- Camila Sousa de Almeida
- Aracaju, Sergipe, Brazil
- Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)
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quinta-feira, 28 de maio de 2015
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Até o céu!
Helena sentia uma coisa estranha
toda vez que colocava sua filha no peito. Chamou isso de angústia e me chamou
para perguntar:
- É normal?
- Helena, é normal o peito
apertar quando está cheio. E cheio ele fica quando se guarda as coisas só lá
dentro. Sem esvaziar, sem compartilhar...
Os olhos de Helena ficavam
molhados, mas não transbordavam, enquanto me ouvia falar. Disse a ela:
- Até o céu às vezes não chora?! E, quando ele chora, as plantas ficam verdinhas e felizinhas... É preciso deixar a água cair pra vida continuar.
- Até o céu às vezes não chora?! E, quando ele chora, as plantas ficam verdinhas e felizinhas... É preciso deixar a água cair pra vida continuar.
Helena, espertinha, completou o
raciocínio que estava a traçar:
- É mesmo, até as plantas choram!
Pra renascer a vida...
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Ando devagar porque já tive pressa

A paciência é a virtude que restabelece os ligamentos. É aquela que nos permite ter movimentos. Com paciência, a dor é menos. A gente encontra livros, recebe amigos, e lembra de beber água. Paciência tira belas fotos! De paisagens simples, cotidianas. Ela vai nos mostrando a natureza inserida na paisagem urbana. Paz, ciência, e tudo pode ir ficando melhor do que antes. Pacientemente, a gente faz ou deixa de fazer, ficando em paz na companhia só da gente.
Camila Sousa de Almeida
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Dai-me o teu amor, que já é meu
Era um encontro transcendental
entres as partes que os levavam a eles mesmos. Haviam se fundido e se cindido
logo que se deu a invenção de seus corpos, por isso os desencontros passaram a
acontecer frequentemente, apesar de tão próximos.
Nada mais seria da mesma forma, intacto
apenas o conteúdo. Riam juntos, choravam juntos, iam embora supostamente se
separando mas, fatalmente unidos, sempre voltavam de onde tinham parado como se
o tempo não tivesse existido. Explicação nenhuma isso requer. O fato é que era consenso
o com-sentimento entre as partes. Mas era difícil porque juntava o não saber
como fazer com o sem conseguir provar...
Nasceram, cresceram, encontraram
outros, trocaram o carinho pelo carinho dos outros e depois trocaram e foram
trocados por outros. Entre eles mesmos não trocaram beijos, não tocaram os
corpos, mas o coração batia mais forte do que o mais forte que já havia
batido... Um bater sem dor, mas que doía... Ardia, mesmo sem arder...
Ele até chegou a correr atrás,
sem correr... Ela, sem saber, sabia... Tão estranho era aquela intimidade toda,
que não se encontrava em nome algum. Só no dicionário celestial dos que
verdadeiramente amam. Porque pra amar não precisa de contrato nem de falta de
medo. Sendo assim, estavam livres. Para amarem-se e aceitarem-se na saúde e na
doença; na riqueza e na pobreza; até que a morte os una completamente... Ou a
vida não espere pela morte.
Camila Sousa de Almeida
domingo, 27 de outubro de 2013
Reflexões de um botão
Era um peixe. Era, de fato, uma vontade de nadar. Mas ele voava no ar, sobre as coisas da terra. Não havia espaço onde ele não pudesse ir, afinal era livre da necessidade de líquidos para fluir. Tudo isso fazia um grande sentido, apesar de esdrúxulo e inigualável no mundo das espécies aquáticas, que era o mundo dos terráqueos. Todo mundo no mundo sabe nadar, e quando não sabe, nada. Nada mesmo. Nenhuma invenção humana superaria tamanha patacoada que a de um peixe que não nadava na água.
Camila Sousa de Almeida
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Eis o ser humano
No coração tece o sentir,
Na cabeça luze o pensar,
Nos membros vigora o querer.
Nos membros vigora o querer.
Luzir que tece,
Tecer que vigora,
Vigorar que luze:
Eis o ser humano.
Rudolf Steiner
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Silenciando
Um guarda-roupa entreaberto, um
par de sapatos no meio do quarto; denunciando a preguiça de quem chegou à noite
em casa depois de todo um dia de trabalho. E o silêncio. O silêncio de quem não
quer ligar a TV nem ouvir música. O silêncio de quem ouve o som dos carros
passando na rua. Aquele silêncio de quem se pergunta: onde eu perdi isso? Na
adolescência, na melancolia finda? Uma cama se torna mais macia quando
aproveitamos ainda acordados. Quando sinto, é pra mim que tudo isso existe. É que a gente escuta melhor
muita coisa no silêncio de uma luminária...
Camila Sousa de Almeida
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Bela-prima
A prima Vera era bela. Nossa,
como ela era! Toda vez que eu a via, enfeitada de flores até nos pés, eu
sorria. Porque sua voz era como carinho de brisa e passear com ela despenteava os
cabelos, e eu adorava isso. Estar com ela era, mais do que “estar são”, como uma
nova Era.
Mas ela só vinha de tempos em
tempos, sempre na mesma época. Então eu bolei um plano para tê-la pra sempre:
uma coisa minha que guardava eu iria lhe dar. Então ela veio, como sempre.
Minto, veio diferente; melhor do que antes e pior do que seria. E como
planejado, meu presente eu lhe dei: um beijo dado como o orvalho às folhas-meninas.
Mas primeiro senti seu cheiro
perfumado e toquei seus cabelos de fios dourados. Olhei profundo em seus olhos
e vi lá dentro meu presente sendo desejado. Assim eu nunca tinha olhado. Só
quando olhei que vi que olhava assim pra mim...
Depois que meus lábios nos seus lábios
rosa tocaram, eu pude sentir o coração tranquilo e acelerado. Mas como pode tão
diferentes e juntos em vez de separados? A resposta veio com o número de luas
exato. Prima Vera foi embora sem nunca mais ir embora de verdade. No sol ou na
chuva, comigo estava, porque no meu coração fez um milagre...
Agora fico imaginando se, como eu
a vi, outros verão...
Camila Sousa de Almeida
domingo, 4 de agosto de 2013
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Não sabia que sabia ser sábia
Houve um tempo em que Lucile achava
que não sabia o que queria. Andava por aí com seu diário, onde fazia anotações
sobre outras meninas, sobre o que achava delas e o que elas achavam dela. Eram
coisas difíceis de dizer. Ao menos, escrevia. Pensava às vezes em francês,
dizendo para si mesma, com seu rótulo de desastrada, “c’est la vie”. A vida era para ser aceita, tal como era dada,
porque tinha aprendido isso desde cedo em alguma cartilha socializada. Mas o
tempo é mensageiro e fez Lucile perceber que suas dúvidas também podiam ser caminho:
descobriu a profissão de pesquisador, aquela que toda criança já nascia
especializada. Tal descoberta a fez levar a sério seu diário, tão sério que
anotava até piada! Achou que um dia tudo aquilo serviria de material importante
para a evolução da humanidade. Estava certa e errada. Não sabia ela, ainda, que um dia seria muito
pouco... Muito pouco para o monte de dias que ela transformaria todas aquelas
experiências em sabedoria para ajudar os outros. Ela só não sabia que sabia,
desde sempre, o que queria. Pesquisando a si mesma, suas potencialidades, foi evoluindo
e se tornando muito mais humana, aceitando a vida como era... Com uma flor
sorrindo pra ela em cada tropeçada...
Camila Sousa de Almeida
quinta-feira, 18 de julho de 2013
quarta-feira, 17 de julho de 2013
O princípio do segundo que foi o primeiro
Mal
tinha começado a escrever e já começou a crescer: fazia do papel a própria
poesia. Mas escrevia gaguejando; soltava versos sozinhos e, com medo da
solidão, não ia adiante com nenhum deles. Foi quando num dia, noturnamente,
abriu uma página debaixo do telhado de brilhantes e enxergou lá dentro uma
palavra única e cintilante: "universo", dizia em letras
pequenas, mas gigantes. Soou como um gritante cochicho em seus ouvidos
infantes. Uma palavra só trazendo sentido para muitas e,
não-verbalmente, uniu os versos que tinha soltos e com eles formou algo
muito mais crescido do que o que tinha acrescido. Foi assim que, num primeiro segundo
incontável pelo tempo, descobriu o poder dos so(l)zinhos...
Camila Sousa de Almeida
quarta-feira, 12 de junho de 2013
A flor da pele
Era “o dia dos namorados”. Era um
dia. Mais um em que Alícia esperava aquele som que não vinha. Nunca tinha
ouvido “eu te amo” da boca de um rapaz. Nem mesmo de uma moça que não fosse
amiga. Não que ela quisesse ouvir isso de uma moça, mas que ela queria ouvir,
queria! Foi para o parque chateada, pensando quanto tempo já estava saindo com
Alesandro e ele não lhe dizia nada. Nada além da hora que iria buscá-la...
Estava sem esperanças no mundo, pois este era feito de pessoas que não falavam
o que ela esperava ouvir. Alícia caminhava e chorava... Foi quando uma flor,
roxinha como a cor que fica quando estamos sarando de um machucado, surgiu
diante de seus olhos molhados. Enxergou profundo. Enxugou suas lágrimas e
desobstruiu as passagens: Alícia pôde sentir o aroma doce da singela e miúda roxinha
cheia de pétalas. Era sensivelmente suave e se espalhava no ar da praça,
enquanto ela inspirava... Alícia chegou mais perto para ver melhor e tocou a
flor, que se deixou ser tocada. Parecia feliz com os carinhos, pois continuava
partilhando seu perfume, e isso a animava. Suas cores eram tão sinceras quanto suas folhas
recém-caídas. Ela só sabia ser ela mesma, tão bonitinha. Alícia permitiu-se a
companhia dela o resto daquele dia. E junto com a noite caiu a ficha: descobriu-se
amada pela flor. E isso era certo, tão certo quanto a raiz da planta firmada na
terra. Alícia nunca fez nada por ela. A flor simplesmente estava ali, entregue,
de corpo, cor e essência, doando a si mesma, sem nada esperar... E o único som
audível era o vento fazendo a planta balançar...
Camila Sousa de Almeida
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
domingo, 23 de dezembro de 2012
No ponto da calçada
Continua o caminho.
A mulher que vem atrás também olha mas, diferentemente, tira a pedra da passagem.
Ambas calçadas...sábado, 15 de dezembro de 2012
Entre
No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta
Cecília Meireles
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
No meio do caminho não tinha uma pedra
Na época de Drummond tinha uma
pedra no meio do caminho. Hoje, quando caminho, encontro buracos. Muitos, por
todos os lados! Passo por uma banca de revistas e vejo uma manchete de jornal: “Pai
estupra filha em pleno dia das crianças!” Como?! Quer dizer que se fosse outro
dia do ano seria menos absurdo??? Como diz um velho amigo, é uma falta de
absurdo... Antes a pedra do que a falta dela, ou seja, o buraco.
Por que somos bons atletas quando
se trata de fugir do esforço? Ficamos acomodados quando temos à disposição um
carro; esquecemos que temos pernas! Elas existem, e se existem, não é por
acaso. E não é porque sejam vingativas não, mas se não lembrarmos muito delas,
elas também nos esquecerão; com razão de não fazer questão de serem boas na
hora que a gente precisar de uma forcinha. Beber ou comer algo estragado nos faz
passar mal, mas vômito não é castigo; é a natureza seguindo sua ordem em busca
da natural harmonia.
Nesse trecho de menos de meia
hora de caminhada senti que é muito menos arriscado não desviar do catador de
lixo bêbado do que do estranho engravatado. Porque, como concluiu meu primo em
sua sabedoria, é melhor ter certeza de uma verdade feia, é melhor uma sincera
futilidade... Perigoso é não saber. Pior é a incerteza do que o outro pensa e
quer de você.
A falta, o escondido, o comodismo
e outras barbaridades modernas são reflexos de alguma coisa que estamos
chamando de sociedade. Na realidade o que parece é que nos tornamos sócios
falidos de uma catástrofe natural encomendada. Mas, felizmente, pernas também
fazem pensar. As danadinhas sempre nos levam a algum lugar...
Camila Sousa de Almeida
sábado, 29 de setembro de 2012
Uma viagem
Impedidos de entrar em bando,
escaparam pra dentro feito um assalto. Não falaram nada que não fosse por
gestos: “você ali, ele lá, aquele acolá”. Parecia uma banda de música nova
dando suas coordenadas.
Criaram o ambiente propício, sem cotoveladas, e foram pra ponta da varanda, onde se via a lua... dentro, mas fora.
Aplaudiram a si mesmos com entusiasmo e fizeram festa em dia de semana. Não eram mais do que eles mesmos. Estavam sós, naquilo que alguns chamavam de inteiro, mas por serem pacíficos, trocavam brigas por beijos.
Quem eram eles? Os elementos de um cesta sem feira; partes de sua mente. Consciente e inconsciente: uma mente perfeita.
Criaram o ambiente propício, sem cotoveladas, e foram pra ponta da varanda, onde se via a lua... dentro, mas fora.
Aplaudiram a si mesmos com entusiasmo e fizeram festa em dia de semana. Não eram mais do que eles mesmos. Estavam sós, naquilo que alguns chamavam de inteiro, mas por serem pacíficos, trocavam brigas por beijos.
Quem eram eles? Os elementos de um cesta sem feira; partes de sua mente. Consciente e inconsciente: uma mente perfeita.
Camila Sousa de Almeida
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