Minha foto
Aracaju, Sergipe, Brazil
Sou uma terapeuta ericksoniana; trabalho com Psicoterapia Breve, utilizando, sob medida para cada pessoa, técnicas de Hipnose e Arteterapia. Sou também doula: acompanho gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Qualquer dúvida e interesse, entre em contato! Terei o maior prazer em poder ajudar. :)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Os fins


A morte é uma idéia frequentemente temida. Mas, assim como tudo mais, pode ser encarada de diversas formas, não necessariamente adversas, se olhamos além de uma perspectiva física. Não é difícil observar, dentro das famílias, que a morte do corpo físico pode despertar os espíritos – não aqueles de quem se foi, mas daqueles que, por enquanto, ficam. 

Espírito é uma palavra que aqui utilizo para denominar aquilo que faz alguém querer dizer o que nunca disse; fazer o que não fazia; perdoar, pedir perdão e viver livre de mágoas e dívidas. 

Fins proporcionam (re)nascimentos. Como um ponto no fim de um parágrafo abre espaço para outro começar dizendo coisas novas, ou já ditas, porém reformuladas após uma boa maturação. 

Ironicamente, talvez a morte possa dar sentido à vida; ou mostrar a importância devida do que realmente importa. Entretanto, apesar de tamanho poder de trazer benefícios, ainda assim, tememos tais experiências. Medo de mudanças é o humano medo do desconhecido... 

Mas o novo é que nem o velho: pode ser bom ou nem tanto assim, o que alguns chamam de “ruim”. Mas é natural que – o que dizemos ser – opostos estejam juntos integrando uma coisa só. Eu não conheço todas as moedas de todos os tempos, mas, nunca ouvi falar de nenhuma que tivesse apenas um lado! Independente do seu tamanho, valor ou formato. 

Se tudo que nasce naturalmente tem a morte como inevitável destino, obviamente se pode também destruir o que foi humanamente construído. Você pode deixar morrer ou, até propositadamente, assassinar quem te engana dizendo que é igual a você: seu ego. Um braço é um braço e não todo o seu corpo. Se você não puder usá-lo mais, pode continuar vivendo, adaptando-se às mudanças. 

Se você se permite ser diferente de “si mesmo”, vai deixando morrer a idéia de que as coisas precisam ser de uma forma específica para estar bem...

Camila Sousa de Almeida

Podemos


Tem coisas que não podemos controlar. Tem coisas que 
podemos. Controlemos estas!
Camila Sousa de Almeida 

 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Coisas por trás das coisas


O mundo é cheio de coisa. E uma coisa pode estar cheia de um mundo de coisas além. Onde não vemos uma, vemos outra. 

Muito sofrimento há. Muita alegria também. No mesmo lugar que vemos um pobre a pedir esmola, vemos alguém a lhe dar. No mesmo hospital que encontramos um doente gemendo, há algum profissional a lhe cuidar. É quando uma catástrofe acontece que vemos a mobilização das pessoas para arrecadar bens e, assim, a solidariedade e generosidade praticar. 

Uma coisa está ligada à outra e uma precisa da outra para existir, não?! Sofrer por causa do sofrimento pode ser uma escolha, já que o mesmo pode lhe fazer sorrir; ter esperança; se orgulhar de si; ampliar a vista; aprender algo; aprender a amar... 

Camila Sousa de Almeida

terça-feira, 1 de maio de 2012

Os nós que se ligam a nós


Malú sonhou comigo. Sonhou com ela mesma. Eu fazia algo que a surpreendia e ela se unia a mim para, juntas, colocarmos em prática algo inusitado. A gente sempre faz isso. Nós, humanos. Usamos os outros como motivos, escudos, desculpas para fazer o que sozinhos não temos coragem. Em grupo, coletivizando-nos, somos outros porque, muitas vezes, assim é que conseguimos ser nós mesmos; usar outros lados de uma personalidade que não costuma se mostrar como é inteira. 
 
Frequentemente enxergamos no lado de fora características que temos e que incomodam, mas em vez de lidarmos com nossas próprias sombras, nos incomodamos explicitamente é com os outros! Às vezes sonhamos com pessoas que não estão representando elas mesmas, mas partes psíquicas nossas... Simbolicamente ou não, todos são parte de nós, enquanto justificamos que somos parte deles. Na verdade, uma coisa não exclui a outra. 

Muitos pais tentam realizar os próprios sonhos e ideais através dos filhos. Como é que funciona isso? Descobrimos que somos diferentes e iguais, à medida que olhamos pra fora. E pra dentro. E pra fora. E pra dentro. E pra fora. E pra dentro... Infinitamente descobrindo Quem Eu Sou, a partir de Quem Nós Somos ou não...

Camila Sousa de Almeida

No manicômio


sábado, 28 de abril de 2012

Por um fio

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Nada .



Posso olhar para um papel em branco e achar ele rico, pois vejo nele as infinitas possibilidades que o vazio proporciona. Foi o vazio, justamente, que me inspirou essas palavras. Sem ele, algo já existiria; e tudo que existe limita o que poderia existir – se usamos apenas um espaço finito da existência. Porque na minha cabeça os papéis não têm bordas, não têm começo nem fim... Mesmo que os preencha, eles continuam sendo brancos. Branco. Essa é a palavra que escolhi. E uma escolha é só uma entre tantas que posso fazer. Quantas palavras poderiam estar aqui? O que eu escolho usar para representar o que penso e sinto é uma escolha que será sempre limitada; eu sempre serei muito mais que qualquer coisa que eu escreva ou diga. Por isso, às vezes não digo nada. Por isso, às vezes nem tento escrever. Só serei sendo. Nada é tão completo quanto o vazio. 

Camila Sousa de Almeida

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sábia Mente Inconsciente


Tenho observado um fenômeno interessante nas minhas aulas de bateria: algumas vezes fiz algo inconscientemente, e logo depois o professor explicou o que eu tinha acabado de fazer. Eu fazia algo que nem sabia que sabia! Antes de ele ensinar ou falar sobre o assunto. O professor brincou que eu tenho veia artística; e eu disse que meu inconsciente é mais inteligente e sabe mais sobre música do que eu. Fato. Afinal eu nunca aprendi a tocar nenhum instrumento e nem estudei teoria musical. Estou começando agora... Pois é, expressar-se livremente pode fazer brotar algo surpreendente...

E nisso tudo percebi o quanto minha mente muitas vezes atrapalha o desenvolvimento dessa habilidade, com pensamentos do tipo “é difícil”, “vou demorar a aprender”. É a minha mente consciente que inconscientemente atrapalha, mas que, por eu ter tomado consciência disso, passo a poder controlar. Se a consciência deixa o caminho livre dessas barreiras auto-impostas, a sabedoria inconsciente poderá fluir livremente e expressar sua arte, dessa forma natural que ela demonstra saber fazer... É preciso estar atenta. Sempre aprendendo comigo mesma...

Camila Sousa de Almeida

Passa(n)do


É, vivemos pisando sobre os mortos. Quando vamos a um cemitério fica claro isso. Repare bem se o chão onde pisamos, que nos sustenta, não é feito do que/de quem existiu antes de nós. E é isso que nos permite caminhar, que nos dá base para construir coisas: o que foi construído antes, naturalmente ou não. Destruir é parte desse processo; o que vai se decompondo vai transformando profundamente o solo, dando à continuação da vida sua contribuição. A fertilidade vai se produzindo na terra pela mistura dos elementos que antes foram parte de outros maiores. Partindo-se em grãos, pode se espalhar, se misturar, tornar-se outras coisas maiores, pela união das partes. Tudo aquilo que já foi e não mais é transforma-se no solo onde podemos escolher o que vamos, a partir de agora, plantar. Passando por cima do que passou, podemos ir sentindo a segurança nos nossos passos... 

Camila Sousa de Almeida

quinta-feira, 19 de abril de 2012

[Você tem uma mensagem]

"Se nossos sentidos nos ligam ao mundo, ou seja, sem eles não teríamos como perceber o mundo, então sempre achei que haveria o sexto sentido, quando sentimos coisas que não parecem ter sido captadas pelos outros cinco sentidos. Chamam de intuição. Saindo de uma autohipnose agora, percebi que há um sétimo sentido, que nos liga e nos faz perceber o mundo e assim como os demais é espontâneo e pode ser desenvolvido. É o amor, o sétimo e mais poderoso dos sentidos."

Marcelo Oliveira

Sabia?

domingo, 15 de abril de 2012

Alien nação

A gente vive num mundo esquizofrênico, dominado por esquizofrênicos que dominam outros, cada um na sua esquizofrenia... Os mundos paralelos da política, do futebol, da cerveja, das festas, novelas, programas de televisão e músicas com letras e refrãos esquisitos, que nos tiram ou afastam do contato com outras realidades comuns a todos: a miséria, a fome, a corrupção, os genocídios em prol da construção de usinas hidrelétricas, só para citar alguns dos fatos que ignoramos, surpreendentemente. É como viver a realidade de outro mundo, enquanto se caminha neste. Isto não seria uma esquizofrenia?! Uma mente dividida, porque a mente mente, enganando a si mesma sobre a realidade que “vive”. 

Somos condicionados a prestar atenção em determinadas coisas e não em outras, ao ponto de termos algo, às vezes escancaradamente, em frente às nossas fuças e não enxergamos; ou não escutamos; ou não sentimos nada! Distraídos, somos traídos pela nossa percepção... Observe um telejornal: após notícias de guerra, catástrofes ou corrupção política, dada com cara de pesar pelo jornalista, os gols da semana são comemorados com uma rápida mudança de semblante; a seriedade se transforma em largo sorriso, pois o que “realmente” importa é isso. Ter um título de vencedor é uma importante conquista, tanto quanto o é para um “esquizofrênico” o título de Napoleão Bonaparte ou de rei da província. 

Pesquisas têm provado ultimamente que transmissão de energia pelas mãos pode curar. Será que é só em alguns casos, com intenção de cura, que essa influência existe?  Será que outros tipos de afeto não podem também cotidianamente acontecer e, acontecem? Se nem mesmo tudo o que os meus olhos podem ver eu vejo completamente... 

Ignoramos muitas realidades, como os sons que os gatos ouvem, os cheiros que os cães sentem, e tantas outras coisas que estão construindo o que vivemos, mas não percebemos como parte de nossa “realidade”. Continuamos coletivamente esquizofrênicos...

Camila Sousa de Almeida


sábado, 31 de março de 2012

O cúmulo do acúmulo


As rugas da flacidez de hoje denunciam a força antes colocada em prática. Quão belo é o corpo de um ser humano idoso! Uma delicadeza conquistada na pele que se tornou fina; uma maciez agradável ao toque daquele que realmente se aproxima. É bom tocar uma mão que muito acariciou. Os olhos tanto dizem... Aprenderam o ofício da boca, pois sem saber palavrear tudo o que sentem, falam ao calar. E até mesmo assim, gritam – pedindo o que acham que já não podem dar. 
 
Parece que as mudanças vêm anunciando morte, antecipando precipitadamente um luto, mas o que eu vejo é um acúmulo de vitórias. Exatamente isso. Seguindo em direção ao cume, onde as conseqüências dessas conquistas trarão o grande alívio que se sente quando se conclui que, somadas todas as experiências, viveu a vida satisfatoriamente. Olhar para trás e enxergar diferente é um renascimento. Toda perda trouxe um ganho. 

E antes do auge outros alívios estão disponíveis, constantemente, enquanto há respiração; enquanto há a possibilidade de soltar o ar e deixar ir tudo o que precisa ir embora. Há muitas formas de fazer isso; várias formas de respirar. No fim, acaba o que tem que acabar, junto com um ciclo. E isso significa que um novo acaba de começar...

Camila Sousa de Almeida

quarta-feira, 28 de março de 2012

1 + 1 = 1

“Eu sou hemisfério esquerdo. Eu sou um cientista. Um matemático. Eu amo o que reconheço. Eu classifico. Eu sou exato. Linear. Analítico. Estrategista. Sou prático. Sempre no controle. Um mestre das palavras e linguagem. Realista. Eu calculo equações e brinco com números. Eu sou a ordem. Eu sou lógico. Eu sei exatamente quem eu sou.”

 

“Eu sou hemisfério direito. Sou a criatividade. Um espírito livre. Sou paixão. Sou saudade. Sensualidade. Eu sou o som de gargalhadas. Eu sou o gosto. A sensação da areia nos pés descalços. Sou movimento. Cores vivas. Sou o anseio de pintar a tela em branco. Sou a imaginação sem limites. Arte. Poesia. Eu percebo. Eu sinto. Eu sou tudo o que eu queria ser.”

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ocupando-se para não se pré-ocupar


Determinados hábitos modernos desenvolveram-se a partir da valorização da velocidade; criou-se um ideal de “resoluções” rápidas: uma pílula, uma comida rápida (fast-food), um click no computador. Tudo isso, entre outros fatores, é claro, tem resultado numa espécie de epidemia de ansiedade. A paciência, nesse contexto, foi sendo transformada em desvantagem na corrida em busca de eficiência. Mas de nada adianta empurrar os ponteiros do relógio com os dedos; o tempo passará no tempo dele mesmo. Respeitar isso é conseqüência da compreensão de que as coisas não necessariamente acontecem como queremos. 

Até nós, psicólog@s, podemos às vezes ficar ansiosos para ver logo os resultados aparecerem nos nossos clientes. Neste caso, podemos observar um lado positivo na ansiedade: ela demonstra o quanto nos importamos com aquele ser humano e a superação do seu sofrimento (e a pessoa, o quanto ela deseja bem a si mesma). Mas como a boa qualidade não está ligada a alta velocidade, nesses momentos é preciso parar e respirar desaceleradamente... Trabalhando a própria ansiedade, o terapeuta está auxiliando o outro a também conseguir fazer isso. 

O tempo certo não é rápido e nem demorado, apesar de poder ser um ou outro, objetiva e subjetivamente... É o tempo da sabedoria, da consciência, e/ou da natureza fechar naturalmente um ciclo...

Desejamos o dia seguinte, mas temos que esperar o sol nascer. E certamente ele renascerá. O que fazer então, senão aproveitar o que se pode fazer antes disso, hoje?! O foco então pode ser o ato e não o tempo que leva para ele se desenrolar... Quando terminar de fazer o que está fazendo, olhe pra cima: o céu não estará igual. O tempo passou, tudo se movimentou, e você não reparou porque você também estava se movimentando... ;)

Camila Sousa de Almeida
Related Posts with Thumbnails