Minha foto
Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O homem em contato com sua alma




A idéia de escrever sobre o assunto foi o ponto de partida para um mergulho interior, já que praticá-lo se faz pré-requisito para teorizá-lo. Assim como no exemplo de Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra suíço que diferenciou-se da Psicanálise de Freud – dominante na época – e criou a Psicologia Analítica (ou Jungiana) a partir de um contato mais profundo consigo mesmo. 

E por que entrar em contato consigo mesmo é entrar em contato com a nossa alma? Porque, independente de religião ou crenças, utilizamos a palavra alma nos referindo à essência, àquela parte primordial da qual depende todo o resto da experiência do ser – humano ou não. É da alma aquilo que é íntimo, profundo, central, assim como o pedaço de madeira ou metal entre a sola e a palmilha de um sapato. 

Complexa, nossa alma é um mundinho próprio que determina como percebemos o mundo ao nosso redor;  um verdadeiro infinito particular, como diria Marisa Monte.  

Milton Erickson (1901 – 1980), outro grande psiquiatra, criador da Hipnose Moderna e da Psicoterapia Breve Estratégica, ensinou que todos temos dentro de nós tudo o que precisamos para solucionar nossos problemas – o que nós chamamos de Parte Sábia. Podemos atingir esses recursos e informações acessando o nosso inconsciente, assim como Erickson o compreendia: um baú dos tesouros. Tudo o que vivenciamos, todas as nossas experiências e o que absorvemos delas são armazenadas e nós nunca chegamos a conhecer todo esse conteúdo. Por isso às vezes nos surpreendemos com uma idéia genial surgida justamente nos momentos de descontração, quando não estávamos nos esforçando em raciocinar sobre aquilo. Diferentemente do que costumamos valorizar no dia-a-dia, o inconsciente funciona através do simbólico, do artístico e integrativo. E ora se não é exatamente os meios por quais entramos em contato com a nossa alma! Somos realmente tocados por aquilo que é capaz de nos reunir no aqui e agora, nos re-unir com nós mesmos; juntar tudo aquilo que Eu Sou e estar naquele momento por inteiro:  “de corpo e alma”.

Para entrar em contato com a nossa alma não precisa muito, basta ouvir uma música que gostamos de olhos fechados; cantar como se a voz fosse um filho a nascer; “dançar como se ninguém estivesse olhando”; ler um poema e sentí-lo ao ponto de achar que é seu; apreciar uma obra-de-arte – que é tudo e todos que lhe dilata as pupilas; olhar nos olhos e ouvir o silêncio... enfim, cada um sabe como chegar a si, pois cada um é dono do seu próprio caminho. E vários são os caminhos para se chegar a um mesmo destino...

Além do desfrute, todos os exemplos acima citados podem levar a pessoa a um estado alternativo de consciência. Hipnose é antes de tudo um momento de contato consigo mesmo. Para Erickson toda hipnose é um auto-hipnose; mesmo sendo conduzido, entregar-se depende completamente de você, e é o seu Eu quem definirá o rumo a seguir. 

Esse Eu, na Teoria Jungiana, é representado pela palavra Self, que é o centro da personalidade, a qual se estrutura em diferentes sistemas que inter-relacionam-se, a saber: o ego, o inconsciente pessoal e seus complexos, e o inconsciente coletivo e seus arquétipos, a anima e o animus e a sombra, além das atitudes de introversão e extroversão e as funções do pensamento, sentimento, sensação e intuição. 

Sem entrar em detalhes sobre cada um desses sistemas, podemos esclarecer alguns pontos. O ego pode ser compreendido como o centro da consciência; uma parte da personalidade total que, influenciada pelo Self, tem a tarefa de equilibrar as necessidades deste com as exigências do mundo externo. Exigências essas que dão origem à persona: a máscara assumida por nós que facilita o convívio social. Tal como uma roupa que vestimos de acordo com o evento, as máscaras podem variar dependendo do papel esperado de nós. A capacidade de adaptação é uma virtude, portanto o perigo está quando o indivíduo limita-se ao ponto de identificar-se com a persona e esquecer Quem Realmente É. A alma humana não é limitada: é dinâmica e criativa; pulsa, vibra, transforma-se e provoca transformações.   

Para Jung, a psique – totalidade dos processos psíquicos, conscientes e inconscientes – (do grego psykhé = alma) caminha sempre na direção do seu próprio centro, da unicidade, o que é chamado de individuação. Este processo de conhecer a si mesmo e integrar-se novamente não ocorre linearmente, e é uma busca constante, como as águas de um rio sempre a fluir em direção ao oceano. 

O homem tem mantido uma concepção de mundo dividido em polaridades, como se tudo devesse (e como se pudesse) ser apenas preto ou branco; ser bom ou mau; ser ou isso ou aquilo. Entretanto, onde há luz há sombra e tudo que existe pressupõe a antítese. Observe-se no espelho e atente para o fato de que a sua imagem refletida naturalmente está com os lados trocados... A sombra descrita por Jung reflete justamente aquilo que a personalidade não expressa conscientemente, e que mesmo assim existe, para torná-la possível. É o contrapeso que equilibra a balança do ser. 

Similarmente, dentro de todos nós convivem polaridades que se complementam: a anima e o animus. O homem, que expressa conscientemente o lado masculino da sua personalidade, também possui dentro de si o seu lado feminino; e vice-versa. Permitir-se uma integração de ambos é deixar aflorar a plenitude da sua sabedoria. Pois, assim como o lado direito e o lado esquerdo do cérebro absorvem e processam as informações de modos diferentes, o homem e a mulher funcionam de forma diversa e ambos têm muito a aprender e ensinar um ao outro. É a união dos diferentes saberes que faz a sabedoria. Então aquela Parte Sábia talvez não seja uma “parte”, mas sim a união no Todo. Ou não?

Os hemisférios cerebrais são delimitados e têm seus próprios modos de funcionar, mas trabalham em conjunto. Fisicamente, há um órgão que faz a ligação entre eles: o corpo caloso – a possibilidade de união concretamente garantida. Normalmente há o predomínio de um lado: nos homens do hemisferio esquerdo, linear, lógico, racional; e nas mulheres do hemisferio direito, intuitivo, artístico, que reconhece as emoções e processa a integração das partes. O que falta em um, o outro preenche. Teresa Robles, uma antropóloga e psicóloga ericksoniana do México, afirma que “a Hipnose é uma linguagem especial onde se desenvolve um estado de melhor comunicação entre os dois hemisférios cerebrais”. A genialidade de Milton Erickson estava justamente na sua capacidade de utilizar ambos os lados em busca de um mesmo objetivo, de forma que observava atentamente as pessoas (sensação) e intuitivamente produzia um pensamento adequado para afetá-las (sentimento) no ponto certo. Utilizando assim equilibradamente todas as funções psicológicas descritas por Jung: sensação, intuição, pensamento e sentimento.  Além de extrair o máximo dos seus momentos de introspecção para tomar uma atitude extrovertida bem elaborada e eficaz, sempre que os outros necessitavam. 

É uma idéia bem difundida a de que utilizamos apenas uma pequena porcentagem da nossa capacidade cerebral. Provavelmente esta melhor comunicação entre os dois lados seja meio caminho andado no desenvolvimento do nosso potencial. Jung acreditava na união dos contrários a partir do que ele chamava de “função transcendente”: uma capacidade de transcender a tendência destrutiva de empurrar (ou ser empurrado) para um ou para outro lado, permitindo o confronto entre os opostos em termos iguais, numa totalidade. Isto se daria através de um símbolo, que é uma forma complexa nem racional nem irracional, mas as duas coisas  ao mesmo tempo; que aproxima consciente e inconsciente e permite uma síntese.

De acordo com Jung "um símbolo não traz explicações; impulsiona para além de si mesmo na direção de um sentido ainda distante, inapreensível, obscuramente pressentido e que nenhuma palavra de língua falada poderia exprimir de maneira satisfatória". 

A alma do homem e da mulher, tudo aquilo que ele e ela É, expressa-se plenamente por meio da linguaguem simbólica, devido a sua singular complexidade. Assim, para fechar com chave de ouro, ofereço um poema nascido do encontro com a minha alma, no processo que foi escrever este texto:

Toda. É assim que serei inteira e completa. Sendo eu no eterno vir a se tornar. Totalmente inundada e preenchida de todos os tempos do mundo, para me tornar certa de nunca ter sido outra. Por já não ter sido tantas vezes, aceito a mim. Aceito tu e vocês, elas e os outros. Todos tão calmos, mas surrupiados do Dono. Tendo seus postos alheios a serem. Para terem, não são, só sonham e tentam acreditar. Tocando-se tornam-se e voltam ao Ser Central que é universo eterno e infindável de outros, não são eu. Volto a mim. E agora posso tocar tu e mostrar que és, porque Eu Sou. 

 Camila Sousa de Almeida

*Texto escrito em janeiro de 2010. Estava guardado no meu baú... :)

Exatamente...


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Escolha e colha



A todo momento a escolha se coloca diante da gente, muitas vezes nos dando poucas opções. Há quem se interesse tanto em nos conduzir a um determinado destino que o disfarça em opções aparentemente diferentes. Entretanto, mesmo diante da ilusão de poder escolher coisas diferentes, realmente podemos.  

Você vai votar em Fulano ou Beltrano? Você vai ficar com o marido que lhe bate e paga suas contas ou solitária e sem nada? Você vai retirar o seio com câncer ou esperar morrer? Você vai pagar à vista ou no cartão?

Às vezes vou a uma festa e passa o garçom com uma bandeja de refrigerantes: quer coca ou guaraná? Pergunto: tem água? Se a resposta é sim, bebo água; se não, posso ficar sem beber nada. Ou quem sabe uma água de côco... Tem vez que dou sorte e tem. E ainda espero ficar natural a temperatura, se só tiver gelada como opção...

Camila Sousa de Almeida

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Menina MaRia

Maria era um nome comum, mas ela não era mais uma esperando no ponto para subir no coletivo. Escutava rádio e usava fones de ouvido. Mas, tão subitamente quanto a luz de um raio caindo, ela se tocou: tocar uma música que ela gostava não era o suficiente; sentia falta do ato de ficar apertando o botão várias vezes. Ou talvez não fosse nada disso. Talvez gostasse mais da busca, da procura por algo que agradasse mais ainda; mais do que o encontrar de fato. Mais na frente ela descobriria... Ouviu a música boa roçando o dedo de leve na tecla. Queria mesmo era intensidade naquele contato, a pressão é que satisfaria! Como se dentro dela tivesse uma outra a inquietar... A menina má ria.

Camila Sousa de Almeida


sábado, 1 de setembro de 2012

Aprendendo até de olhos fechados


Cérebro é capaz de aprender durante o sono

Pesquisa, realizada pela neurobióloga israelense Anat Arzi, examinou a correlação entre olfato e audição e a memória armazenada no cérebro


São Paulo - O cérebro humano tem a capacidade de captar informações novas durante o sono. Esta é a conclusão de um estudo que acaba de ser publicado por pesquisadores do Instituto Weizmann, de Israel. A pesquisa, realizada ao longo de três anos pela neurobióloga israelense Anat Arzi, examinou a correlação entre olfato e audição e a memória armazenada no cérebro. “É a primeira vez que uma pesquisa científica consegue demonstrar que o cérebro é capaz de aprender durante o sono”, declarou Arzi.
Segundo a cientista, estudos prévios já demonstraram a capacidade de bebês aprenderem enquanto dormem, mas a pesquisa recém-divulgada descobriu que o mesmo vale para os adultos.
O experimento, realizado por Anat Arzi em colaboração com o professor Noam Sobel, diretor do Laboratório do Olfato do Instituto, examinou as reações de 55 pessoas que foram expostas a sequências de sons e cheiros enquanto dormiam. As sequências, que incluiam um intervalo de 2,5 segundos entre o som e o cheiro, expunham os participantes a odores agradáveis (de perfume ou xampu) ou desagradáveis (de peixes podres ou outros animais em decomposição), de forma sistemática e sempre antecedidos por sons que se repetiam.
“A vantagem de se utilizar o olfato é que os cheiros geralmente não interrompem o sono, a não ser que sejam muito irritantes para as vias respiratórias”, explicou a cientista. Durante o experimento, os cientistas observaram sinais de que os participantes adormecidos passaram por uma “aprendizagem associativa”.
“Com o tempo, criou-se um condicionamento. Bastava que os participantes ouvissem determinado som para que a respiração deles se alterasse e se tornasse mais longa e profunda – nos casos de associação com odores agradáveis –, ou mais curta e superficial – nos casos de sons ligados a cheiros desagradáveis”, afirmou Arzi.
A cientista também relatou que as mesmas reações ocorriam na manhã seguinte, quando os participantes acordavam. Se fossem expostos a um som associado com um odor agradável, respiravam longa e profundamente.
"O fato de que as informações ficaram gravadas no cérebro e causaram reações fisiológicas idênticas, mesmo quando os participantes estavam despertos, demonstra que eles passaram por uma aprendizagem associativa enquanto dormiam", disse.
Para a pesquisadora, a descoberta pode ser “um primeiro passo no estudo da capacidade do cérebro humano de obter uma aprendizagem mais complexa durante o sono”.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Sonho De Uma Flauta


Nem toda palavra é
Aquilo que o dicionário diz
Nem todo pedaço de pedra
Se parece com tijolo ou com pedra de giz
Avião parece passarinho
Que não sabe bater asa
Passarinho voando longe
Parece borboleta que fugiu de casa
Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá
A gente parece formiga
Lá de cima do avião
O céu parece um chão de areia
Parece descanso pra minha oração
A nuvem parece fumaça
Tem gente que acha que ela é algodão
Algodão as vezes é doce
Mas as vezes né doce não
Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Hum... E o mundo é perfeito
Hum... E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito
Eu não pareço meu pai
Nem pareço com meu irmão
Sei que toda mãe é santa
Sei que incerteza traz inspiração
Tem beijo que parece mordida
Tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga
Tem briga que aparece pra trazer sorriso
Tem riso que parece choro
Tem choro que é por alegria
Tem dia que parece noite
E a tristeza parece poesia
Tem motivo pra viver de novo
Tem o novo que quer ter motivo
Tem sede que morre no seio
Tem nora que fermata quando desafino
Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais
Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Mas sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito...

O Teatro Mágico

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O Dr. Google não é especialista em você!



A internet propicia atualmente uma maior facilidade de acesso à informação, e isto também se observa no âmbito da saúde. Não apenas instituições e profissionais têm a possibilidade de disponibilizar seus textos publicamente, como qualquer pessoa que queira questionar, opinar ou informar através dos espaços virtuais.

Como absolutamente tudo, isso tem um lado positivo e um negativo: o enriquecimento das trocas diminui a ignorância, porém pode levar a alguns equívocos. Não só porque nem todas as informações são baseadas em comprovações científicas, até porque o que é considerado científico também está sujeito à falhas e mudanças. A contextualização é necessária para tornar uma “verdade” realista. Porque as verdades absolutas não existem; a diversidade, em tudo o que diz respeito ao ser humano, é que se coloca como fato concreto.

O que em um grupo é considerado doença, em outro pode ser compreendido como um dom espiritual; o que em uma família é encarado como demonstração natural de saúde, em outra é causa de incômodo e vista como um problema: como uma criança bastante ativa, por exemplo. Todos nós apresentamos características que se encaixam em sintomas de transtornos catalogados, mas isso não é suficiente para nos considerarmos “isso” ou “aquilo”. Há muito mais a se pensar...

É comum hoje as pessoas se autodiagnosticarem a partir do que lêem na internet, e isso pode ser benéfico por um lado, mas negativo por outro, como já havia dito. Encontrar um nome para o que se sente e vivencia pode trazer alívio e esperança de melhora, mas também pode acabar limitando aquilo que você acredita sobre você; colocando o foco em dificuldades, enquanto você é um Todo muito maior do que a soma dessas partes, e cheio de potencialidades.

Diante do reconhecimento de uma necessidade, o mais importante quando se procura a ajuda de um profissional é saber o que você quer mudar, superar, desenvolver. As informações podem ser utilizadas para auxiliar esta percepção, para possibilitar em vez de delimitar.

Em geral a sociedade estabelece rótulos e não há como evitá-los completamente; mas podemos aprender que ninguém é simplesmente um “depressivo”, “bipolar”, ou qualquer nome que seja. Você é você; e quem você é pode mudar, e muda constantemente. Não limite o que é naturalmente ilimitado...

Camila Sousa de Almeida

sábado, 18 de agosto de 2012

Livres feito livros


Numa floresta que (r)existia vivia uma família que era o resquício de uma cidade extinta. Viviam do seu próprio trabalho e raramente recebiam visita. Só corajosos viajantes – e não viajantes com coragem – chegavam ali, onde eles pisavam todos os dias. 

Uma tarde receberam um desses, que junto com ele um filho trazia. O menino que viajava passou o resto do dia a falar para as crianças dali sobre coisas estranhas, coisas que não existiam, que pareciam verdadeiras mentiras de tão esquisitas!

Passada a fase da lua, o menino da floresta levantou cedo com a luz do dia, e foi perguntar à mãe, que muito sabia da vida: “mãe, o que é livro?”. A mulher sorriu um sorriso de canto de boca e olhos com brilho, e disse: “livro, meu filho, é uma coisa muito bonita. É coisa, mas parece gente; fala e faz falar inteligente. É algo que alguém achou tão bom que quis compartilhar, e que chegou até você pra mostrar que você é capaz de aprender mais. Pode ser grande ou pequeno, mas sempre te deixa maior; assim como a semente e a terra, quando ele chega e recebe permissão, entra e você nunca mais será como antes”. E o filho, alegre com o que ouvira: “mãe, eu quero isso pra mim! Eu posso plantar?!”. 

A mãe disse que livro não era como espiga de milho que se colhia, mas como a canjica que dele se fazia. Prometeu então ao filho que o sabor dos livros ele iria conhecer. E que iria gostar tanto, mas tanto, ao ponto de lamber os dedos pra página virar! Pediu aos visitantes que avisassem nas cidades do caminho que ali naquela casa da floresta os livros eram bem-vindos. E a partir de então, os novos visitantes começaram a chegar, vindos de muitas origens. 

Mostrando a natureza e as partes do próprio corpo, a mãe ensinou ao filho sobre os nomes das formas escritas: uma lua crescente podia chamar de “C”; um sol redondinho chamar de “O”; uma perna, se fosse sozinha, chamaria de “I”; e assim, o menino foi aprendendo a aprender com os livros. E começou a viajar com a ajuda daqueles que viajavam, e seus filhos... 

Um dia o menino da floresta questionou: “mãe, como se faz livros? Eu posso fazer?”. E a mulher, sabiamente, respondeu: “filho, um livro é como um filho. Você pode fazer de muitas formas, mas a melhor delas, a que eu mais gosto, é com amor. Você pode fazer livro com pedaços de árvores, colocando neles seu coração. Transformada em livro, a árvore vai passar de mão em mão; e vai fazer mágica: deixar pular fora do seu peito o coração. Você tem tudo isso aqui, não tem?! Então você pode. E melhor ainda é saber que podemos continuar a plantar...”.

Camila Sousa de Almeida


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pescadores de ilusões


Mentiram. E continuam mentindo. Mulher não nasceu pra ser mãe; homem não é aquele que não chora; e ninguém precisa lutar pra ser alguém na vida naturalmente se é o que já se é de nascença.

Nos países emancipados não existe independência; homens livres são escravos; a notícia que não é noticiada não é a violência que provoca medo, mas que ela é por ele provocada.

Seres pensantes que não pensam preenchem os espaços que continuam vazios das cidades abarrotadas. A civilização hoje é um processo especializado de impedir a evolução. 

Os animais que ainda sobrevivem estão mortos, vivendo sob maltratos de exemplares – que não dão exemplo – de sua própria espécie. São eles: patrões, empregados, desempregados e outras variações de terráqueos.

Sinto não acabar com essa amarga ilusão. Não vivemos em um grande mundo redondo, mas apenas num grão de areia minúsculo do universo. Se giramos em torno de nós mesmos, estamos repetindo um disco arranhado. Não amamos: choramos e lamentamos, achando que somos injustiçados! Como se justiça fosse só uma palavra que guardaram no dicionário...

Camila Sousa de Almeida

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Oração ao Tempo




♫♪ És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos♫♪ 
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
♫♪ E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo♫♪ 
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo♫♪ 
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...♫♪ 

Caetano Veloso 

sábado, 4 de agosto de 2012

Aguar


Em um tempo passado, nas bandas de um pequeno interior, vivia uma menina que tinha medo de água. Não era um pavor que a fazia sair correndo, nem mesmo uma voz que a dizia para se afastar, mas uma espécie de entendimento imaginado que ela tinha do que seria se molhar. Ela não queria, isso era tudo que sabia. Passava então os dias sem se refrescar, sem saber como era fácil ficar limpa e sem tentar descobrir aquilo que na mente dela não existia. 

Foi então que num belo dia – porque todos os dias são belos, se assim permitimos – ela estava na rua desprevenida e caiu uma grande chuva no lugar. Grande não porque era muita, mas porque realizou um importante feito. A menina ficou em choque, sentia-se cortada em pedaços ao toque daquelas gotas terríveis! Era água, e eram várias; porque o que a modifica a torna plurificada. 

Sem suportar tamanha dor, sendo invisivelmente rasgada, correu de qualquer jeito, até avistar um lago em frente ao seu caminho, bem na direção exata. E num misto de desespero e inconsciente sabedoria, pulou para dar fim ao que sentia, achando que, afundando, a vida acabaria. 

Foi quando, de olhos fechados e completamente banhada, sentiu algo diferente de tudo o que já havia vivido. Estava mais leve, o que era aquilo?! Pensou estar morta... De certo alguém havia morrido. 

Após o pensamento conclusivo, seu corpo, que havia descido, começou a subir! Erguendo-se como se flutuasse... Água... O que era aquilo?! “Pensei que fosse no ar que acontecesse isso”, pensou como se falasse alto... 

A menina experimentou seu medo a tarde todinha. E quando saiu, não era só a água que havia se modificado. Sabia agora que podia sentir a si mesma de outras formas... Uma delas era com mais leveza no corpo, devido à suavidade da alma... :)

Camila Sousa de Almeida


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Vai Com Pensar Ou Não?

"Fui consertar minha câmera fotográfica que estava quebrada há um tempão (minha primeira câmera)... Na loja, vi que consertá-la não compensaria; iria sair mais caro que uma nova câmera. O cara tentou me fazer entender isso, e me mostrou outras câmeras, que apesar de usadas, estão em muito melhor estado que a minha velhinha. No fim, percebi que eu não queria só consertar a câmera, mas o que ela representava pra mim. E que eu deveria, na verdade, parar de olhar para trás e ver o que estava dado alí na minha frente (a câmera nova, no caso)... Que às vezes compensa mais se desfazer do que é "velho" para agregar coisas novas... Foi bem lógico na hora me desfazer, sabe. E eu não tinha percebido até o cara mostrar a outra câmera. Há anos eu tento consertar essa câmera... O legal foi o pensamento que tive. Saí de casa pensando: "se for uns 150 reais o conserto, eu pago e volto com minha câmera". Aí o cara me fala que vai custar no mínimo uns 200, e que por 100 eu levo outra 'nova'. A questão do desapego é muito forte mesmo. Não vale a pena se apegar ao passado, se ele não te deixa ver novas oportunidades no presente.

P.S. Sempre falavam que eu ia gastar, que ia ficar caro, mas a câmera velha ia ser consertada... Essa foi a primeira vez que me mostraram outra opção... E me dei conta de tudo isso."
Erna Barros


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Uma fábula sobre a fábula

(Conto Árabe)

Allah Hu Akbar! Allah Hu Akbar!
Deus criou a mulher e junto com ela criou a fantasia. Foi assim que uma vez a Verdade desejou conhecer um palácio por dentro e escolheu o mais suntuoso de todos, onde vivia o grande sultão Haroun Al-Raschid. Vestiu seu corpo apenas com um véu transparente e pouco depois chegou à porta do magnífico palácio. Assim que o guarda apareceu e viu aquela mulher sem nenhuma roupa, ficou desconcertado e perguntou quem ela era. E a Verdade respondeu com firmeza:
- Eu sou a Verdade e desejo encontrar-me com seu senhor, o sultão Haroun Al-Raschid.
O guarda entrou e foi falar com o grão-vizir. Inclinando-se diante dele, disse:
- Senhor, lá fora está uma mulher pedindo para falar como nosso sultão, mas ela só traz um véu completamente transparente cobrindo seu corpo. 
- Quem é essa mulher? - perguntou o grão-vizir com viva curiosidade.
- Ela disse que se chama Verdade, senhor - respondeu o guarda.
O grão-vizir arregalou os olhos e quase gaguejou:
- O quê? A Verdade em nosso palácio? De jeito nenhum, isso eu não posso permitir. Imagine o que ia ser de mim e de todos aqui se a Verdade aparecesse diante de nós? Estaríamos todos perdidos, sem exceção. Pode mandar essa mulher embora, imediatamente.
O guarda voltou e transmitiu à Verdade a resposta do seu superior. A Verdade teve que ir embora, muito triste.
Acontece que...
Deus criou a mulher e junto com ela criou a teimosia. A Verdade não se deu por vencida e foi procurar roupas para vestir. Cobriu-se dos pés à cabeça com peles grosseiras, deixando apenas o rosto de fora e foi direto, é claro, para o palácio do sultão Haroun Al-Raschid.
Quando o chefe da guarda abriu a porta e encontrou aquela mulher tão horrivelmente vestida, perguntou seu nome e o que ela queria.
Com voz severa ela respondeu:
- Sou a Acusação e exijo uma audiência com o grande senhor desse palácio.
Lá se foi o guarda falar com o grão-vizir e, ajoelhando-se diante dele, disse:
- Senhor, uma estranha mulher envolvida em vestes malcheirosas deseja falar com nosso sultão.
- Como ela se chama? - perguntou o grão-vizir.
- O nome dela é Acusação, Excelência.
O grão-vizir começou a tremer, morto de medo:
- Nem pensar. Já imaginou o que seria de mim, de todos aqui, se a Acusação entrasse nesse palácio? Estaríamos todos perdidos, sem exceção. Mande essa mulher embora imediatamente.
Outra vez a Verdade virou as costas e se foi tristemente pelo caminho. Ainda dessa vez ela não se deu por vencida.
E isso porque...
Deus criou a mulher e junto com ela criou o capricho.
A Verdade buscou pelo mundo as vestes mais lindas que pôde encontrar: veludos e brocados, bordados com fios de todas as cores do arco-íris. Enfeitou-se com magníficos colares de pedras preciosas, aneis, brincos e pulseiras do mais fino ouro e perfumou-se com essência de rosas. Cobriu o rosto com um véu bordado de fios de seda dourados e prateados e voltou, é claro, ao palácio do sultão Haroun Al-Raschid.
Quando o chefe da guarda viu aquela mulher deslumbrante como a Lua, perguntou quem ela era.
 E ela respondeu, com voz doce e melodiosa:
- Eu sou a Fábula e gostaria muito de encontrar-me, se possível, com o sultão deste palácio.
O chefe da guarda foi correndo falar com o grão-vizir, até esqueceu-se de ajoelhar-se diante dele e foi logo dizendo:
- Senhor, está lá fora uma mulher tão linda, mas tão linda, que mais parece uma rainha. Ela deseja falar com nosso sultão.
Os olhos do grão-vizir brilharam:
- Como é que ela se chama?
- Se entendi bem, senhor, o nome dela é Fábula.
- O quê? - disse o grão-vizir completamente encantado - A Fábula quer entrar em nosso palácio? Mas que grande notícia! Para que ela seja recebida como merece, ordeno que cem escravas a esperem com presentes magníficos, flores perfumadas, danças e músicas festivas.
As portas do grande palácio de Bagdá se abriram graciosamente e por elas finalmente a bela andarilha foi convidada a passar.
Foi desse modo que a Verdade, vestida de Fábula, conseguiu conhecer um grande palácio e encontrar com Haroun Al-Raschid, o mais fabuloso sultão de todos os tempos.

Retirado do livro "O violino cigano e outros contos de mulheres sábias", de Regina Machado.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Conta gotas




Quando a chuva cai não se pode esperar. Ninguém mexe com ela; se a posição das gotas muda, ela é dona de si. Faz barulhinhos estranhos só pra dizer que ela é ela mesma, nem raio e nem trovão. Qualquer coisa é outra coisa, não chuva. Chover é alto, é falta de proibição. Ninguém se atreve a escolher o dia nem reclama da hora, a chuva que vira notícia! No jornal, aparece mais que polícia; ela que, amostrada, se mostra toda sem pudor. Não podemos evitar que morra. Chuva chove. É uma existência definida pela hora que para e ainda molha. Deixa silenciar... Mas a água não tem culpa. Ela não é, mas quer ser chuva.

Camila Sousa de Almeida

domingo, 15 de julho de 2012

Soluçando



Nenhum peixe morde a isca se não estiver com fome; é preciso haver alguma necessidade para poder oferecer uma armadilha com aparência de solução para ela. Assim é na sociedade capitalista; criam em nós pseudo-necessidades para iludir-nos com uma suposta “satisfação” por meio de soluções consumistas. E como se criam pseudo-necessidades? 

Impedindo as pessoas de terem suas reais necessidades satisfeitas, aquelas que naturalmente produzem bem-estar e equilíbrio; fazendo-as acreditar que não têm dentro de si aqueles aspectos subjetivos que as fazem se sentir dignas, capazes e completas, portanto terão que procurar tudo do lado de fora; direta e indiretamente, convencendo-as de que a vida é uma guerra pela sobrevivência e um teatro de aparências, separando-as assim de seus semelhantes, acusando-os de serem diferentes... Diante de tudo isso, elas se sentirão sozinhas, em meio a pessimistas previsões e visões de vida... 

Um sistema como esse vai tirando da gente a espontaneidade da fome, do sono, da sexualidade, dos afetos, dos sonhos... Limitando, quando determina o que você deve querer e fazer para estar nos padrões e ser considerado bom, certo, bonito, bem-sucedido e apreciável. 

Todas essas idéias foram construídas, assim como nossos hábitos diários; criados e facilitados pela repetição. Mas antes da construção do que estamos habituados e da criação dos desejos padronizados, a hora de comer qualquer ser humano já sabe: quando sente fome; a hora de dormir e acordar o próprio corpo, em harmonia com a natureza, sinaliza; a sexualidade se manifesta espontaneamente e o sexo é naturalmente prazeroso; as pessoas amam-se umas às outras, apreciam as coisas e os lugares de um jeito que nem precisa de explicação... 

Às vezes o problema é a solução.

Camila Sousa de Almeida  

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ainda bem

 
Ainda bem que sempre existe outro dia. 
E outros sonhos. 
E outros risos. 
E outras pessoas. 
E outras coisas.

Clarice Lispector



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Imaginando coisas

 
Um homem queria pendurar um quadro. Já tinha o prego, só faltava o martelo. O vizinho tinha um martelo, e o nosso homem resolveu pedi-lo emprestado. Mas ficou com a dúvida: “E se o vizinho não me quiser emprestar o martelo? Ontem ele cumprimentou-me de forma muito seca. Talvez estivesse com pressa. Mas isso devia ser só uma desculpa. Ele deve ter alguma coisa contra mim. Mas porquê? Eu não fiz nada! Ele deve estar imaginando coisas. Se alguém me pedisse emprestada alguma ferramenta minha eu emprestaria imediatamente. Porque será que ele não me quer emprestar o martelo? Como é que alguém pode recusar um simples favor desses a um semelhante? Gente dessa laia só complica a nossa vida. De certeza que, ele imagina que eu dependo dele só porque ele tem um martelo. Mas, já chega!” E correu até ao apartamento do vizinho, tocou à campainha, o vizinho abriu a porta. Mas antes que pudesse dizer "Bom Dia", o nosso homem berrou: "Pode ficar com o seu martelo, seu imbecil!" 
Paul Watzlawick
 

 

Guarda-chuva


sábado, 7 de julho de 2012

O caderno

Encontramos o equilíbrio quando nos permitimos balançar entre os diferentes lados sem precisar permanecer em nenhum deles... A passagem por cada um contribui e cabe a você escolher por onde caminhar, descobrir onde fica o seu próprio eixo... 

Independente da sua crença ou descrença no que quer que seja, ouvir os outros sempre pode lhe acrescentar algo, concordando ou não com ele. Você pode, do que ouve, lê e vê, aproveitar aquilo que faz sentido para você. Afinal, ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar, como sabiamente dizem...

Camila Sousa de Almeida

Segue agora uma mensagem que achei muito interessante, do Padre Fábio de Melo:

Eu não sei se você se recorda do seu primeiro caderno, eu me recordo do meu. 
Com ele eu aprendi muita coisa, foi nele que eu descobri que a experiência dos erros
Ela é tão importante quanto às experiências dos acertos 
Porque vistos de um jeito certo, os erros,  
Eles nos preparam para nossas vitórias e conquistas futuras 
Porque não há aprendizado na vida que não passe pelas experiências dos erros

O caderno é uma metáfora da vida, 

Quando os erros cometidos eram demais, eu me recordo,  
Que a nossa professora nos sugeria que a gente virasse a página. 
Era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços.
Ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e a partir deles,  

A gente seguia um pouco mais crescido.

O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos.  

Erros podem ser fontes de virtudes! 
Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar à serviço do aprendizado;  
Ele não tem que ser fonte de culpas e vergonhas. 
Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande sem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida.

Uma coisa é a gente se arrepender do que fez! 

Outra coisa é a gente se sentir culpado.  
Culpas nos paralisam. 
Arrependimentos não!
 Eles nos lançam pra frente, nos ajudam a corrigir os erros cometidos. 

Deus é semelhante ao caderno.  

Ele nos permite os erros pra que a gente aprenda a fazer do jeito certo.
Você tem errado muito? 

Não importa, aceite de Deus essa nova página de vida que tem nome de hoje! 
Recorde-se das lições do seu primeiro caderno. 
Quando os erros são demais, vire a página!

Related Posts with Thumbnails