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Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Umas coisas


A natureza de dentro é que nem a natureza de fora.

Tem coisa que pinga em gotas mas que, quando se junta, nos banha por inteiro.

Tem coisa que vem e vai todo dia, na mesma hora, parecendo do mesmo jeito.

Tem coisa que desaparece mas continua existindo, sem a gente ver...

Tem coisa que cresce escondido e depois se amostra, pra continuar a crescer.

Tem coisa que é a mesma coisa, mas muda de estado, de estação, de fase... Ou deixa de ser muda, simplesmente.

Tem coisa que se abre e que se fecha, fazendo cada coisa dessa na hora certa.

Tem coisa que é vermelha e coisa que é amarela; coisa que se diz sem cor e coisa com muitas delas!

Tem coisa invisível que é bem forte, coisa pequena que é grande, e coisa bonita que não se enxerga por ser teimosa.

Tem coisa que parece igual, mas é diferente; é única, verdadeiramente.

É, as coisas são assim mesmo... Não são nada disso. As coisas se transformam, pra continuar sendo o que não deixam de ser, e serem o que é pra ser...

Camila Sousa de Almeida


domingo, 5 de maio de 2013

É


Fica claro que, tudo que está impreciso, precisa ser esclarecido à luz de um farto respaldo ancorado no fundo de um oceano de verdades. Embora a verdade precisa ser precisa no que toca a realidade observada subjetivamente por uma ótica isenta de travas e entraves que obscurecem o alvo a ser atingido e por uma visão clara a cerca de um manancial de inesgotáveis argumentos congruentes e realistas, respeitando a hierarquia dos anjos da cadeia hieráldica celestial, onde tudo é azul da cor dos verdes mares...  

Antônio Custódio de Souza Prado

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Bom dia



Dia desses ouvi na rádio, num dia nublado, a previsão do tempo: "o dia vai melhorar". Pensei: vai chover?
Porque dia bom é dia de chuva! Tanto quanto dia de sol...

Camila Sousa de Almeida

sexta-feira, 26 de abril de 2013

domingo, 21 de abril de 2013

Errando para acertar


Estava jogando dardos, eu e mais três jogadores. Cada área do alvo tinha o seu valor se acertada, e o objetivo era atingir determinada pontuação com a soma dos três arremessos a que cada um tinha direito. Entre os quatro, era eu quem estava mais distante do objetivo, pois sempre acertava alguns centímetros pro lado esquerdo de onde mirava. Virei motivo de piada. Esperavam que qualquer um ganhasse primeiro, menos eu. Isso me fez atentar mais para minha falha... Percebi que estava errando sempre do mesmo jeito. Enquanto me zoavam, silenciosamente decidi utilizar o meu erro ao meu favor: mirei alguns centímetros pro lado direito de onde eu realmente queria acertar. Bingo! De uma só vez alcancei a pontuação que precisava e venci o jogo antes de todos os outros. Hahahahaha! ;)

Camila Sousa de Almeida



sábado, 20 de abril de 2013

Viagem ao fundo do mar


“Visualize o mar”, foi a sugestão.

“Bastou isso para me banhar da terra que lhe dá o fundo; tornar-me sereia e peixe que nada de barriga pra cima; ser um ser de nadadeiras que flutua no ar e retorna à água, seu lugar de conforto...

A serpente não tardou em comer a própria cauda. Calmamente, após representar a ciclicidade nas áreas baixas, subiu tão reta quanto quieta, enrolando ela mesma nela. Fez da minha cabeça um globo da morte e rompeu a coroa rumo à estratosfera!

Lá haviam ovos. Sim, ovos gigantes! E deles saíam extreterrestres, que a mim eram semelhantes. Cada um entrava em seu respectivo túnel, para escorregar e chegar ao útero. Iriam nascer.”

É assim que se é hipnotizado. O agente lhe dá a passagem, mas é você quem faz o onde, como, e quando da viagem...

Camila Sousa de Almeida



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Refletindo



Muita gente passa na nossa vida, mas o que a gente aprende com elas, de verdade, fica. Com os outros a gente aprende mais sobre gente, mas, principalmente, conhece mais é a gente mesmo.

Pode ser surpreendente descobrir de repente o que as pessoas que só lhe conhecem de vista pensam de você. Você pode não gostar do que ouviu, mas aí você tem uma oportunidade para refletir: como chegaram a essa conclusão? E seguir as pistas...


É bom quando aprendemos a separar o que fazemos do que os outros interpretam disso. Porque tem coisas que só você pode saber. E haverão tantas opiniões quantos opinadores houverem. Nesse emaranhado todo, só você pode descobrir a si mesmo...

Extraordinariamente bom também pode ser conversar com alguém que há muito tempo não tinha contato, e que teve uma participação (especial ou não) na sua história. Descobrir que impacto você e suas atitudes tiveram na vida alheia pode ser reconfortante, ou incômodo ao ponto de mudar o rumo de suas escolhas de agora.

Tudo é sempre uma oportunidade. Perguntas simples podem criar mais delas; porque muitas são perdidas na dúvida, no devaneio, na imaginação sofrida... E respostas nem sempre terminam com ponto final.

Camila Sousa de Almeida



domingo, 14 de abril de 2013

Desautomatizando-se


Um homem veio a mim. Ele sofria do vício de fumar há trinta anos; ele estava doente e os médicos disseram:  "Você nunca ficará bom se não parar de fumar." Ele era um fumante crônico e não conseguia parar. Mas ele tentou, tentou arduamente e sofreu muito tentando. Conseguia por um ou dois dias, mas então a necessidade de fumar vinha tão forte que simplesmente o vencia. Novamente ele caía no mesmo esquema. Por causa disso, ele perdeu toda a autoconfiança; sabia que não podia fazer nem essa pequena coisa: parar de fumar. Ele se desvalorizou diante de si mesmo; considerava-se a pessoa mais sem valor do mundo. Não tinha mais respeito por si mesmo. E assim, ele veio a mim. Ele disse: "O que posso fazer? Como posso parar de fumar?" Eu lhe disse: "Você tem que entender. Agora, fumar não é apenas uma questão de decisão. É algo que já entrou no seu mundo de hábitos; já se enraizou. Trinta anos é um longo tempo. Esse hábito tem raízes no seu corpo, na sua química, espalhou-se em você. Não é mais apenas uma questão de decidir com a cabeça; sua cabeça não pode fazer nada. Ela é impotente; pode começar coisas, mas não pode pará-las facilmente. Uma vez que você começou e praticou por tanto tempo, você é um grande iogue - trinta anos de prática em fumar! Já se tornou automático; você tem que desautomatizar isso." Ele perguntou: "O que você quer dizer por desautomatizar?" É nisto que consiste toda a meditação: na desautomatização. Eu lhe disse: "Faça uma coisa: esqueça tudo sobre parar de fumar. Não há necessidade. Por trinta anos você fumou e viveu; é claro que foi um sofrimento, mas você se acostumou a ele também. E o que importa se você morrer algumas horas antes do que morreria sem fumar? O que você vai fazer aqui? O que você fez? Então, qual a importância em morrer na segunda, na terça ou no domingo, neste ou naquele ano - que importa?" Ele disse: "Sim, isso é verdade; não importa". Então eu disse: "Esqueça tudo sobre parar de fumar; não vamos parar absolutamente. Ou melhor, vamos compreender isso. Assim, da próxima vez, faça do fumar uma meditação". Ele disse: "Do fumar uma meditação?" Eu disse: "Sim. Se as pessoas zen podem fazer do beber chá uma meditação, uma cerimônia, por que não com o cigarro? Fumar também pode ser uma bela meditação". Ele ficou impressionado e disse: "O que você está dizendo? Meditação? Conte-me - nem posso esperar!" Então dei a meditação para ele: "Faça uma coisa. Quando pegar o maço de cigarros do seu bolso, pegue-o bem lentamente. Curta, não há pressa. Fique consciente, alerta, atento; pegue lentamente com atenção total. Então, tire um cigarro do maço com toda a atenção, lentamente, não da velha maneira apressada, inconsciente, mecânica. Depois, comece a bater o cigarro no maço, atentamente. Escute o som, como fazem as pessoas zen quando o samovar começa a cantar e o chá começa a ferver... e o aroma... Então cheire o cigarro e sinta sua beleza..." O homem disse: "O que você está dizendo? A beleza?" "Sim, ele é belo. O tabaco é tão divino quanto qualquer outra coisa. Cheire-o; é o cheiro de Deus". O homem ficou um pouco surpreso: "O quê? Você está brincando?" "Não, não estou brincando. Mesmo quando brinco, não brinco. Sou muito sério." Então, ponha o cigarro na boca, com toda a atenção, e acenda-o. Curta cada ato, cada pequeno ato, e divida-o em muitos pequenos atos para que você possa tornar-se o mais alerta possível. Dê a primeira tragada: Deus em forma de fumaça. Os hindus dizem, "Annam Brahm" - "Comida é Deus". Por que não a fumaça? Tudo é Deus. Encha profundamente seus pulmões - isto é pranayam. Estou lhe dando uma nova ioga para um novo tempo! Depois, solte a fumaça, relaxe; dê outra tragada - e faça tudo bem devagar... Se você puder fazer isso, ficará surpreso; logo verá toda a estupidez disso. Não porque os outros estão lhe dizendo que é estúpido, que é ruim. Você o verá; e não apenas intelectualmente, mas a partir de seu ser total; será uma visão da sua totalidade. E então, um dia, se o vício desaparecer, desapareceu; se continuar, continuou. Você não tem que se preocupar com isso." Depois de três meses, o homem voltou e disse: "Ele desapareceu!" "Agora, eu disse, tente isso com outras coisas também". Este é o segredo, o segredo: desautomatizar. Andando, ande devagar, atentamente. Olhando, olhe cuidadosamente e você verá que as árvores estão mais verdes do que nunca e as rosas estão mais rosas do que nunca. Escute! Alguém está falando, sussurrando: ouça atentamente. Quando você falar, fale atentamente. Deixe que toda a sua atividade de despertar torne-se desautomatizada.

Osho


quinta-feira, 28 de março de 2013

A palavra muda


Não, nem sempre foi fácil. Quem vê esse sorriso largo dado de graça nem imagina que houve um tempo em que ele não se mostrava; ou era amarelo, ou amarelava.

Quem ouve a palavra bem articulada não sabe que um dia ela se limitava a ser pensada, ou então vinha, exagerada e antecipadamente, mal acompanhada.

Você aí, aposto, um dia teve bastante dificuldade para ler uma única palavra. Gaguejava... Mas hoje, tão fluentemente, acaba de ler muitas frases!

Você que não era grande o suficiente e a maçaneta da porta não alcançava, hoje abre, fecha e atravessa muitas delas com facilidade.

Tão certo quanto a lua muda de fases é o fato de que o difícil é só um trecho da estrada...

Camila Sousa de Almeida


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Não desista



Have you ever felt like you
Were the only one on the road?
Have you ever wondered
"Where has everybody gone?"

Have you ever felt abandoned?
Have you ever felt alone?

Well I, I hear your cry
And I, I feel your pain
I know, you try so hard
To make things right
To overcome this endless fight
Just don't give up

Have you ever felt like you
Just stepped over the line?
And then, you just pretend
That everything was fine?

Have you ever felt nobody knows who you are?
Have you ever felt like a failure in disguise?

Well I, I hear your cry
And I, I feel your pain
I know, you try so hard
To make things right
To overcome this endless fight
Just don't give up
Just don't give up
Just don't give up
I won't give up

Jayesslee


*Quem não souber inglês, pode ver a tradução... ;)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Uma voz muda


Conheço uma pessoa que não desliga mais a rádio na hora da “Voz do Brasil”. À princípio isto pode aparentar não ter nenhum grande significado, mas pra ela é claro: é só mais um efeito do fato de que não se sente mais inferior aos outros.  Por se achar burra demais, ou insuficientemente inteligente, antigamente não participava de conversas sobre política, com a desculpa clássica (do motivo verdadeiro de alguns) de que não gostava.

Hoje é militante de suas verdades e apesar de não entender ainda muita coisa, não tem mais medo de aprender. Ou de mostrar que precisa aprender, que está aprendendo...

Não rir de piadas sem graça das quais discordava, mas ria, é mais uma de suas coragens exercitadas hoje no dia-a-dia, nesse mundo de gente que maquia o medo de suas próprias fraquezas tentando ridicularizar o outro.

Ela era mais uma na massa, dominada pelos outros por deixar dominar dentro de si o medo. Grandes mudanças são feitas por partes. É assim que, trabalhando individualmente, a Psicologia pode modificar aquilo que é capaz de modificar a sociedade: os indivíduos.  

Camila Sousa de Almeida


sábado, 19 de janeiro de 2013

O que dá pra prever pelas prévias


Esses dias está acontecendo uma prévia carnavalesca na cidade onde moro atualmente; é um evento comum no Brasil aqui pelas bandas do Nordeste, onde tocam cantores(as) e bandas em trios elétricos. O povo participa acompanhando pela avenida dentro dos blocos, ou do lado de fora (a “pipoca”), ou assistindo dos camarotes.

E nisso, uma amiga está recebendo um estrangeiro que pouco sabe do nosso país/estado nessas poucas semanas em que está morando aqui. Assistindo o tal evento acima citado, o homem ficou espantado com as “danças típicas”, que não são normais no lugar de onde ele veio, nem mesmo nas outras partes do mundo por onde já passou. Ficou meio confuso diante da sensualidade explícita e questionou o que ele pode ou não fazer, e a partir de que idade certas coisas são permitidas por aqui. Eu fico imaginando o que ele viu... E quão jovens eram as meninas que ele viu se comportando do jeito que ele viu...

Bem, a palavra cultura vem do latim colere, que significa cultivar, portanto esta varia dependendo do que é cultivado em cada época e lugar. Essa variedade cultural ao redor do mundo e através do tempo nos traz a idéia de que somos livres, já que, comprovadamente, há muitas possibilidades. Mas há que se reconhecer também que a liberdade não existe para a colheita: o que se planta, é o que se colhe.

Podemos perceber que nas últimas décadas o sexo foi sendo banalizado e supervalorizado nas músicas mais populares, principalmente de uma forma depreciativa em relação às mulheres. E tudo isso de um jeito tão sutil, em paradoxo às letras e danças explícitas, que as próprias mulheres depreciadas não se sentem ofendidas, aplaudindo e participando ativamente da disseminação de tais “valores”.

E isso não se restringe à classes sociais nem estilos musicais específicos; nem mesmo à temática sexual, mas em tantas outras que vão criando, nas mentes dos ouvidos que ouvem, colheitas venenosas que provocam um adoecimento social. Sem analisar o significado do que ouvem, cantam e dançam, as pessoas estão cultivando, muitas vezes sem consciência: preconceito, discriminação, competitividade, baixa auto estima, possessividade, dependência emocional, egoísmo, e por aí vai...

Dia desses ouvi na rádio uma música de um cantor, nacionalmente conhecido e valorizado, com letra absurda:

Mulher preguiçosa, mulher tão dengosa, mulher

Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Mulher tão bacana e cheia de grana, mulher
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Você não passa de uma mulher
Olha que moça bonita,
Olhando pra moça mimosa e faceira,
Olhar dispersivo, anquinhas maneiras,
Um prato feitinho pra garfo e colher
Eu lhe entendo, menina,
Buscando o carinho de um modo qualquer
Porém lhe afirmo, que apesar de tudo,
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Você não passa de uma mulher
Olha a moça inteligente,
Que tem no batente o trabalho mental
QI elevado e pós-graduada
Psicanalizada, intelectual
Vive à procura de um mito,
Pois não se adapta a um tipo qualquer
Já fiz seu retrato, apesar do estudo,
Você não passa de uma mulher (viu, mulher?)
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)
Menina-moça também é mulher (ah, mulher)
Pra ficar comigo tem que ser mulher (tem, mulher)
Fazer meu almoço e também meu café (só mulher)
Não há nada melhor do que uma mulher (tem, mulher?)
Você não passa de uma mulher (ah, mulher)


Martinho da Vila

E o que é mais interessante: no backing vocal, mulheres estavam cantando isso junto com ele! E outro dia, mais uma vez na rádio, escutei o trecho de uma “música” que dizia mais ou menos assim: “no peito, no peito, no peito, no peito... e quem não tem peito, não se desiluda, vai na bunda, na bunda, na bunda, na bunda...”. Mas, acreditem, o pior ainda estava por vir: ao acabar de tocar a “música”, o radialista comenta “e quem não tem nem peito nem bunda? Melhor nem sair, fica em casa mesmo!”, e caiu na gargalhada. Eu fiquei um tempo pensando se realmente tinha escutado tudo aquilo... Mais triste é pensar nas mentes, principalmente aquelas na fase mais intensa de corpo em formação, ouvindo isso...

Todo mundo sabe, pela prática, que a repetição fortalece. Mas nem todo mundo sabe (ou percebe que sabe) que ouvir algo repetidamente, mesmo que seja por puro entretenimento ou até contra a sua vontade, fortalece aquele conteúdo dentro de você. E o que está dentro, pode ficar inconsciente; mas o inconsciente influencia você diariamente, mesmo que você não perceba.   

Se é melhor prevenir do que remediar, penso que nós, profissionais de Psicologia, temos que trabalhar muito mais pela conscientização social, pois não somos suficientes para recuperar tamanho estrago desse cultivo atual. E paralelamente, cultivemos outras sementes!

Camila Sousa de Almeida


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