta, achando tudo um absurdo. O pai se impõe e lhe diz: “todo esse seu ódio e desejo de vingança transformou nossos filhos em delinqüentes!”. 

Pais que foram filhos... filhos que serão pais... crianças, adolescentes, adultos, idosos: gente como a gente, que aprende.

Camila Sousa de Almeida

Economia Sagrada




*O áudio está em inglês, mas você tem a opção de ativar as legendas.
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