- Camila Sousa de Almeida
- Aracaju, Sergipe, Brazil
- Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Uma voz muda
Conheço uma pessoa que não desliga
mais a rádio na hora da “Voz do Brasil”. À princípio isto pode aparentar não ter
nenhum grande significado, mas pra ela é claro: é só mais um efeito do fato de
que não se sente mais inferior aos outros. Por se achar burra demais, ou insuficientemente
inteligente, antigamente não participava de conversas sobre política, com a
desculpa clássica (do motivo verdadeiro de alguns) de que não gostava.
Hoje é militante de suas verdades
e apesar de não entender ainda muita coisa, não tem mais medo de aprender. Ou
de mostrar que precisa aprender, que está aprendendo...
Não rir de piadas sem graça das
quais discordava, mas ria, é mais uma de suas coragens exercitadas hoje no
dia-a-dia, nesse mundo de gente que maquia o medo de suas próprias fraquezas
tentando ridicularizar o outro.
Ela era mais uma na massa,
dominada pelos outros por deixar dominar dentro de si o medo. Grandes mudanças
são feitas por partes. É assim que, trabalhando individualmente, a Psicologia
pode modificar aquilo que é capaz de modificar a sociedade: os indivíduos.
Camila Sousa de Almeida
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
sábado, 19 de janeiro de 2013
O que dá pra prever pelas prévias
Esses dias está acontecendo uma prévia
carnavalesca na cidade onde moro atualmente; é um evento comum no Brasil aqui
pelas bandas do Nordeste, onde tocam cantores(as) e bandas em trios elétricos.
O povo participa acompanhando pela avenida dentro dos blocos, ou do lado de
fora (a “pipoca”), ou assistindo dos camarotes.
E nisso, uma amiga está recebendo um
estrangeiro que pouco sabe do nosso país/estado nessas poucas semanas em que está
morando aqui. Assistindo o tal evento acima citado, o homem ficou espantado com
as “danças típicas”, que não são normais no lugar de onde ele veio, nem mesmo
nas outras partes do mundo por onde já passou. Ficou meio confuso diante da
sensualidade explícita e questionou o que ele pode ou não fazer, e a partir de
que idade certas coisas são permitidas por aqui. Eu fico imaginando o que ele
viu... E quão jovens eram as meninas que ele viu se comportando do jeito que
ele viu...
Bem, a palavra cultura vem do latim colere, que significa cultivar, portanto esta varia dependendo
do que é cultivado em cada época e lugar. Essa variedade cultural ao redor do
mundo e através do tempo nos traz a idéia de que somos livres, já que,
comprovadamente, há muitas possibilidades. Mas há que se reconhecer também que a
liberdade não existe para a colheita: o que se planta, é o que se colhe.
Podemos perceber que nas últimas décadas
o sexo foi sendo banalizado e supervalorizado nas músicas mais populares, principalmente
de uma forma depreciativa em relação às mulheres. E tudo isso de um jeito tão
sutil, em paradoxo às letras e danças explícitas, que as próprias mulheres
depreciadas não se sentem ofendidas, aplaudindo e participando ativamente da
disseminação de tais “valores”.
E isso não se restringe à classes
sociais nem estilos musicais específicos; nem mesmo à temática sexual, mas em tantas
outras que vão criando, nas mentes dos ouvidos que ouvem, colheitas venenosas
que provocam um adoecimento social. Sem analisar o significado do que ouvem,
cantam e dançam, as pessoas estão cultivando, muitas vezes sem consciência: preconceito,
discriminação, competitividade, baixa auto estima, possessividade, dependência
emocional, egoísmo, e por aí vai...
Dia desses ouvi na rádio uma música de
um cantor, nacionalmente conhecido e valorizado, com letra absurda:
Mulher preguiçosa, mulher tão
dengosa, mulher
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Mulher tão bacana e cheia de grana, mulher
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Você não passa de uma mulher
Olha que moça bonita,
Olhando pra moça mimosa e faceira,
Olhar dispersivo, anquinhas maneiras,
Um prato feitinho pra garfo e colher
Eu lhe entendo, menina,
Buscando o carinho de um modo qualquer
Porém lhe afirmo, que apesar de tudo,
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Você não passa de uma mulher
Olha a moça inteligente,
Que tem no batente o trabalho mental
QI elevado e pós-graduada
Psicanalizada, intelectual
Vive à procura de um mito,
Pois não se adapta a um tipo qualquer
Já fiz seu retrato, apesar do estudo,
Você não passa de uma mulher (viu, mulher?)
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Menina-moça também é mulher (ah, mulher)
Pra ficar comigo tem que ser mulher (tem, mulher)
Fazer meu almoço e também meu café (só mulher)
Não há nada melhor do que uma mulher (tem, mulher?)
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Martinho da Vila
E o que
é mais interessante: no backing vocal, mulheres estavam cantando isso junto com
ele! E outro dia, mais uma vez na rádio, escutei o trecho de uma “música” que
dizia mais ou menos assim: “no peito, no peito, no peito, no peito... e quem
não tem peito, não se desiluda, vai na bunda, na bunda, na bunda, na bunda...”.
Mas, acreditem, o pior ainda estava por vir: ao acabar de tocar a “música”, o
radialista comenta “e quem não tem nem peito nem bunda? Melhor nem sair, fica
em casa mesmo!”, e caiu na gargalhada. Eu fiquei um tempo pensando se realmente
tinha escutado tudo aquilo... Mais triste é pensar nas mentes, principalmente
aquelas na fase mais intensa de corpo em formação, ouvindo isso...
Todo
mundo sabe, pela prática, que a repetição fortalece. Mas nem todo mundo sabe (ou
percebe que sabe) que ouvir algo repetidamente, mesmo que seja por puro
entretenimento ou até contra a sua vontade, fortalece aquele conteúdo dentro de
você. E o que está dentro, pode ficar inconsciente; mas o inconsciente
influencia você diariamente, mesmo que você não perceba.
Se é
melhor prevenir do que remediar, penso que nós, profissionais de Psicologia, temos
que trabalhar muito mais pela conscientização social, pois não somos
suficientes para recuperar tamanho estrago desse cultivo atual. E paralelamente,
cultivemos outras sementes!
Camila
Sousa de Almeida
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
domingo, 13 de janeiro de 2013
Metáforas: uma loja de presentes
Metáfora vem do grego metaphorá, que significa meta (“além”) mais phorein (“transportar de um lugar para outro”). A metáfora é mais conhecida como uma figura de linguagem através da qual descrevemos uma coisa em termos de outra, como na famosa frase de Shakespeare em Romeu e Julieta: “Julieta é o sol”. A metáfora está intensamente, embora imperceptível, presente em tudo, desde a economia e a propaganda até a política e os negócios, na ciência e na Psicologia, ou seja, vivemos em um mundo repleto de símbolos e linguagem metafórica.
Uma parte interessante do poder transformador da metáfora é sua presença nas fábulas, parábolas e histórias infantis de todo mundo. Dessa forma, ao contar para as crianças uma metáfora, estamos criando, através de suas próprias representações internas, uma semente de mudança, onde os recursos admirados dos personagens e heróis, como coragem, força, determinação, paciência, entre outros, podem favorecer em muito o processo de a criança lidar com o medo, a timidez, a frustração e a superação de obstáculos no desenvolvimento infantil. Assim, podemos dizer que quando contamos uma metáfora para nossos filhos e eles ficam focados e absorvidos pelo encanto da história, estamos sendo ótimos hipnotistas.
As brincadeiras, os jogos, os desenhos e várias outras atividades infantis e de adolescentes funcionam como metáforas que facilitam o processo de mudança e aprendizagem. Uma verdadeira loja de presentes para o inconsciente e o processo hipnótico.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
domingo, 23 de dezembro de 2012
No ponto da calçada
Continua o caminho.
A mulher que vem atrás também olha mas, diferentemente, tira a pedra da passagem.
Ambas calçadas...sábado, 22 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Conte mais
Certa vez, uma professora me ensinou que em alguns lugares, onde quase ninguém sabia ler, não existiam histórias escritas, textos tais quais conhecemos como sendo literatura, hoje. Em alguns países da África, por exemplo, existiu algo antes dos textos escritos, que eram os chamados contos populares. Acredito que, em muitos outros lugares existiu algo pa
recido. Esses contos eram histórias contadas pela pessoa mais velha da tribo ou do grupo, que era muito respeitada e reconhecida como a mais sábia por causa de seus cabelos brancos. Os contos eram sobre coisas que os mais velhos diziam ter presenciado, e sempre tinha uma lição, uma moral a se pregada. Através desses contos, eram passados os valores, de pai para filho, de geração para geração. Nas tribos africanas, em que as pessoas acreditavam muito na necessidade da harmonia do homem com a natureza, muitas histórias eram justamente sobre isso e sempre que alguém quebrasse essa harmonia, algo de ruim acontecia, vindo da própria natureza.
Independente da cultura, dos modos de ver o mundo, das crenças, temos de convir que "contar" é um método de educação muito eficaz. Estamos falando de um povo que não tinha estudo, ainda não tinha a tal “educação dos brancos", nem nada parecido e desde sempre teve a cultura de ensinar os seus filhos a importância da natureza, da honestidade, do respeito e amor ao próximo, mesmo que esse próximo seja uma árvore, um animal.
Além de transmitir valores de pai para filho, o ato de contar histórias tem outros benefícios, entre eles, despertar a imaginação e a criatividade. E, como disse certa vez o educador Jean Piaget "o principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram." Ou seja, contando histórias, você educa, conduzindo a pessoa à reflexão.
Hoje, não temos o hábito de nos reunirmos com nossos familiares, tão pouco com pessoas de nosso bairro para contar-lhes histórias com uma intenção pedagógica. Até porque isso não é de nossa cultura. Entretanto, podemos deixar nosso legado sim e ensinar os nossos filhos à nossa maneira. Contar história deveria entrar novamente nos nossos planos, por ser um recurso tão produtivo, principalmente se tratando de crianças. Então, porque não contar mais?!
Mariana Motta
domingo, 16 de dezembro de 2012
Sabichões e sabichonas
Eles moravam na beira da estrada.
Por um lado, pois do outro era mata. Ela não era fechada: todos os dias as
crianças entravam adentro para se divertir e colher alimentos. Diziam brincar
de “se perfumar por dentro”, “colorir o sangue de vermelho” e “lavar a roupa do
avesso”. Pisando na terra, pegando sol, lua e chuva, correndo com bicho e
subindo em árvore; era assim a escola deles, pois ninguém ali estudava, mas
todo mundo aprendia. A vida era simples demais pra qualquer um querer
complicá-la.
Mas as coisas do mundo não são
como as coisas da natureza: o humano é capaz até de perder a humanidade. Um
grupo desses, que se dizia ser o que não era, derrubou todas as casas da região,
mesmo sem ter ido lá. Quem ali vivia teve que se mudar: não fazia diferença ser
gente, bicho ou planta.
Mas ainda bem, nem tudo muda...
As crianças crescidas, mesmo sem saber nem a própria idade, eram muito sabidas!
Foram viver em outra margem, agora na cidade. E lá começaram a chamar os outros
pra brincar aquelas brincadeiras que, apesar da escolaridade, quase ninguém lá
tinha aprendido. Impressionaram-se eles com a ignorância dos ditos sabidos, mas
justamente por isso tinham muito que ensinar.
A brincadeira foi ficando séria
quando os fracos foram se fortalecendo; os ansiosos se tornando calmos e os
medrosos aprendendo a se enraizar... Todo mundo queria entender o poder por
trás da simplicidade da bebida colorida que misturava água com flores; de
respirar fundo sem calçar sapato; de beber água natural o tempo todo; de comer
fechando o olho; de deixar a chuva molhar a cabeça, o corpo, e ainda dançar!
Ainda sem entender o povo já gostava,
porque, além de tudo, ninguém gastava nada além de energia pra se perfumar por
dentro... Nem precisava de tinta pra pintar o sangue, já vermelho... E, com
prazer, descobria a própria pele como uma roupa feita sob medida... Fazendo
bobagens, estavam deixando de ser bobos. Crianças crescidas, mas como frutas
colhidas antes do tempo, só agora amadurecendo. Descobrindo-se parte da
natureza... Que sustenta a si mesma...
Camila Sousa de Almeida
sábado, 15 de dezembro de 2012
Entre
No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta
Cecília Meireles
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
ObservAções
Trabalho numa clínica muito aconchegante, com um ambiente que mistura agradavelmente seres humanos, animais,
vegetais e minerais. É interessante observar como algumas pessoas chegam até
aqui e apenas aguardam sua vez, ou apenas olham de longe as diferentes partes
do ambiente, sem se aproximar. Podemos observar, durante o processo de terapia,
as pessoas começarem a explorar o espaço
disponível... e, gradativamente (ou
não), aprendendo a aproveitar mais as possibilidades oferecidas aqui
e agora...
Observei isso acontecer com um
cliente, que costumava esperar a hora sentado no sofá, do lado de dentro... Um
dia, esteve a admirar o jardim; as
plantas nas suas diversas formas e cores, o modo que as mesmas estavam presentes... Ele observava e respirava
aquele ambiente à frente.
De repente, ouviu um miado bem
distante, aparentemente. Não tinha a percepção de que o som que ouvia se
tornava mais próximo ainda. Pensou, no início, que o gato estava longe, na
porta de entrada da clínica, quando o animal passou por ele. Achou que o miado
vinha da rua, mas para sua surpresa,
o gato passou a miar próximo do despreocupado ouvinte. Ao notar que o felino
não estava tão distante quanto pensava, alegrou-se! Refletiu como a percepção
física humana pode se enganar...
Enquanto o gato “caminhava” lentamente, fechando os olhos, com um
miado tranqüilo, ele foi percebendo a ondulação... A coloração dos pêlos
alaranjados e, aparentemente, macios... Com traços fortes, grossos, de laranja
no corpo e, em sua maioria, pelagem clara... Um degradê de laranja – indo
da cor mais clara para mais escura...
O simpático bichinho subia os degraus
de uma pequena escada do quintal, onde se encontrava um jardim. Lentamente, com serenidade, expressados
pelos miados e olhar um tanto sonolento, como de um bichinho que acabara de
acordar... Pisando firme e tranqüilo, como quem valoriza
cada patada dada...
Miando, abrindo e fechando os
olhos num modo natural de ser e agir, foi de encontro a uma
plantinha e decidiu comer suas folhas. Um gato, um animal carnívoro, comendo
uma planta... Algo interessante de ver...
A tranquilidade e os miados do felino eram como o ar que
respiramos, naturais com a harmonia da natureza... O gatinho, a vegetação e
o observador estavam todos inclusos, em
equilíbrio com o jardim... Tudo podia ser e estar na beleza daquele universo.
Entretanto, o simpático gato
não estava satisfeito com as folhas que comera. Decidiu se alimentar de um
vegetal maior, e deste quis arrancar o caule. Tentou uma, duas, três e mais
vezes... Pois bem, a planta ficou inteira, mas toda babada. A baba do gato,
gosmenta e pegajosa, escorria sobre toda a planta, calma e lentamente, como o modo o dono... Um gato “babão” e faminto por
plantas; foi o primeiro que ele pôde ver.
Após isso foi percebendo a aparência do bichano: um
leão ou tigre, num porte menor, com algumas similaridades... À primeira vista,
ele lembrara um pequeno leão, devido ao focinho e outros detalhes... Um corpo
de tigre, com a liderança de um de leão... Mas nada carnívoro o destemido gato.
Veio então à sua mente um desenho animado, os Thundercats, que eram
gatos com forma humana, personificados. Era visível o quanto o sereno miador
tinha “traços” daqueles animais.
Naquele instante um pássaro
pousou num galho alguns centímetros acima do gato. Ficou um tempinho olhando o
local... Achou que, de tanto olhar, percebeu o miador e voou para um muro alto
do jardim, longe de qualquer investida do gato. Que continuou no jardim, agora
sem miar...
Camila Sousa de Almeida e
J.A.G.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
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