- Camila Sousa de Almeida
- Aracaju, Sergipe, Brazil
- Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)
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quinta-feira, 28 de maio de 2015
terça-feira, 16 de setembro de 2014
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
A história do porquê
Numa cidade de
pássaros e frutas certa vez foi construída uma praça: local sempre procurado
pelos casais, onde as crianças brincam e gritam e onde nascem lindas flores. Um
local criado para ser belo e colorido, onde as pessoas iam, vinham e riam.
Mas as cidades
são pedaços de coisas maiores. E, quando as coisas são grandes, nem sempre
sabemos o porque delas serem como são... Chegaram os tempos de guerra e tudo
ficou diferente. A praça então passou a ser palco de um espetáculo de horror,
onde a crueldade humana podia ser diariamente assistida. Por isso, da praça
agora se corria. Todo mundo queria ir para casa. Mas não era todo mundo que
conseguia...
Vitória era uma
mulher simples que gostava muito de flores e árvores. Tinha saído de um lugar
pequeno para viver na cidade e ouviu dizer antes de ir que a praça era a melhor
parte, pois lembrava a beleza do seu interior.
Vitória chegou empolgada,
mesmo sem conhecer ninguém, mas acabou chegando em época de guerra e deparou-se
com ameaças de violência em plena praça. “Isso não tem nada a ver com meu
interior”, pensou. Mas ela havia saído de lá justamente porque queria uma
experiência nova; conhecer pessoas, contribuir com a cidade, aprender novidades
e desenvolver suas velhas habilidades. Resolveu ficar por ali e buscar
sobreviver em meio a tudo aquilo que agora fazia parte da sua realidade.
Descobriu, por
causa dessa persistência, que os dias não eram todos iguais... as pessoas
também não agiam todas iguais... e que, superando todas as intempéries do
ambiente, as flores continuavam nascendo e crescendo na praça... As
pequenininhas, as maiores, as claras, as escuras... Em meio às árvores, que
também resistiam bravamente aos tiros que levavam...
Mas isso
começou a mudar, pois a praça começou a ficar doente. Murchando, secando, sem
dar bons frutos. Então Vitória passou a freqüentar a praça com assiduidade,
apesar dos pesares, a praça continuava sendo uma praça: local onde se nasciam
as flores da cidade. Vitória se arriscava, e além disso via coisas
desagradáveis nesse caminho: corpos ensangüentados, gritos de dor, choros
desesperados. Sofrimentos de seres humanos provocados por outros seres
desumanizados.
E o que ela ia
fazer lá na praça? Obviamente, cuidar da terra, regar as plantas, proteger as
árvores. Todo mundo havia se afastado de lá, a natureza estava abandonada. Alguém
precisava ter esse cuidado... Certa vez uma pessoa, de dentro de uma janela,
que sempre via quando ela passava, perguntou a Vitória por que ela se arriscava
e suportava tudo isso por nada. E Vitória disse que, se a pessoa fosse lá com
ela, ela mostrava.
A pessoa não
quis ir ver, estava muito amedrontada, mas Vitória ficou com a pergunta em sua
mente e ao chegar na praça respondeu sozinha: “Por nada???? Se ela visse com
meus olhos, ela veria que as flores que antes murchavam agora estão perfumando
meu caminho... que as árvores que haviam secado agora estão cheias de folhas,
me doando ar puro e abrandando o calor dos meus dias... que os bichos que
haviam perdido bruscamente suas casas agora tiveram de volta um lar, um
ninho... e, por isso, ganhei muitos amigos...”
E a cada planta
e árvore que floria na terra, fertilizada com carinho por Vitória, a cidade
ficava menos cinza. O choro até continuava, mas a vida teve Vitória na praça...
Camila Sousa de
Almeida
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
No quarto da vida inteira
Às vezes é bom passar um dia sem
sol. É fácil, se não saímos cedo da cama nem abrimos as cortinas. Se
desfrutamos o nada-a-fazer, se damos uma longa pausa em meio a tantos dias
cheios de sol, cheios de (obrig)ação.
O sol que brilha traz energia,
calor e expansão. Mas é preciso mais que isso para viver bem a vida. O
movimento nosso de cada dia precisa de ritmo para continuar a existir; precisa
alternar entre o som e o silêncio, o ativo e o passivo, a expiração e a
inspiração... É por isso então que, para que, além do sol, toda a vida tenha
brilho, de vez em quando deve haver tempo e espaço para a escuridão...
Camila Sousa de Almeida
quarta-feira, 9 de julho de 2014
O segredo da felicidade
Há
uma fábula maravilhosa sobre uma menina órfã que não tinha nem família nem
ninguém para amá-la.
Certo dia, sentindo-se excepcionalmente triste e sozinha,
ela foi passear por um prado e viu uma pequena borboleta presa num arbusto de
espinhos. Quanto mais a borboleta lutava para se libertar, mais os espinhos
cortavam suas asas frágeis. A menina órfã libertou cuidadosamente a borboleta
de sua prisão de espinhos. Em vez de voar para longe, a pequena borboleta
transformou-se numa bonita fada. A menina esfregou os olhos, sem acreditar.
-
Por sua maravilhosa gentileza – disse a boa fada à menina -, vou realizar
qualquer desejo que você escolher.
A
menina pensou um pouco e depois respondeu:
-
Eu quero ser feliz!
A
fada disse:
-
Muito bem – e, inclinando-se na direção dela, sussurrou alguma coisa no seu
ouvido. Em seguida, a fada desapareceu.
Enquanto
a menina crescia, não havia ninguém na região tão feliz quanto ela. Todos lhe
perguntavam o segredo da sua felicidade. Ela apenas sorria e respondia:
-
O segredo da minha felicidade é que ouvi o que uma boa fada me disse quando eu
era menina.
Quando
estava bem velhinha, em seu leito de morte, todos os vizinhos se reuniram à sua
volta, com medo de que o maravilhoso segredo morresse com ela.
-
Conte, por favor – imploraram eles. – Conte o que a boa fada disse.
A
adorável velhinha simplesmente sorriu e respondeu:
-
Ela me disse que todo mundo, por mais seguro que pareça, quer seja velho ou
novo, rico ou pobre, precisa de mim.
The Speaker’s Sourcebook
Histórias para Aquecer o Coração
dos Adolescentes
Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Kimberly Kirberger
Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Kimberly Kirberger
sexta-feira, 20 de junho de 2014
A descoberta
Eu tive um sonho. É tudo muito
simples... Tinha alguém conversando comigo quando percebi, olhando pra
frente, uma pedra se destacando do que tinha ao seu redor, meio descoberta de terra. Peguei,
olhei de perto, e vi como era bonita sua cor. E anunciei ao mundo: olha que
pedra bonita!!! E, você sabe, quando falamos com o mundo todo estamos é falando
com nós mesmos... Percebi que sua cor brilhante era mais interna e só podia ser
percebida por quem olhasse atentamente pra ela. Bom, ainda bem que não deixei a
conversa da pessoa me distrair ao ponto de não enxergar aquela beleza ali
diante de mim... Levei a descoberta comigo. Afinal, a gente gosta de ter coisas
bonitas com a gente...
Camila Sousa de Almeida
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Até o céu!
Helena sentia uma coisa estranha
toda vez que colocava sua filha no peito. Chamou isso de angústia e me chamou
para perguntar:
- É normal?
- Helena, é normal o peito
apertar quando está cheio. E cheio ele fica quando se guarda as coisas só lá
dentro. Sem esvaziar, sem compartilhar...
Os olhos de Helena ficavam
molhados, mas não transbordavam, enquanto me ouvia falar. Disse a ela:
- Até o céu às vezes não chora?! E, quando ele chora, as plantas ficam verdinhas e felizinhas... É preciso deixar a água cair pra vida continuar.
- Até o céu às vezes não chora?! E, quando ele chora, as plantas ficam verdinhas e felizinhas... É preciso deixar a água cair pra vida continuar.
Helena, espertinha, completou o
raciocínio que estava a traçar:
- É mesmo, até as plantas choram!
Pra renascer a vida...
segunda-feira, 7 de abril de 2014
domingo, 2 de março de 2014
A menina e o pássaro encantado
Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.
As mais belas histórias de Rubem Alves
Lisboa, Edições Asa, 2003
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