- Camila Sousa de Almeida
- Aracaju, Sergipe, Brazil
- Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
sábado, 28 de dezembro de 2013
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Adapta a ação
Quando a gente cai e se machuca
percebe que tem partes de nós mais frágeis do que pensamos. E partes mais
fortes ainda. Por exemplo: uma perna que não aguenta uma pancada e outra que aguenta fazer
tudo pelas duas. Que ironia! A gente percebe, quando sai da nossa vida
rotineira, como é a vida do outro que tem essas dificuldades como rotina.
Percebe que é muito bom poder buscar um copo d’água sozinha. E esse é um prazer
que não aproveita quem só quer aproveitar a preguiça. Adaptação é uma delícia.
É poder tomar banho sentada embaixo do chuveiro e lembrar da sensação do banho
de cachoeira... Se brincar, vicia.
Camila Sousa de Almeida
sábado, 16 de novembro de 2013
O centro
Não importa quanto barulho o mundo faça ao seu redor, só é
capaz de lhe perturbar o que te inquieta por dentro. Também por isso não
adianta o silêncio de uma tarde calma, esteja onde estiver... Não é um sítio
longe da cidade nem uma TV desligada. Não é algo que você compre, nem que
renuncie. Não é a cor da roupa que veste, nem os zeros na conta bancária. Eles
podem estar na direita ou na esquerda... O que importa é o centro. Quando
achar, você vai saber e reconhecer...
Camila Sousa de Almeida
domingo, 3 de novembro de 2013
Qual idade de vida
Foi engraçado, hoje me vi adulta
quando me peguei tomando cafezinho. Principalmente porque o tinha desejado.
Quando pequena só via fazer isso gente grande... Mas fico feliz por minha
criança porque, mesmo depois de ter crescido, não me obrigo a usar terno e
gravata nem salto alto, e nem desejo nada disso. Fico feliz por ter preservado,
diferente de muita gente, uma ótima vista. Não porque não uso óculos, mas
porque enxerguei os passarinhos andando em cima dos carros. E porque achei isso
“massa” e lindo. A minha criança agradece eu ter saído do ambiente fechado do
trabalho pra tentar ver o eclipse. E sente prazer com o friozinho do tempo
nublado, em paradoxo com o fato de não fazer questão de ar-condicionado. Minha
criança se orgulha de escolher como meio de transporte a bicicleta. Ela se
diverte, se fortalece e se exercita. Gosta de escrever tentando rimar, pra
fazer poesia. Com isso concluo que, felizmente, minha criança não só aqui
dentro vive; mas está ajudando o meu adulto a ter qualidade de vida.
Camila Sousa de Almeida
sábado, 2 de novembro de 2013
Os bichinhos
Marília tinha nascido no meio dos
bichos. Convivia com gato, cachorro, papagaio, periquito. E quanto mais andava
pelo seu quintal infinito, mais encontrava outros amigos: os voadores, os
saltitantes, os nadadores... Todos absolutamente livres. As espécies conviviam
numa harmonia que, para Marília, era tão natural quanto ela.
Quando foi viver na selva de
pedra, estranhou muita coisa: água engarrafada e lacrada, fruta pegada de
prateleira, cachorro vendido em loja, o povo correndo da chuva, e não com
ela... Era tanta coisa diferente que ela nem sabia como chamar.
Já o povo sabia chamar Marília de
muita coisa. Mas quando diziam que ela era um bicho-do-mato, ela sorria
saudosa. Quando riam dos seus pés descalços, ela pensava que devia ser aquilo
uma pessoa chamada de invejosa. Toda aquela malícia dos homens das pedras só a pureza
da mata conseguia matar.
E como uma floresta que se
multiplica pelas sementes que caem na terra, a fértil Marília pegou-se a engravidar.
Gestando em seu ventre uma nova existência cor de verde-esperança, ela
naturalmente deu à luz em meio às águas limpas que ainda restavam naquele
lugar.
Não tardou a tentarem mais uma
vez desmatar seu peito: “seu filho parece um macaco!”. Marília, sábia como as
folhas de uma árvore que transformam o que vem de fora em algo que lhe é útil,
ficou muito alegre com um comentário tão divino! Serena e orgulhosa, ficou
lembrando do quanto admirava aqueles bichos...
Camila Sousa de Almeida
terça-feira, 29 de outubro de 2013
E eles viveram felizes para sempre
E eles viveram felizes para sempre. Seja lá quando isso for. Assim acaba essa história. Porque tudo o que começa acaba. Murilo teve sua primeira visão quando nasceu: vislumbrou sua morte, de infarto, debruçado numa janela. Abriu o berreiro. E nunca se esqueceu dessa visão, estranhamente.
Mais tarde, na infância, os filmes o entediavam: nos créditos iniciais já sabia que o casal viveria feliz para sempre. Os filmes de comédia não tinham mais graça e os de suspense não davam susto. Desistiu de assistir "Lost" no primeiro capítulo.
Tornou-se um sujeito tímido, introvertido. Bastava que fizesse um novo amigo para que antevisse o momento em que eles romperiam ou a morte de um dos dois. Beber era difícil. No primeiro gole, visualizava a ressaca.
Um dia, apaixonou-se à primeira vista. Foi travar uma conversa. Imediatamente a viu horrenda, assinando os papéis do divórcio. E isso aconteceu repetidas vezes: viu uma dando um tiro no peito, outra comprando passagens de ônibus só de ida para Friburgo. Murilo foi, pouco a pouco, se afastando da companhia das pessoas, para não ter que começar nada que tivesse que acabar. E viveu um tempo longo em que nada começou.
Até que a visão de sua morte, tão jovem, começou a assombrá-lo. Podia acontecer a qualquer momento. Murilo se olhou no espelho e viu que ele estava se transformando no homem da sua visão: tinha engordado um pouco. Perdeu cabelo.
Não demorou muito para que ele percebesse que era melhor viver as coisas sabendo do final delas do que não viver nada. E redescobriu o prazer de viver o miolo das coisas. Passou a tentar adivinhar como é que as coisas chegariam a ser o que ele já sabia que elas se tornariam. Percebeu o quão pouco importam o começo e o final: o barato está, pensou ele, em como é que uma coisa vai dar na outra. Fez novos amigos, conheceu mulheres, se apaixonou algumas vezes. E a história poderia acabar aqui, com nosso protagonista aprendendo a viver um dia de cada vez, encarando com tranquilidade a finitude das coisas. Mas não foi bem assim, como sabemos.
Certo dia, numa praça, viu uma mulher linda e resolveu puxar conversa. E disse "Opa", como quem diz "Oi". E parou por aí, espantado. Porque não viu final nenhum. Ficou aflito. "Que é que houve?", disse ela. "Não tem final", disse ele. "O quê?", disse ela. "Nossa história", disse ele. "Não tem final." "Mas precisa ter?", disse ela. "Não, não precisa", disse ele. "Não precisa."
E eles viveram felizes para sempre. Seja lá quando isso for.
Gregorio Duvivier
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Ponto a ponto
Aprenda a costurar: pra dentro, pra fora, pra dentro, pra fora, pra dentro, pra fora, pra dentro... Os nós começam e terminam.
Camila Sousa de Almeida
domingo, 27 de outubro de 2013
Reflexões de um botão
Era um peixe. Era, de fato, uma vontade de nadar. Mas ele voava no ar, sobre as coisas da terra. Não havia espaço onde ele não pudesse ir, afinal era livre da necessidade de líquidos para fluir. Tudo isso fazia um grande sentido, apesar de esdrúxulo e inigualável no mundo das espécies aquáticas, que era o mundo dos terráqueos. Todo mundo no mundo sabe nadar, e quando não sabe, nada. Nada mesmo. Nenhuma invenção humana superaria tamanha patacoada que a de um peixe que não nadava na água.
Camila Sousa de Almeida
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
O jardineiro
“O que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem”.
Rubem Alves
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Eis o ser humano
No coração tece o sentir,
Na cabeça luze o pensar,
Nos membros vigora o querer.
Nos membros vigora o querer.
Luzir que tece,
Tecer que vigora,
Vigorar que luze:
Eis o ser humano.
Rudolf Steiner
sábado, 5 de outubro de 2013
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Silenciando
Um guarda-roupa entreaberto, um
par de sapatos no meio do quarto; denunciando a preguiça de quem chegou à noite
em casa depois de todo um dia de trabalho. E o silêncio. O silêncio de quem não
quer ligar a TV nem ouvir música. O silêncio de quem ouve o som dos carros
passando na rua. Aquele silêncio de quem se pergunta: onde eu perdi isso? Na
adolescência, na melancolia finda? Uma cama se torna mais macia quando
aproveitamos ainda acordados. Quando sinto, é pra mim que tudo isso existe. É que a gente escuta melhor
muita coisa no silêncio de uma luminária...
Camila Sousa de Almeida
terça-feira, 1 de outubro de 2013
sábado, 28 de setembro de 2013
A 4m1z@de dos sonhos no mundo real
Quantas vezes havia sonhado a
respeito disso ela não sabia. Não lembrava quantas vezes desejou ser chamada de
amiga, da boca pra dentro. Ia pra festas, bares, reuniões na calçada; dividia
um cigarro mas não deixava ninguém de fato tocar sua alma. Ela sabia que de companhia
pra o que não prestava a vida não lhe privava, mas era de um amigo que sentia
falta. Farta de tantas vozes, se calava, porque mesmo quando ousava mostrar
alguma coisa sua, era sua máscara. No fundo sentia mais falta era de si
mesma...
Pensava que no mundo deviam
existir outras pessoas como ela, mas a pergunta era: como encontrá-las? Se
existia a chamada lei da atração elas deveriam estar por perto... Tentava ficar
alerta, mas só se frustrava.
Os novos tempos vieram, com outro
conceito de realidade. Agora, podia falar muito – e muito profundo – com alguém
sem nem olhar na cara! Era um novo mundo de possibilidades resgatando sua
esperança: a internet, a globalização computadorizada.
Nem precisou se apressar, as
redes a pescaram. A tal lei ia se concretizando abstratamente em conversas
não-faladas, e as almas foram se conectando sem as peles precisarem ser
tocadas. Alegria era o toque de uma mensagem recebida. Tornou-se sua música
preferida. Quantas confidências desabafadas em siglas...
Foi se descobrindo unida mesmo em
terras separadas. Foi percebendo que poderia ter uma noite muito mais divertida
ficando em casa. Acabou conquistando através de teclas e telas a essência de
uma verdadeira amizade: uma relação baseada na sinceridade.
Entendeu, por fim, que pela tela
podia tê-la pra sempre. E que a tela podia ser (ou não) temporária. Como uma
ponte entre duas margens de terra...
Camila Sousa de Almeida
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